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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

QUERO LEMBRAR DO AMOR - Beatriz Oliveira



Ouvi de um homem de 46 anos, culto, profissional, mas que nunca coabitou com ninguém, por opção, que para fazer um homem feliz é muito simples, basta a mulher fazer uma comida gostosa, ter mãos ágeis para lavar, passar e arrumar a casa, inteligência para utilizar no âmbito do trabalho, deitar na cama e manter a boca fechada.


Primeiro, achei que ele estava brincando. Quando percebi que não, achei que fosse um meu delírio. Mas não! Ele continuava sustentando a patifaria. fazer o quê? Calei-me diante de tamanha temerosidade e, para meu maior desespero, comecei a pensar... Será que todos os homens pensam assim? Ou a sua grande maioria? E não dizem, não expressam a sua opinião para não serem tratados por otários?
Será que a independência feminina choca e incomoda tanto ainda, a ponto de o homem ter medo de investir numa relação com uma mulher independente?

Diante da minha dificuldade em encontrar parceiros sérios, estou achando que o meu amigo tem muitos e muitos seguidores. Porque eu tenho muitas dessas qualidades, mas a maior delas vai ficar pra depois - o silêncio. Se eu vejo algo que não concordo, eu falo. Se vejo algo que não vai dar certo, eu falo. Se tem algo me incomodando, eu falo, oras! Ninguém vai me fazer de capacho! Porque eu sou uma mulher! Se eu quisesse ser tapete, entraria na máquina de fios de poliuretano.

O que as pessoas precisam definitivamente entender é que antigamente, as relações se baseavam nos interesses das famílias, do dinheiro, da fazenda, do gado, do café, depois dos casarões, da política... A mulher de antigamente saía da casa dos pais para obter liberdade, um pouco de cultura, acesso ao mundo e à sociedade, uma vida mais digna e dinheiro. E independentemente de qualquer coisa, a mulher era sempre um objeto de troca.

Hoje, a mulher decide que troca vai fazer e pelo quê, em conjunto com o homem, isso põe termo à relação de interesses anteriormente pretendida. Uma mulher pós-graduada, bem empregada, com casa própria, filho saudável na escola e empregada diária, uma mulher da atualidade que tenha tudo isso, sem precisar se casar vai precisar de um homem pra quê? A resposta é muito simples e óbvia demais! Para amar e receber amor e somente para isso.

Por isso, parafraseando Sergio Britto e Torquato Neto, "Só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder!"
Aproveitando o ensejo das músicas, eu evoco um verso de Wagner Moura pra explicar minha solitude: "A vida é mesmo solitária pra quem não tá a fim de qualquer conversa otária" Quer saber? Estou mesmo entendiada com alguns papinhos que eu já sei aonde vão terminar.

Diante do conhecimento da causa, a única coisa que poderá me salvar (sem ser o Chapolin Colorado) é me apaixonar por alguém. Alguém que não queira me mostrar o seu bíceps, nem o seu tanquinho, nem o seu nike novo, nem que o seu carro tem sensor de cansaço, nem que ele é poliglota, etc

Quero alguém que queira me mostrar o seu coração e ver o meu, mesmo que isso implique em eu ter que falar pra caramba às vezes (isso é científico - a mulher fala mais que o homem, oras). Alguém que me apresente à sua família, dizendo: esse é o meu amor! Alguém que curta ir ao cinema comigo e minha filha. Alguém que faça academia comigo pra eu perder os quilinhos extras, só por companhia. E que durma bem agarradinho comigo quando nós estivermos cansados.

Infelizmente, as pessoas hoje vivem procurando agregar coisas materiais, cada vez mais e mais a si e aos seus, e reclamam que vivem relações superficiais e interessadas, sem perceber que o que falta nessas relações é uma coisa básica, simples, barata e todo mundo tem pra dar: AMOR.

O amor aprofunda as relações e faz as pessoas felizes. Quem ama respeita a necessidade de silêncio do outro, e também os seus momentos de falar pra caramba. Com amor pode tudo! O amor é assim! Mas a gente esqueceu...
Infelizmente, a gente esqueceu.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

HEI DE... HÁS DE (Beatriz Oliveira)



Sobre a relva fresca caminham pés descalços à busca dos teus traços, tua linha de contorno, teus passos...
Dançam minhas pernas ao derredor, na praça, como desvairadas traças roendo o alvo morim.
Minhas mãos tateiam fugazes, mexendo nas moitas, nas flores e espinhos. Haverá teus sinais?
Meu olhar vagueia cansado, molhado de sal, vermelho do tempo, procura em cada grão de areia e não estás.
Passaste, noutro tempo, reluzindo estrelas pela boca e pisando os girassóis com longos passos.
Passaste ligeiro e nem me percebeste o encantamento.
Sou, sim, uma dama encantada que caminha de pés nus, dança, tateia as flores e vagueia o olhar molhado, enquanto luta por trazer a mente e os pés à terra.
Hei, ainda, de plantar-me, nua de escárnios e feridas, lépida e coberta de mel, sem nada buscar, somente tendo as mãos abertas a amparar o que vier.
Venha perfume e sol e eu exultarei!
Venha tristeza e lua e eu hei de ser perfume e sol... Sou assim eu.
Hás de reluzir de novo pela boca estrelas e pisar de novo os girassóis. És assim tu.
Hei de te esperar!
Hás de me encontrar!!!

