Quem sou eu

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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

EM SILÊNCIO (Beatriz Oliveira)

Eu não digo nada, só escuto.

Escuto a tua voz, o teu sorriso, o teu olhar.

Sim, o teu olhar fala comigo

Tal qual teus lábios quentes e mudos.

E, somente em sonho doce e arquejante,

Serás sempre capaz de ouvir o que eu te digo.

Então não digo nada, só observo.

Olho a tua figura quase impune,

De quem o tempo tem compaixão serena,

E penso que talvez tenha tocado Adônis

Com a minha mão relutante e pequena.

Mas eu não sou Afrodite...

Por isso não digo nada, só me lembro.

Lembro de quando voltei a ser menina e tive medo

Pela tua força e pela tua beleza.

De quando a minha voz foi absorvida

Pelo teu silêncio e pelo nosso segredo.

Dos desejos que não precisam

Ser verbalizados para se liquefazerem.

De tudo me lembro em silêncio absoluto!

Mas minh’alma grita pelos olhos, ávida,

Um desejo embrião ainda, irresoluto,

Que mesmo não nascituro,

Far-me-á, com certeza, uma mulher impávida!

sábado, 18 de dezembro de 2010

MÈNAGE A TROIS (Beatriz Oliveira)


Mais uma vez olho para os meus dedos

E vejo apêndices estéreis, vagos, inúteis...

Para quê hão de servir dedos que não tocam?

Meu pensamento é a minha única parte que permeia...

Penso que minhas idéias são o que há de melhor em mim,

O que me revela, o que me enleva e me abraça.

Na falta de outros braços e corpos,

Meus dedos se unem às minhas idéias

E ambos me enleam com seus ardis temerários.

Meus dedos têm vida...

Incapaz de defesa e mareada de medo e de solidão,

Deixo-me dominar e sucumbo aos meus dois amantes.

Que ninguém me ouça nesta noite de pecado solitário,

Angustiante, venenoso, doce...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

UM DIA MAIS CLARO (Beatriz Oliveira)


... Um dia mais claro,

Onde o meu sorriso abrisse portas,

Desse fim a guerras, ressuscitasse mortos;

Onde o meu olhar derramasse bálsamos,

Matasse fome, tristeza, dor, vergonha,

Desonra, falta de ética, covardia, maldade;

... Um dia mais claro,

Onde a minha mão plantasse amparo,

Fé, amizade, segurança, bondade, ânimo,

Árvores, educação, firmeza e poesia;

Onde o meu corpo sustentasse o filho,

O pai, a mãe, o irmão, a irmã, a prima,

O avô, a avó, o primo, o tio, a tia.

... Um dia mais claro,

Onde os meus pés percorressem rumos

Incansáveis, desérticos, navegáveis, frágeis,

Tão longínquos, mas tão intrínsecos a mim;

Onde a minha alma voasse selvagem e nua ,

Etérea, volátil, eólica, éon de ouro livre

E passeasse por todo o lugar onde o “tudo” vive.

... Um dia mais claro,

Onde o seu sorriso me tomasse por rumo

E o seu olhar me tomasse por meta

E a sua mão me tocasse sem nenhum juízo.

Um dia claro que se tornasse noite,

Num instante vago.

Um instante que voaria breve,

E, assim, espantado a si mesmo diria:

“Veja, o tempo passou e eu nem percebi.”

RAINHA SÍLFIDE (Beatriz Oliveira)



Daqui, de onde olho, eu nada posso ver,
Além das luzes da noite.
Olhando da minha janela alta,
Vejo milhares de pequenas lampadazinhas
Espalhadas pela noite escura.
O vento frio me gela a pele e o coração lhe gela.
O vento foge, esperto, desperto.
Vejo faróis traçando retas de um rumo ignorado.
Para quê sabê-lo? Nada me fará retê-lo!
Não retenho nada. Nunca tive esse poder!
O gelo do frio retorna à minha alma...
Quisera uma janela baixa,
Uma noite clara, uma brisa morna, um rumo certo.
O saber eu não o quisera jamais!
Quisera não saber nada!
Quisera ser uma bela Sílfide e somente voar,
O inteiro dia, entre uma flor e outra,
Molhar levemente a asa num riacho manso,
Num insensato rasante, e sacudi-la, tonta,
Sorrindo-me de mim.
Quisera poder treinar o voo
E não mais molhar a asa, já na vez terceira,
Enquanto os Elfos e as Salamandras
Fazem festa e me aplaudem e eclodem
Em alegria plena e sem fim.
Quisera poder viver de amor e fantasia,
De dança e poesia, de música e magia.
Hedonismo, tão somente, sem tabus.
Mas a janela é alta e a queda perigosa!
Penso, então, que as lampadazinhas lá embaixo
Podem, eventualmente, ser Sílfides iluminadas
Que vêm, reunidas pelo propósito de resgatar sua rainha.
Enquanto as espero, ansiosamente,
Fecho a janela e durmo para acordar.

domingo, 24 de outubro de 2010

EGO SUM QUI SUM (Beatriz Oliveira)


Algumas pessoas costumam me criticar por coisas que eu faço ou digo...

Na maioria das vezes, não respondo nada. Não adiantaria.

Noutras, respondo que faço o que tenho vontade.

Que vivo a vida, aproveitando os talentos que me foram dados,

Sem medo, sem preconceito, sem tabus.

Faço o que todos gostariam de fazer, mas têm medo.

Digo o penso. Digo o que todos pensam, mas não têm coragem de dizer.

Todas as fantasias, desejos, ódios, tudo!

É incrível como as pessoas gostam de ser enganadas!

Creem que alguém é bom, pelo simples fato

De se manter em silêncio acerca de seus erros e desejos vis.

Creem que alguém é mau pelo simples fato

De dizer suas maledicências doloridas...

Um sorriso falso lhes convence muito melhor que um brado verdadeiro.

Meu mal é que não sei ser assim! Não sei mentir.

Se traio, digo que traí.

Se minto, digo que menti.

Se roubo, digo que roubei.

Não sou como essa gente que se faz de santa

Depois de sujar as mãos na própria merda.

Tenho as mãos sujas de merda e as mostro assim sujas.

Porque sou humana.

Quem não tem as mãos sujas de merda?!

A única diferença entre mim e você

É que eu falo e você cala.

24/10/2010

domingo, 29 de agosto de 2010

LONGA ESPERA (Beatriz Oliveira)


De outros tempos eu trago o teu vulto

Na esperança do eterno amor que aflige

e a ouvido nu, ainda hoje, ausculto,

No peito, algo que não se corrige.


Meu coração tem a mania feia

De esperar... E esperar eternamente

Por esse bem que nunca se esteia,

Que sofre, encanta, vive e mente.


Tuas sombras acompanharão, eternas,

O envolvimento dessas minhas pernas

Co'o som interno do meu peito ativo


E, enquanto as coisas ficam mais modernas,

Eu vou morrendo entre as tuas pernas.

E no passado, sinto-me mais vivo.


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Questões Minhas - Beatriz Oliveira -


Ainda sinto o mesmo que sentia...

Apesar da distância, das tentativas,

Dos beijos, fotos, das noites e dos dias...

Ainda me surgem na lembrança

O vívido sorriso e os delgados dedos

Tocando-me, sem nenhum tipo de aliança.

Poucas coisas que me foram dadas...

Coisas que me acalmam a dor,

Nas horas de vigília angustiada.

Poucas coisas que me mantém viva,

Numa paixão qu’inda mantenho acesa,

Por questões pessoais e seletivas...


sábado, 24 de julho de 2010

Um olhar opaco pode ser repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, mas não há plástica que resgate seu brilho. O que dá brilho ao olhar é a vida que a gente opta por levar.

- autor desconhecido -

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O MAR QUE VAI - Beatriz Oliveira


Quando em sonho, teu olhar é espuma no espalhado

Verdejante, estonteante e contundente mar de amar.