domingo, 27 de novembro de 2011

BELEZAS (Beatriz Oliveira)


Por que algumas pessoas são tão lindas sendo apenas normais?
Analisando-se fria e plasticamente, são pessoas comuns, com algum pouco atrativo e, às vezes, nenhum.
Caso em que me assusta.
E mesmo assim, tão comuns, sem adornos carnais excessivos, sem simetria marcada no rosto e nem olhos azuis ou verdes, algumas pessoas são tão lindas!
Tão impulsiva e descaradamente lindas que me levam a pensar na efetiva superficialidade da aparência associada à profundidade do pensamento inoculador; na seriedade das falsas relações humanas atuais.
Quais são as razões únicas que fazem de cada ser humano um ser especial capaz de ser amado verdadeiramente, pela sua beleza ou pelo seu conteúdo?
Por que algumas pessoas com tanto conteúdo são amadas como pessoas tão normais, quando não o são?
Conteúdo não se perde, não se complica, não se destrói, não se deteriora, conteúdo se renova, evolui.
Não é fácil amar conteúdo, quando se está acostumado a amar superfície.
Simetria, azul e harmonia distraem os sentidos e o pensamento se liberta de pensar.
A folha que boia ama a folha que boia.
A pedra que afunda ama a pedra que afunda.
Por isso, eu acho tão belas algumas pessoas que são apenas normais.
Pessoas que têm beleza assimétrica, divergente, inarmonica, para que eu possa gastar do meu tempo em analisá-las, envolvendo-me, conhecendo-a em cada imperfeição, enquanto ouço a verdadeira beleza de seus lábios, mente e coração.
A beleza toma todo o seu olhar e você não vê mais nada além dela.
O pensamento faz que você veja luz, harmonia, inteligência, amor e, com ele, a beleza que não cessa.
Por que algumas pessoas são tão lindas sendo apenas normais?
Porque elas trazem dentro de si o seu EU desperto, forte, seu deus.
E ai de quem não puder lhe dizer não! Será sim, um seu escravo.
Não da carne, mas do seu espírito, enquanto viverem.

DELÍRIOS DO STILNOX (Beatriz Oliveira)


Eu me sento no sofá vermelho e macio, pensando, já, em refestelar-me. Mas ainda não me é possível, pois tenho o prato de sopa nas mãos equilibrado. Vou sorvendo o creme espesso, com sabor de frango e pequenos filetes de salsa e fiapos de carne da ave. É bem saborosa e aquece o corpo. Sim. Eu estou com frio. Tenho os pés frios e as unhas das mãos levemente arroxeadas pela baixa temperatura, mas simplesmente não tenho coragem de largar o prato, levantar-me, seguir até o quaro, abrir três ou quatro gavetas até encontrar o pijama longo e meias, vestir-me, equilibrar a minha temperatura interna, por conta do tecido frio do pijama, voltar para o sofá, sentar, equilibrando o prato com sopa, colocar novamente o guardanapo ao alcance e recomeçar o ato de sorver.
Essa quebra na rotina simples seria uma bobagem, para alguns, entretanto, para mim significaria abdicar de um momento íntimo de relação comigo mesma, em que eu me equilibro e lido com o meu medo-desejo em relação ao alimento. Esse momento de identificação precisa ser clarificado na mente como um processo de autoconhecimento e libertação. Eu reconheço que sou prisioneira do calor da minha sopa. Mais do que do frio do tempo. Se fosse um sanduíche, eu levantaria. Um qualquer outro prato, eu levantaria. Exceto risoto de funghi. Tudo aclarado, pode-se dizer que, após a sopa quente, no meu sofá vermelho macio, o meu corpo foi-se largando, como se ali fosse ficar para sempre. E eu pude imaginar… Sem ética, educação, sociedade…
Ali eu ficaria. Esparramada no sofá, o prato no chão. Deu sono. Deitei e dormi. Deu calor. Despi-me. Deu tesão. Satisfiz-me. Deu sede. Abri a boca e veio a água. Deu fome. Abri a boca e a comida veio. Liguei a TV, deitada mesmo. Assisti O Clone, El Secreto De Tus Ojos, Inception, The Fountain. Chorei. Desejei justiça. Chorei. Desejei conhecimento. Chorei. Li As Intermitências da Morte, O Ensaio sobre a Cegueira, Clarice na Cabeceira. Gargalhei e chorei. Chorei. Chorei demais da conta! Desejei não pensar, dormi. Dormi muito mesmo! Três dias, seis dias, nove dias! Mas sonhei meu EU. Chorei. O que leva certas pessoas a serem ativas e outras extáticas? O que leva alguém mesmo extático a pensar, como se ativo fosse? A mente e o corpo se entorpecem, mas há uma parte de mim… Há uma parte que teima em emergir e, quanto mais empurrada para o fundo, mais ela impulsiona, no fundo, os pés com o intuito de elevar-se além da superfície.
Não há sonífero bastante! Ha ha ha! Não há entorpecente que segure o que eu sou! Na verdade, penso que o veneno me detona. Paralisa meu corpo e meu estado mental crítico, deixando-me a sós comigo mesma. Isso, embora seja extremamente perigoso, é também, por demais excitante. Pequeníssimas ondas, quase imperceptíveis de choque levíssimo, vão percorrendo minha nuca, minha lombar e meu púbis, como se houvesse pequenas borboletas agitando com velocidade inimaginável as suas finíssimas asas nessas partes do meu corpo.
Penso em tocar-me e sentir aumentadas as ondas, mas os meus olhos estão pesados.
O sonífero é bastante!
O sonífero é bastante.
O sonífero…

DO PRAZER MANIPULADO - Beatriz Oliveira




O prazer é uma linha de ouro bordada no tecido da falta de motivo.

- Por quê? Por quê eu deveria me dar ao trabalho de fazer tal coisa?

- Porque é o prazer. É muito bom e não se desperdiçam delícias nesse mundo de

pobreza e falta de ética.

- Borda o prazer e se enrola no tecido da falta de motivo, se enrola, enquanto ele

pode te cobrir até os tornozelos.

Pois haverá tempo em que o tecido da falta de motivo bordado com a linha de ouro

do prazer somente será capaz de te cobrir o sexo.

Ah, o desdém.

Ai, de Adão e Eva modernizados.

Ai, ai...

BISCOITO FINO - Beatriz Oliveira



O meu olfato segue às ordens de um general maldito.

Tal como todos os lassos, raramente me desperta.

No entanto, ao despertar, envolve-me, pegando os braços,

Pernas, rompendo-me o livor e inebriando-me de odores,

Enleando-me, aos seios, com sentimentos crassos.

Uma vez, assim, envolvida, minha pele toma vida e cria.

Pela pele tudo posso!

Qualquer coisa que passar por mim, é com todo o corpo que eu cheiro e sinto.

De uma árvore eu sinto o musgo fresco e ácido, a umidade através dos poros,

O gosto verde, através do cheiro.

Do mar eu sinto o sal, a cura, o frio, através dos poros,

A solidão do mar, através do cheiro molhado.

Do rapaz moreno eu sinto o sabonete, a proposta e a invasão,

Enquanto minha pele é agredida por minúsculos soldados nus.

Os soldadinhos me invadem a carne com pequeníssimas bombas de perfume

E eu fico totalmente inebriada.

O perfume tornou-se, agora, uma capa de filme plástico, daquelas que cobrem tudo

E ele me cobre toda, da cabeça aos pés, deixando por último o nariz
,
Onde vai entrando agora lentamente, como o meu último sopro de vida,

Entorpecendo-me e me transtornando, ando já perdendo o ar!

Esgazeando, com a boca aberta, imploro por salvamento, quiçá um beijo.

Mas o rapaz é só um passageiro e se mantém no seu papel.

Quero controlar o olfato, desligar o pensamento,

Mas o general não permite!

Passa o vento e o perfume vem. Malditos soldadinhos infames!

Fecho os olhos de prazer. Será isso o prazer completo?

Amar alguém enquanto se é perdido por um odor tão espetacularmente envolvente?

Perder-se em delírio saboreando um delicioso biscoito fino

Feito de olhares, toques e odores de pele de menino?

sábado, 8 de outubro de 2011

ALMA PIRATA (BEATRIZ OLIVEIRA)

Já chega a noite atribulada
Quando os desejos sombrios me povoam a alma
Feito piratas confiscando embarcações,
Navios empilhados de ouro, bauxita, armas brancas,
Armas negras, igualmente poderosas.
Piratas invadindo um Iate Real, ordeiro
E transformando-o numa embarcação nefasta!
Onde a primeira regra é seguir às ordens da capitã e
A segunda regra é que não há mais regra alguma,
Na busca incessante pelo hedonismo racional.
Hedonismo racional? Hão de perguntar!
Que piratas mais loucos! Hão de dizer!
E eu direi que o hedonismo sem a razão
É um cavalo potencial na raia sem seu jóquei.
O prazer é algo irrefreável sem o conhecimento.
Por isso os piratas lutam sempre, sempre...
Alguns pelo amor, alguns pelo entendimento.
Luta vil, mormente quando se pretendia dormir
E se é tomado pelo sombrio gosto do temor.
Um temor de delícias, que quem as teme?
Às vezes, eu, sim, as temo, que se começo
Já me perco, ensimesmada, e não sei como parar.
Um temor de análises, que todos temem
E só eu pareço não temê-las o bastante e arriscar
Meu papo flácido sob o aço frio e cortante,
Minha cabeça numa bandeja de prata,
Durante um jantar no navio, regado a lenços de voile.
Beleza, juventude, vida e sangue quente
Num corpo separado de sua preciosa cabeça.
Preciosa cabeça sem valor e serventia
Para essa vida onde nada tem controle, nem destino.
Assim. Assim, tornado homem decapitado,
Sem olhos, nariz e ouvidos voltados para fora,
Consigo me perceber melhor.
Posso ver minhas dores e não as dos outros;
As minhas preocupações; as dívidas da minha família,
E não as do resto do país.
Posso ver como tenho sido egoísta comigo mesmo,
Privando-me da companhia e do amor familiar,
Em prol do capital, intelectual, do status.
Como tenho sido tolo tendo porque todos têm;
Fazendo porque todos fazem;
Comendo porque todos comem;
Fumando porque todos fumam e
Dormindo só, pois todos vão embora em algum momento
E fico só eu, comigo, e com tudo o que eu fiz.
Há um momento em que a cabeça na bandeja pulula.
Mas eu não sou mais o seu lugar.
É hora de fatiar o suculento prato principal
E se acostumar com a lembrança de um levíssimo sabor.
Lábios hedonistas hão de saborear miolos truculentos
E lhes parecerão carne mal passada de polvo que não quis a morte,
Mas morreu assim mesmo, eis que nessa hora não se discute.
Hão de saborear o gosto de uma vida nova, agridoce,
Em que jogaram fora antigos conceitos arraigados
E se trouxeram novos em substituição.
Há que haver alguma mudança! Uma reação!
Uma ventania há de passar e enfunar as velas!
Eu hei de gritar aos quatro cantos da terra:
VENTO! - VENTO! -VENTO! - VENTO!
Vêm ao meu auxilio Cronos e Eólo,
Afastando todo o julgamento e o passado.
Nesta manhã desconcertada, despertarei sincera
Limpa, cheia de mim mesma, de tempo e de vida.
Porque se vencer demanda imprecisão,
Ética, mas acima de tudo, coragem de olhar para si.
Eu me olhei e me vi sem cabeça.
Ouso dizer que sou mais bela assim.
Mula sem cabeça de crina longa e loura,
Prontinha pra ser feliz como Deus quiser.
E a cabeça da bandeja?
Ah, essa vai balançando doida ao som do meu tchi ki bum bum.