Quando em carne, é veio de esmeralda clara, misturado,

Verdeazul, que me deixa o corpo nu e a cabeça a marear.



Penso tanto em quê se passa sob as águas do alheado véu:

Quisera, quem sabe, um tantinho de amar-me a rima,

Ou, talvez, amar a mim, um pouco, e ter-me num cordel.

E ser eu a quem te doas, aquela que a teu ser sublima.



Quisera tanto, tantas coisas vãs, nesse mar que vai...

Vai em ondas que tergiversam, num riso aberto de sal

Inundando aquelas páginas de mim, entrecortando tudo.



Vai, manso, arrastando areia, pedra, sangue. Nem vê. Vai

Verdejante, sorridente, serpentino, bailando um rumo especial.

Espalha maresia, encanta, sorri um talho de fogo e vai mudo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

DEMOCRACIA

Queridos amigos,
há algum tempo atrás recebi uns e-mails falando que, caso haja mais de cinquenta por cento de votos nulos numa eleição brasileira, ela será anulada. Não divulguei essa informação porque ainda não tinha verificado a veracidade dela. Pois bem, verifiquei-a e, de fato, isso ocorre.
Nos e-mails que recebi, ainda havia a informação de que a nova eleição, após a anulação da primeira, deveria ocorrer com novos candidatos, diferentes dos que integravam a primeira. Essa informação não foi ratificada por mim. Pode ser que algum de vocês consiga me ajudar.
De qualquer forma, só o fato de anular uma eleição por mais de metade dos votos nulos, já demonstra a insatisfação do povo com os candidatos em tela e, portanto, deve impulsioná-los a novas propostas e atitudes, assim creio. Quando não a uma nova visão em relação a esse povo que já não se mostrará mais tão pacífico assim...
Diante disso, venho solicitar a vocês que visitem, reflitam e repassem a todos os seus amigos o link que do CMI - Centro de Mídia Independente Brasil, onde há a explicação clara da questão da anulação e sua fundamentação, com jurisprudência.
Talvez uma atitude desse porte possa dar início a alguma ação nesse país, ao invés de só palavras...
Obrigada,
Beatriz Oliveira


http://www.midiaindependente.org/pt/red/2006/09/359874.shtml

terça-feira, 13 de julho de 2010

AMOR X MEDO Beatriz Oliveira


... Imaginou-se atravessando desertos secos e montanhas íngremes,

Vales expostos e cheios de predadores ferozes,

Correndo, lutando, gritando, ferido...

...Imaginou-se faminto, arrastando-se, implorando, sem voz...

Imaginou-se sem forças para abrir os olhos, de dor, de ardor.

Imaginou tanto e tanto temeu,

Que morreu sem conhecer sentimento...

Morreu sem viver...

domingo, 4 de julho de 2010

CÂNTICO NEGRO - JOSÉ RÉGIO



"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Suas Mentiras, Minhas verdades – título provisório


Se você tivesse deixado eu me aproximar

Teria gostado do meu senso de humor.

Nós poderíamos conversar

E eu o faria entender...

Nós poderíamos rir juntos e fazer coisas

Que talvez você nem imagine,

Coisas que não se aprendem no colegial.

Nós poderíamos cantar e dançar,

E brincar como crianças num quintal.

Se você tivesse me ouvido e me seguido..

Se você tivesse deixado eu lhe tocar

Teria gostado do meu calor.

Nós poderíamos nos amar

E eu o faria crescer.

Nós poderíamos delirar juntos e voar...

Mas aqui embaixo tudo de repente morreu,

O céu azul desabou, descoloriu,

As águas invadiram a minha casa,

Tudo porque você me cortou a asa...

O tempo perdeu todos os minutos e as horas passam

Como passam os insetos sobre a terra seca,

As letras do meu poema enlouqueceram

E despertaram frívolas como o olhar de uma boneca.