domingo, 2 de outubro de 2011

A NATUREZA (Beatriz Oliveira)

 
 

Quando as pessoas dizem que a natureza é perfeita, eu concordo, porque se eu discordasse teria que provar a minha teoria e isso seria complicado. Bem, é mais fácil perceber a perfeição natural do que a imperfeição antinatural, porque o normal é ser perfeito e quem não crê na perfeição não é normal, porque a normalidade faz parte de um meticuloso processo ético realizado por pessoas antiéticas, que são loucas, mas juram que são normais e, como os loucos têm um poder de contundência esplendoroso, a gente acaba acreditando que eles são normais e que louco é a gente. Você entendeu? Se entendeu me explica, porque eu fiquei meio perdida! Deixando isso de lado e valorizando a perfeição da natureza… Se você acordar de manhã, fizer xixi, tomar café, escovar os dentes e for trabalhar, as pessoas vão achar que você é normal, sem saberem o que você realmente fez à noite… Por outro lado, se você não escovar os dentes, não fale perto de mim, pois eu vou achar que você é um porco! Se você vai trabalhar, volta à noite, cansado, toma banho, janta e vai dormir, sem dar nem um beijinho na sua mulher, eu vou achar que ela deve trocar de marido, porque você não “tá com nada”. Por outro lado, se você vai trabalhar, volta à noite tinindo, toma banho, janta e vai agarrar a sua mulher, eu vou achar que ela deve correr de você, porque, depois de um dia de trabalho só um tarado teria tanta disposição (a não ser que ela seja ninfomaníaca). Se você faz certas coisas mecanicamente, não vai perceber o que dizem as entrelinhas da vida. Por exemplo, se você é médico e sai pra trabalhar e tropeça numa pedra que há na porta da sua garagem e cai de bunda naquela poça de lama que VOCÊ fez ontem, quando lavou o carro, olha quanta coisa VOCÊ fez de errado: primeiro, você é médico. Se você fosse advogado, talvez desse pra você trabalhar com a bunda suja, porque o cinza do terno disfarçaria a cor da lama; segundo, você lavou o seu carro na SUA garagem. Se você tivesse aproveitado quando o vizinho saiu para fazer compras e tivesse lavado o carro na garagem dele, a poça estaria lá e não aqui; terceiro, você não levou adiante aquele cursinho de MIND POWER que a Dona Zuleica ministrava no interior da sua cidade natal, há vinte anos atrás. Se você tivesse terminado, hoje já seria adivinho e desviaria da pedra antes do acidente. Veja só, outro exemplo, você vive reclamando que não agüenta mais trabalhar e que a praga da sua mulher não te deixa descansar no fim de semana. Aí, quando chove, você quer brigar com São Pedro. Vê se pode? Só porque não vai poder ir ao futebol com aquele bermudão de tactel que a sua secretária te deu no seu aniversário?! Mas, por outro lado, você não percebeu que o quintal já tá lavadinho e você só vai ter que lavar a louça depois do almoço. Mas se você for um pouco esperto, vai usar aquela BOSCH que a sua sogra te deu no natal e vai fazer uma goteira bem em cima da pia da cozinha. Sabe, acho que é verdade quando dizem que a natureza é perfeita! 
A gente é que não sabe viver…!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

LÁGRIMAS OCULTAS - Florbela Espanca




Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!


E fico, pensativa, olhando o vago...
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...


E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

ZOUK - Bruno Maia e Beatriz Oliveira

Há mais ou menos dois anos atrás, uma dança espetacular ganhou meu coração.
Ela melhorou o meu corpo e a minha mente e me libertou.
Hoje é o meu passatempo predileto e oxalá nunca eu tenha que deixá-lo.
Comecei estudando com o professor Daniel Nunes,
que muito me apoiou, numa fase extremamente difícil.
Depois passei um tempo com o professor Léo Motta e
agora estou bebendo um pouco do conhecimento extraordinário do professor Bruno Maia.
O vídeo não tem uma boa qualidade, pois foi gravado do celular,
mas possibilita ver um pouquinho do que me faz feliz duas vezes por semana.
Eu recomendo dança a todos.
E pra quem está em Niterói: Studio Dança e Cia, Rua da Conceição, 181, Centro.
Exatamente em frente ao Niterói Shopping.
Eu estou lá!


video

domingo, 21 de agosto de 2011

??????? (Beatriz Oliveira)



Pra quê ter certeza?
A dúvida é o combustível da mente
e o detonador da busca à felicidade!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Friedrich Nietzsche


Sim, sei de onde venho!
Insatisfeito com a labareda, ardo para me consumir!