Que morra tudo e chore o mundo todo

Pois esta manhã a solidão se casou comigo

Depois de uma noite inteira de amor e denodo

E você nunca estará aqui pra ser o meu abrigo.

Se você tivesse aberto os olhos e erguido o véu,

Eu lhe mostraria que o mundo mente pra você

Que a santidade é uma mentira e deus sou Eu.

Que eu seria capaz de lhe amar tanto e dar-lhe o céu

Se você dissesse sim e amanhecesse um dia ao meu lado...

Se você tivesse deixado eu lhe tocar

Teria gostado do meu calor.

Nós poderíamos nos amar

E eu o faria crescer.

Nós poderíamos delirar juntos e voar...

Mas aqui embaixo tudo de repente morreu,

O céu azul desabou, descoloriu,

As águas invadiram a minha casa,

Tudo porque você me cortou a asa...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CAMINHOS SEPARADOS - Beatriz Oliveira


Meu bem, eu errei em considerar você

Pra ser o meu novo amor.

Eu quase mudei o sentimento de lugar.

Eu pensei que você valeria a pena.

Seu olhar é tão brilhante e seu beijo tão doce...

Mas você preferiu me julgar.


Eu também sou humana. Te falta sensatez.

Fantasias não correspondem à realidade.

Você nunca viajou? Nunca disse algo que não fez?

Eu tentei conversar e você achou tolice.

Eu ia explicar e ia perdoar o seu crime,

Aquele que você fez e não disse.


É muito fácil virar as costas e não resolver nada,

Simplesmente sair andando

E manter os caminhos separados.

Fazer de conta que não aconteceu nada,

Que o coração não está nem ligando

E continuar mantendo os caminhos separados.


Eu juro que ia fazer o meu melhor,

Mas você achou bom manter os caminhos separados.

E eu acho melhor assim.

Já que você não entende a natureza humana:

Que os caminhos sigam separados.

De novo, de novo e mais uma vez,

Novos caminhos separados...

terça-feira, 15 de junho de 2010

LETRAS - EL BICHO


El Bicho é um grupo musical espanhol que combina a fusão do flamenco com rumba, tango e bulerias, com dicas de jazz, rock, ritmos Africanos e do Magrebe” - Google -, ou seja uma deliciosa loucura rs rs rs.
Sou apaixonada por esses caras. A música deles me enleva. A minha raiz espanhola grita quando Miguel Campelo canta e meu corpo arrepia inteiro.
Mas uma notícia me deixou pensativa, na razão de ser das coisas, mais uma vez, na questão do que se faz ao que é bom e do valor que se dá ao que não é bom nessa nossa cultura ou falta dela: o grupo vai parar. Não deram motivo. Só disseram que precisam de um tempo e que talvez algum dia voltem a se reunir.
Fica uma tristeza profunda em mim e a certeza, ainda maior, de que a cultura e a beleza das artes está mesmo a ir para o esgoto.
Com as minhas lágrimas, uma sincera homenagem a El Bicho.


domingo, 6 de junho de 2010

Mais de Mim (Beatriz Oliveira)



Fui adentrando a floresta escura e densa
Na fuga de mim mesma e à busca de outro eu.
Passei a vida sob os galhos, as sombras e copas,
Entre os espinheiros, lamaçais e tocas.
Fiz-me companheira das feras e dos répteis
E aprendi o silêncio do medo.
(A floresta escura dá medo!)
Caminhando sempre, para não parar,
Fui chegando a uma clareira aberta
E meus olhos quase cegaram sob a luz.
Ao olhar para o chão pude perceber flores ao redor,
Um campo imenso de flores coloridas, limpas, claras...
Borboletas, não falenas, cercavam-me como fosse eu flor
E o toque de suas asas me eriçava os pelos e os pensamentos.
Ao olhar para cima, pude ver o céu dourado e azul
E algo tocou a minha alma,
Que eu já julgava morta:
Uma águia, que eu, antes, só via nos galhos,
Voava na imensidão, na velocidade do vento,
E suas asas eram do tamanho do infinito.
(Seu grito ainda ecoa no meu peito!)
Naquele momento,
Notei-me no centro de um círculo de medo.
É preciso gritar! É preciso voar! Mas para onde?!
Todos os caminhos vão dar na floresta...
Fui adentrando a floresta escura e densa
Na fuga do outro eu, à busca de mim mesma: a águia.
Vou atravessar os galhos, as sombras e as copas,
Entre espinheiros, lamaçais e tocas.
Far-me-ei companheira das feras e dos répteis
E farei silêncio.
Não por medo. Por certeza:
Eu vou voar!!!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sinto Muito (Beatriz Oliveira)

Sinto muito, querido, mas devo dizer,

Meu amor em nada precisou da tua contribuição.

Fez-se, traduziu-se, em si aflorou...

Foi somente meu o momento da sua criação!

Não queiras para si tomá-lo,

Como fosses soberano da tua vida e da minha.

Toma somente vinho, (e no gargalo!)

A fim de embriagar-te e entornares teu ser...

É o que eu gostaria imensamente de ver...

Tu, descendo do alto da tua impedância,

Escorrendo os vetores, vertiginosamente, na pele,

À busca de mim, no nada, na ânsia...

Mas tal é somente para um ser maior,

Um que, talvez, somente sejas quando, de fato, o fores,

Um que saiba ser, no anseio, o deleite e o desvanecimento.

Um que morra e viva de amor e de contentamento

E receba os doces, as mãos, os beijos, as flores...

Sinto muito, amor, mas devo dizer,

Tantas coisas são difíceis quando se é pequeno!

Não me queiras, então, dar o pouco qu’inda tens,

Não pretendo tirar-te, agora, teu cumeno.

Deixo-o a cargo da vida...

Tenciono, entretanto, responsabilizar-te, anjo,

Em nada precisou da tua contribuição o meu amor!

Ao contrário, a minha dor, tu a geraste

Com o teu silêncio e a tua indiferença.

E, por mais que eu queira, não há desejo que baste

Para evitar que se irrompa e deflagre a descrença

Nos sonhos de juventude e na paz de hoje em dia.

Jovem eu não serei jamais. O tempo passou, enfim.

E, paz não haverá um só instante,

Enquanto eu não te der o que há de melhor em mim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De coisas que ainda não são... (Beatriz Oliveira)

Sinto saudade do teu sorriso mais franco,
Das tuas mãos me escorrendo mãos e dedos,
Do ar fluindo quente.
Sinto saudade do teu desejo estampado,
O que eu queria ver e tu não me mostraste,
Deixando-me candente.
Sinto saudade de todas as caminhadas
Que nós ainda não fizemos de mãos dadas
Em direção ao leste.
Sinto saudade dos nossos abraços ternos,
Dos olhares profundos, dos beijos suaves
Que ainda não me deste.

terça-feira, 11 de maio de 2010

CHORAR... (Beatriz Oliveira)



Se chorar te fizesse meu,
“Eu, eu, eu” tu gritarias quando eu chorasse,
E as nossas almas voariam plenas,
Como se um coro de arcanjos no céu cantasse.
Se prantear meu te tornasse,
Esta noite tu adentrarias a janela,
Junto ao raio alvo de lua,
E me amaria com a pureza de um arcanjo
E me tornaria tua, somente tua.
Mas chorar não te traz a mim...
Por isso continuo a chorar, assim...

domingo, 25 de abril de 2010

NA CAMISA (Beatriz Oliveira)


Há uma camisa de força apertando meu peito.

Enrola-me os braços, as mãos, os dedos,

Prende-me o pescoço, o queixo, a boca.

Somente meus olhos podem falar por mim.

Ando por aí, presa, clamando com os olhos,

Pelo ar que já não existe à minha volta.

Por mais que tente, eu não posso respirar.

Minha agonia é tomada por torpeza,

Pretensão e loucura e ninguém vê

Que é verdade: sua ausência é a camisa.