Aquilo em que toco torna-se luz.
Carvão aquilo que abandono.
Sou certamente labareda!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

HOMENS SEXIES (Beatriz Oliveira)

Há homens tão sexies que me deixam muda. Do contrário, eu falaria coisas de que tenho vontade. Coisas que penso a seu respeito e que talvez os aterrasse.
Eu gostaria de dizer a um só desses homens o que sinto.
Gostaria de dizer-lhe que o seu olhar me desnuda, que o seu toque me arrepia a alma, que o seu fôlego me faz desfalecer, que o seu sorriso me envolve e me perco, que a sua voz me molha e, a despeito disso, mantenho um sorriso frio e cínico, enquanto digo: “tenha um bom dia de trabalho.”

Homens sexies deveriam ser telepatas. Então para só um desses homens eu pensaria; “beija-me!” e ele me beijaria. Porque é sexy obedecer!
Entretanto, viria com ares de general e me tomaria com força, pela nuca, num arroubo, com loucura. Porque é sexy ser macho assim!
Apesar dos meus desejos, caminho, em direção à saída, tentando não apertar tanto os lábios molhados entre as coxas, enquanto solto um suspiro contido.Homens sexies deveriam ter visão de raio-X. Então para só um desses homens eu caminharia à vontade, deixando os fluidos umedecerem tudo. E ele me alcançaria, sedento, amparando minh’água com as mãos, com o céu... Porque é sexy ter sede assim!
Mas eu não posso dizer o que penso!
Então fecho a porta de saída e deixo um rastro de incompreensão e hipocrisia...

terça-feira, 14 de junho de 2011

FIAT LUX (Beatriz Oliveira)



Fiat Lux!
E a luz se fez.
E a incidência da luz sobre as coisas materiais então criadas, gerou sombra.
E é assim que, desde então, nunca,
no mundo material, se separa luz e sombra.

Quem tem ouvidos de ouvir que ouça!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

NIETZSCHE



...Uma coisa sou eu, outra são meus escritos

sábado, 21 de maio de 2011

A ÁRVORE DA SERRA (Augusto dos Anjos)

- As árvores, meu filho, não têm alma!

esta árvore me serve de empecilho…

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…

Esta árvore, meu pai, possui minha alma!…

- Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:

“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”

E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!


Assim como eu, muitos podem pensar que o belíssimo poema acima se refere a preocupação ambiental e sustentabilidade no planeta. Assim pensando eu, amei-o quando o li na exposição literária Palavra e Imagem, no Centro Cultural Rio de Janeiro dos Correios.

Procurando o texto para reler, em casa, descobri que, na realidade, o texto se refere a outra coisa...

O pai de Augusto dos Anjos teria engravidado uma sua empregada e tomou a decisão de obrigá-la a fazer um aborto. Quando Augusto soube da decisão do pai, escreveu o poema acima.

Amei-o ainda mais!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

HIDROCEFALIA (Beatriz Oliveira)


Tenho pensado acerca dos meus excessos, meus líquidos...

E acabei chegando à conclusão de que o meu corpo não tem absorvido bem as lágrimas que tenho me negado a derramar, por uma “força” que teimei construir com o que chamam de maturidade.

Sempre evito reclamar das minhas mazelas e estou ininterruptamente sorrindo, apesar dos problemas que a vida me apresenta, o que faz os outros pensarem que eu sou uma pessoa altamente positiva e feliz.

Não me considero infeliz, que isso fique bem claro! Mas sou uma pessoa comum, com momentos de alegria e dor. Entretanto, que não se dá o direito de estragar o dia das pessoas ao seu redor com mau humor.

Há pouco tempo, pois, encontrei-me numa situação tragicômica: só, em meu apartamento, na madrugada, deitada em minha cama, com uma baita solidão, uma puta vontade de chorar e... Segurando o choro.

Pasmada, percebi o quanto essa coisa de positivismo me deixou doente! Eu tenho, durante muito tempo, me tirado o direito de me sentir triste porque a gente deve se sentir alegre sempre, dizem.

Há tempos, tenho dificuldade de derramar lágrimas. Preciso lançar mão de filmes tristes para alcançar o meu intento, quando muito necessito.

Passei, então, a elucubrar acerca da minha turva visão.

Meu cérebro tem produzido mais líquido do que o normal e a minha medula já não suporta mais a quantidade, não tem para onde enviá-lo e ele tem ido para os meus olhos. A minha visão está cada vez mais comprometida, mais embaçada, e eu sinto, amiúde, como se enxergasse através de um vidro úmido.

Frequentemente, é necessário abrir e fechar os olhos repetidas vezes, como que para espalhar as gotículas, para que seja possível enxergar um pouquinho melhor, mas a melhora não dura mais que algumas frações de segundo.