Quero despir-me e andar nua de ausências,

Nua de solidão, de tristeza, nua de insônia...

Quero vestir sua camisa de malha azul clara

E andar pela casa, com os braços soltos,

Com os seios soltos, prontos para a sua boca.

Quero respirar leve, livre e adormecer de cansaço

Depois de suar na camisa.


Eu só preciso que você desate o nó, nas minhas costas...

terça-feira, 20 de abril de 2010

MENOS MAL (Beatriz Oliveira)

Se você me perguntasse o que eu sinto,
Não saberia dizer...
Sinto uma paixão tão intensa
Que tremo ao ouvir seu nome,
Ao olhar seu rosto, ao sentir seu cheiro.
Seu suor me é aprazível
Como o é o mar aos peixes. Vital.
Não há como não tocá-lo quando sua.
'Inda me controlo veementemente para não lambê-lo.
Sinto um amor tão terno
Que acho lindo o sorriso mais simples
E nele vejo a estrela mais bela do céu
E o céu da minha boca anseia tê-la.
Não há como não salivar quando sorri.
'Inda me controlo consideravelmente para não beijá-lo.
Sinto um desejo tão intenso
Que meu corpo arde em suas mãos. E travo!
E continuo ardendo por horas a fio
Enquanto seu beijo esfria em meu rosto.
Tento fantasiar uma noite de amor,
Mas você é meu anjo e não consigo senti-lo em mim.
Chego a pensar que é realmente um anjo.
Será pecado o que sinto e penso?
Eu não saberia dizer
Mas, se você me perguntasse o que eu sinto,
Acho que eu me sentiria menos mal...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Faça-me o favor! (Beatriz Oliveira)

Não!

Um abraço só não basta!

Tenho desejo de envolvê-lo inteiro,

Num carinho terno e contínuo,

Enquanto beijo seu rosto, seus olhos, seus lábios...

Não, não basta somente um abraço!

Desejo beijá-lo docemente,

Primeiro o rosto, depois o dorso,

Depois o resto, sem pudor algum,

Sem nenhum limite,

Enquanto sinto crescer sua “dorprazer”

E explodir sua vida inteira em mim.

Não. Definitivamente,

Um abraço só não basta!

Um beijo deve ser dado.

Um beijo bem viajado, molhado,

Pra valorizar meu calor.

É o mínimo, menino.

O mínimo!

Por favor!

segunda-feira, 15 de março de 2010

A VOZ DO DESTINO (Beatriz Oliveira)


Sentada, olhando ao longe,

Confundo teu balanço com as ondas.

O mar dessa cidade te anuncia.

Som, sol, juventude, alegria.

Teu sorriso é a melhor coisa desse lugar.

Às vezes, caminho procurando te encontrar,

Mas o destino manda que te escondas.

Ando sonhando com a tua luz.

E é bom, pois ando iluminada.

E tudo que eu desejo é que vejas a minha luz.

Mas esse não é meu tempo, nem meu lugar,

E o destino manda que eu me esconda...

terça-feira, 9 de março de 2010

ESTRATAGEMA (Beatriz Oliveira)


Pensa no meu poema como a implicação de um teorema,

Sobre o qual me debato e desespero na ânsia louca de provar.

Por isso, escrevo coisas que desejo, sonho e almejo,

Coisas que penso incessante e ardentemente um dia alcançar.

Penso em beijar tuas gemas. Esmeraldas claras.

Beijá-las tanto e tão docemente, que teus lábios ardentes

Tremam por esperar um beijo doce da minha boca rara

E tuas mãos tateiem o ar a busca de algo inexprimível.

Penso no meu poema como um pequeno estratagema,

Um modo de mostrar-me, dizer-me, desnudar-me,

Por isso, escrevo o que penso, sinto e vejo,

Com o intento de que vejas além do que olhas, a olho nu.

Com o intento de que queiras ver o meu corpo nu.

National Geographic POD