Lembro-me que, aos onze anos, quando ganhei minha primeira bicicleta tive vontade de gritar de alegria, mas não gritei, só agradeci, com educação. A educação que meus pais me ensinaram. E que na semana passada, quando bati o dedo do pé na mesa do trabalho, tirando um pedacinho dele, tive vontade de xingar e chorar, mas não fiz isso. Coloquei a mão na boca, fiquei vermelha e disse, com calma, que bati o dedo, enquanto ele sangrava.

Essa coisa me acompanha desde há muito tempo! Não sei quanto...

Acho que preciso voltar a ser criança... Mas não sei que criança. Não lembro quando fui uma criança capaz de gritar e chorar minhas dores e penso que elas foram-se acumulando no meu cérebro em forma de emoções líquidas que agora não têm mais para onde escoar.

E agora? Onde encontrar a idade ideal? Onde encontrar as lágrimas que teimam em não brotar? Aquelas que uma vez escravizadas não aprendem a se libertar. Aquelas de quem Saramago diz: "... então, já não chorava, mas os seus olhos nunca mais voltarão a estar secos, que esse é o choro que não tem remédio, aquele lume contínuo que queima as lágrimas antes que elas possam surgir e rolar pelas faces."...

domingo, 15 de maio de 2011

TIRO DE MISERICÓRDIA (Beatriz Oliveira)

Tudo bem a vida ser tão cara!

Tudo bem o governo não cuidar da segurança,

Do idoso, da criança,

E encher, com o meu dinheiro, a cueca imunda!

Tudo bem o salário ser pequeno,

A idéia ser pequena, o dinheiro ser contado

E os problemas escondidos atrás de um falso sorriso.

Tudo bem o mundo querer me transformar

Em uma Gisele ou Ivete qualquer,

Massificando-me com utopias de ser supermulher!

Tudo bem doer o corpo, a cabeça, a alma,

Engolir o café amargo e o amargo choro,

Perder a esperança, a fé, a calma...

Tudo bem ficar meses sem te ver!

Pensando em se eu ocupo um lugar na sua memória,

Se a minha voz envolve os seus neurônios,

Se eu fiz, de fato, parte da sua história.

Tudo bem um beijo seco e um sorriso frio...

Mas uma promessa quebrada é imperdoável!

Fez-se, em mim, de fato, um vazio palpável,

Quando seu corpo se negou a tocar o meu,

Tão sutilmente, aviltantemente, arredio.

Como se eu fosse uma cadela no cio,

De quem a distância traria paz.

Eu não queria muito mais que um toque...

Bastar-me-ia um abraço terno, de concórdia.

Quebrar a promessa, tão covardemente,

Foi, em meu amor, um tiro de misericórdia.

sábado, 30 de abril de 2011

CAPÍTULO IV DO ROMANCE DESENCONTROS (BEATRIZ OLIVEIRA)



_ Você aceita um copo de vinho?

_ Um copo?! – Motejou Heloísa. Ao que Vitor se enrubesceu.

_ Ah. Desculpe-me. Eu só estava brincando. Não quis te envergonhar. É que um homem sozinho em casa acaba nisso mesmo. Vinho se serve em taças. Mas confesso que eu prefiro tomá-lo no copo. Acho meio frescura essa coisa de talher pra isso, copo praquilo... Aliás...

Vitor interrompeu Heloísa com um beijo; doce e demorado. Ele era extremamente carinhoso, mas Heloísa estava surpresa. Durante todos esses meses ele nunca havia se insinuado, ou ela não havia percebido?!

_ Helô, será possível você nunca ter percebido o meu carinho por você? – E, antes que ela pudesse responder, ele a beijou novamente. Dessa vez, com mais ardor e apertou-a nos braços.

Heloísa estremeceu e sentiu um rubor interno, um frio na barriga... O beijo carregava carinho e insistência, deixando-a cada vez mais estarrecida e... Leve. Sua respiração tornava-se mais ofegante cada vez que a língua do rapaz escorregava para dentro de sua boca, molhando-a, sugando-a, mordendo-a. A sensação já era conhecida. Mas a intensidade era surpreendente! O homem que tinha diante de si lhe era desconhecido, já que seu doce amigo é o que lhe era familiar.

As mãos daquele estranho começaram a escorrer-lhe pelas costas e ombros. Seus dedos se emaranhavam nos cachos rubros de uma cabeça completamente tonta. Heloísa resolveu parar de analisar e se entregou aos sentimentos e sensações. Começou também a acariciar o corpo de Vitor. Percebeu na pele escura e suada pelos eriçados e uma sensibilidade assustadora. Ao tocar-lhe o corpo, Heloísa sentia espasmos de desejo movendo suas mãos. Ela gostou disso!

Vitor lhe beijou o pescoço, o ombro, o colo. Heloísa tirou, apressada a blusa cor-de-rosa e, então, podiam-se ver seus mamilos róseos. Ela tirou, também, a blusa dele, olhando-o nos olhos, enquanto lambia os lábios tensos. Vitor a puxou, devagar, pelo corredor e, assim, adentraram o quarto, jogando-se, ambos, na cama. Ele abriu a calça comprida de Heloísa e tirou-a, sem pressa, sorrindo pra ela. Beijou-lhe os pés muito brancos. Suas unhas pintadas de vermelho fizeram-no viajar por um mundo de pequenas cerejas doces, então os lambeu e sugou, com delicadeza.

Heloísa tentou levantar para beijá-lo, mas ele a impediu, com um leve toque no ombro. E baixando sua cabeça, passou a admirar a intimidade de sua amada. Vitor arfava e seus olhos brilhavam, enquanto descia a boca úmida até as coxas de Heloísa. Ele as beijou, enquanto ela soltava pequenos gemidos. Vitor beijou-lhe o sexo, a barriga, os seios, enquanto tentava lhe penetrar.

_ Devagar. Devagar. – Pediu Heloísa, com a voz trêmula e em sussurros.

Com muita paciência e docilidade, Vitor pôde sentir-se envolvido pela carne de Heloísa. E gemeu de prazer. Os dois se moveram com cuidado e tranqüilidade, embora desesperados. O respeito mútuo transformou aquele ato num momento de realização profunda e plena, onde um se fundia ao outro, através de olhares molhados que diziam: “posso?”, “pode!”, “com licença?”, “fica!”.

Heloísa despertou por volta das seis e meia. O sol já teimava na janela. Vitor dormia de bruços e ela pôde ver como seu corpo era belo. Ela nunca havia visto o corpo nu de João. E nem devia ter pensado nele agora! Vitor era mais velho, quiçá experiente. João nem devia saber aquelas coisas. Nunca teve sequer namorada! Repreendendo-se por seus pensamentos, Heloísa olhou em volta e viu um quarto de homem. Uma cama de casal, bem ampla, uma escrivaninha de mogno, como a cama, a lâmpada sem lustre, cortinas de um tecido colorido, pendente para o azul e, atrás da porta, um pôster de Marilyn Monroe nua, sobre um tecido vermelho.

_ Ela é linda, não?

Heloísa deu um salto e sorriu, respondendo:

_ Sim, ela é linda. Eu... Estava... Olhando... Tudo.

_ Pode olhar o quanto quiser, querida. Essa casa agora também é sua. – Disse Vitor, se levantando e se dirigindo à porta. – Se você quiser, eu jogo fora esse pôster e ponho um seu. Você é minha musa agora.

_ Você faria isso?

_ E porque não? Já estamos juntos há tanto tempo... Conhecemo-nos muito bem. Aliás, o que você acha de nos casarmos?

_ Como assim? – Perguntou Heloísa, estarrecida.

_ Casando, oras. Na Igreja. Vestido de noiva, flor de laranjeira... – Ele continuou, passando as mãos nos cabelos curtos e crespos.

Heloísa pulou da cama e se vestiu apressadamente, jamais havia pensado nessa possibilidade, essa proposta... Enquanto ela se movimentava rápida como uma lebre, Vitor se sentou na cama e ficou observando aquela linda mulher cujo corpo ele fora o primeiro a possuir, mas cujo coração jamais lhe pertenceria. Ele fechou os olhos e abaixou a cabeça, enquanto Heloísa saía devagar.

_ Desculpe-me. Eu preciso ir.

domingo, 24 de abril de 2011

PÁSCOA (Beatriz Oliveira)


... Que seja renascimento de caráter e de respeito.
Que ressurjam o amor, os sonhos, a fé e a esperança.
Que brotem nos corações a força, a coragem e a determinação daquele ícone por quem paramos as vidas, nessa semana, mas a quem insistimos em não seguir
..., evitando repetir seus atos mais simples.
Que seja renascimento da simplicidade e da honra, como de quando bastava a palavra de um homem para se fiar e o dinheiro não era o rei; de quando era possível se abrir as portas para um homem que pedia abrigo e, enfim, receber as bênçãos pelo bem ofertado.
Que não seja a páscoa dos ovos de chocolate!
Que seja a Páscoa dos Homens de Deus que já se cansaram do mal e estão plenamente dispostos ao bem, custe o custar!
Faça a sua parte pelo mundo e ensine as suas crinaças a fazê-lo. Com o tempo, o mundo será um lugar melhor!

"Glória a Deus nos Céus, e paz na terra aos homens de boa vontade"

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quando (Beatriz Oliveira)


Quando o espelho será descoberto do véu?
Quando me será permitida a revelação da essência?
Quando poderei sair do porão e respirar o ar?
Quando?

sábado, 16 de abril de 2011

CHEGA DE VIOLÊNCIA!

Belo vídeo!
U2 cantando Sunday, Bloody Sunday, legendado com uma versão da música, em português, feita por Byafra, em homenagem a um Brasil que já não suporta mais tanta violência.
Imperdível!
Beijos e fiquem na paz.
Bia


video

sexta-feira, 15 de abril de 2011

SEM COMPANHIA (Ivor Lancellotti / Paulo Cesar Pinheiro)



Tudo o que esperei
De um grande amor
Era só juramento
Que o primeiro vento
Carregou

Outra vez tentei
Mas pouco durou
Era um golpe de sorte
Que um vento mais forte
Derrubou

E assim de quando em quando
Eu fui amando mais
Passei por ventos brandos
Passei por temporais

Agora estou num cais
Onde há uma eterna calmaria
E eu não aguento mais
Viver em paz
Sem companhia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

André Luiz

Equilibre sua justiça,
subtraindo-lhe as inclinações
para a vingança.

domingo, 10 de abril de 2011

O GRILO (Obédio Oliveira)



Camuflado, imperceptível entre as folhas secas de um arbusto, já cansado pelos anos, cantava um grilo, uma cantiga triste: "em tudo o que desse mundo eu ouvi, cri... cri... cri...!"

Como és tolo, amado grilo! Que te vale esta tristeza à toa, disse eu, se quase toda a humanidade também creu?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PERDÃO DE CRISTÃO VERDADEIRO (Beatriz Oliveira)

Eu gostaria de saber que Bíblia essas pessoas andam lendo... Não que eu seja muito fã dela! Mas tenho visto tanta gente fazendo besteira e se dizendo cristã, que tenho que dar uma de advogada do diabo! Até Nazistas e KKK perseguem e matam em nome de Deus! A intolerância se tornou a bandeira da humanidade.

“Portanto, se estás fazendo a tua oferta diante do altar, e te lembrar aí que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali a tua oferta diante do altar, e vai te reconciliar primeiro com teu irmão, e depois virás fazer a tua oferta.” Mateus, 5: 23-24

De nada adianta ir à Igreja, orar e comungar com os seus “irmãos” enquanto deprecia, maltrata e fala mal dos seus irmãos.

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." Marcos, 12:31

“A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno." Tiago, 3:6

Eu me sinto realmente penalizada pelas famílias que perderam suas crianças na tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo e pelas crianças que, agora, temem ir à escola... Penso em como seria se a minha filha estivesse lá... Se eu a tivesse perdido... Penso que a segurança nesse país, bem como em outras áreas, anda bem negligenciada...

Mas penso também que há uma grande diferença entre um traficante covarde que faz “forno de microondas” e assiste, com prazer, a uma pessoa “assando” porque lhe deve dinheiro de drogas e um rapaz com indícios de esquizofrenia e fanatismo religioso, abandonado pela família, que mata crianças numa escola e se suicida, deixando um legado para animais.

Esse rapaz era doente e ignorante! Um pobre coitado que seria considerado inimputável, caso fosse julgado.

O psicólogo Alexandre Passos deu uma entrevista ao jornal do Brasil em que diz:

“O mais importante a ressaltar neste momento é que o Wellington não é apenas um monstro. Essa visão apazigua a sociedade. Todas as questões são centradas nele, mas o fato, a rigor, é que ele era um doente mental sem tratamento.”

Assusta-me ouvir as pessoas falarem que ele é um demônio sem saberem que a mãe de Wellington era esquizofrênica, que essa doença é hereditária e ele tinha fortes traços dela, embora não se tenha encontrado médicos que o tenham tratado para confirmar o diagnóstico, que o governo deveria promover o tratamento da mãe e dele, com fornecimento de medicamentos e psicoterapia, mas não o fez, nem faz, que alguém vendeu a arma do crime para ele porque o governo permite esse tipo de negociação livre, que a escola não tinha segurança suficiente para manter um homem fora de seus portões, mesmo que um ex-aluno...

Assusta-me mais ainda ouvir as pessoas que julgam se dizerem cristãs.

“Não julgueis, para que não sejais julgados.” Mateus, 7:1

Será que julgariam assim se Wellington fosse seu irmão ou filho? E se fosse você que tivesse esquizofrenia e nenhum controle sobre os seus atos?

Eu compreendo a revolta acirrada e permanente dos parentes e amigos das crianças mortas, mas assusta-me a intolerância do ser humano em geral. Não me custa a crer que, se voltássemos ao tempo das praças públicas, as mesmas se encheriam de pessoas para assistir aos enforcamentos! Aliás, atualmente, há “praças” mais modernas: as salas de testemunhas de aplicação de pena de morte por injeção letal, por exemplo.

Trecho da carta de Wellington:

“Preciso da visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna.” (sic)

Então temos um trecho da Bíblia sagrada dos Cristãos:

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam.” Atos dos Apóstolos 17:30

Nota-se, pela missiva, que o rapaz está perdido e claramente arrependido. Dizer que Wellington vai para o inferno é cruel e anticristão!

Além do mais, Deus, o Criador, a Força Criativa, a Grande Inteligência, o Cósmico, seja lá o que for e como você quiser chamá-lo, é Único e dual! Não há outro deus ou semi-deus. Não há lugar nesse universo para um antagonista, fora de Deus. Não há outro, pois Deus em Si guarda as polaridades necessárias à formação de toda a vida. E dizer que Deus é amor, é excluir o desamor de suas qualidades e diminuir-lhe a potência. É dizer que Deus não é algo. E isso é impossível porque Deus é tudo, como Ele mesmo diz, segundo o livro sagrado dos cristãos:

“Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão.” (Dt, 32.39)

Não. Wellington não será entregue a Satanás. Sua alma está, agora, nas mãos de Deus, talvez, em preparação para as lições que terá que aprender. Em processo de despertamento, a fim de que possa perceber as experiências pelas quais passou e fez as pessoas passarem. Sua própria consciência desperta se julgará. E nisso consistirá o seu inferno particular e, quiçá, a sua missão de vida.

A lei é essa: ação e reação. De alguma forma ele passará a compreender e evoluir, livre das limitações físicas e psíquicas que o sentenciaram à morte e ao “inferno cristão”. De alguma forma ele conseguirá alcançar o propósito maior de Deus em sua criação, assim como nós todos um dia também alcançaremos.

E quem sabe, algum dia, nós possamos ser tão elevados a ponto de lhe dar o perdão de cristão verdadeiro? Porque, até agora, temos sido muito falsos!

Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados.” Mateus, 6: 14-15

Que Deus possa nos perdoar, com um perdão verdadeiro...
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