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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A mulher só (Beatriz Oliveira)


Enquanto o vento sopra meus cabelos,

Eu não posso percorrer meu caminho.

Procuro uma saída,

Mas tateio, sem ver,

As paredes de uma caixa de vidro.

Meus olhos se umedecem da poeira

E da dor de não poder sair.

Estou dentro de uma caixa de vidro,

No meio de uma praça,

Vendo pessoas envolvidas em suas vidas

Correrem de um lado ao outro,

Sem se importarem com mais nada.

Eu grito, choro e bato,

Mas ninguém é capaz de me ouvir...

Ninguém é capaz de me ver,

Porque estou encerrada em mim mesma

E tenho um sorriso nos lábios.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

NOITE EM CLARO (Beatriz Oliveira)


Os dois se deitam juntos. Dizem: “Boa noite.” “Boa noite.” Em três minutos, ele começa a roncar. Ela pede: “Vira de lado”. Ele vira, em ato-reflexo. Ela devolve a mão ao abdome.

Tivera um dia difícil: Levantou às seis e colocou o filho pequeno na van para a escola. Sacudiu a filha adolescente, a fim de que ela não perdesse o curso de inglês. Deu ordens à diarista. Beijou no rosto o marido e saiu.

Ralou o dia inteiro, subindo e descendo escadas, levando documentos e broncas, sempre com um sorriso no rosto. Tinha um belo sorriso. Foi cantada pelo porteiro e, pela milésima vez, se fez de desentendida. Foi cantada pela executiva que tinha uma sala em frente à sua. Fez-se de desentendida também.

Passou no supermercado. Comprou mamão, alface, detergente. O cartão não passou. Defeito na máquina. Correu no caixa eletrônico e tirou o dinheiro. Voltou e pagou a compra, sob os olhares acusadores dos outros. Não ligou. Sempre há olhares acusadores.

Tropeçou no tapete da entrada. Beijou o filho. Telefonou para saber onde a filha estava. Sala de aula. Sentou-se no sofá. O marido chegou. Ela deu banho no menino e o pôs na cama. Esquentou o jantar, mas só enrolou a alface no garfo. O marido tomou duas latas de cerveja sob o seu olhar acusador. Não devia olhar assim...

Tomou banho. Estendeu a toalha. Guardou a comida. Lavou a louça. Agora, estava deitada, cansada e sem sono. Virou pro lado e deu de cara com as costas do marido. Virou pro outro e deu de cara com o vazio. Fechou os olhos e pensou que talvez transar ajudasse a dormir. O marido roncava.

Ela tocou o próprio seio e o mamilo enrijeceu. Abriu as pernas e tocou o clitóris. Rijo também. Mas a mente estava vazia. Nenhuma fantasia. Nenhum desejo. Só a reação física ao toque. O silêncio ficou pesado. Secou os dedos molhados no lençol e ficou assim, olhando pro teto, até o dia amanhecer...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

ROUBO NO FÓRUM (Beatriz Oliveira)


Mais um caso de roubo na porta do Fórum.

Das outras vezes tudo aconteceu com pessoas desconhecidas. Próximas, mas desconhecidas. Esses cidadãos, advogados, clientes e concursados pelo Estado do Rio de Janeiro, que trabalham no Fórum de Duque de Caxias, foram interpelados por homens armados, foram ameaçados e feridos em seus corpos, em seus bens, em suas almas, várias vezes, desde que o Fórum foi colocado ali, num bairro não muito bem quisto, à beira de uma pequena comunidade.

Nada contra a comunidade que, aliás, é inofensiva. Crianças correm pela rua. Adolescentes grávidas passeiam seminuas à frente do prédio público. Barraquinhas de água de côco e de doces espalhadas pela rua. A Pensão da Bahiana, que virou self-service, acompanhando a evolução do lugar. Tem, até, aluguel de roupas, praquele cidadão incauto que esqueceu que não se pode entrar em repartições públicas vestindo bermuda.

Tem tudo, menos segurança! A cantina do pátio foi arrombada várias vezes, nos finais de semana, e o dono não prestou queixa, creio eu, pra não perder a concessão. O caminho do ponto de ônibus até o Fórum e vice-versa é uma prova de resistência ao medo e ao pessimismo. Ir trabalhar significa vencer seus limites e acreditar em Deus (mesmo que você seja ateu). E agora, nem mesmo de carro o funcionário está seguro.

Hoje, minha chefe teve seu carro “fechado”, na esquina, por outro carro. Foi retirada de dentro do seu veículo, depois de levar dois tiros (que, graças a Deus não a atingiram). Sua carona, outra amiga, levou um soco e caiu no meio-fio porque demorou a sair, quando ordenada. Eu ouvi os tiros, do posto bancário que há dentro do Fórum. Todos na rua ouviram. Os moradores foram pras janelas. Os dois policiais, que ficam baseados lá, também ouviram, mas nada puderam fazer porque não tinham uma viatura para seguir os bandidos.

Perguntas que não querem calar: Até quando a administração pública (Juiz Dirigente do Fórum, Presidente do Tribunal de Justiça e Governador do Estado do Rio de Janeiro) vai permitir que seus funcionários sejam atacados por bandidos, à luz do dia, indo e vindo de seu local de trabalho? Até quando os funcionários do Fórum de Duque de Caxias vão suportar tal insegurança e descaso?

Creio que a resposta é bem simples: até que um Magistrado (ou o próprio Juiz Dirigente) seja a vítima. Enquanto isso, colegas, rezem ao sair de casa para o trabalho porque, no que tange ao TJRJ, somente Deus é por nós.

(Duque de Caxias, 16/01/2009.)

sábado, 10 de janeiro de 2009

A ALVORADA DO AMOR (Olavo Bilac)


Um horror grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê! tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
- Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A Natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!

Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,

Homem fico, na terra, à luz dos olhos teus,
- Terra, melhor que o céu! homem, maior que Deus!"

ORÁCULOS (Beatriz Oliveira) - Música (Valsa)


AS CARTAS, OS BÚZIOS, AS RUNAS,

MOMENTOS DE SONHO E DE FÉ;

QUASE ROMANCES, QUASE FORTUNAS,

A VIDA SEMPRE COMO QUASE É.


QUASE INOCÊNCIA OU TOLICE, TALVEZ,

AMOR DE MENOS, SOLIDÃO DEMAIS,

EU PASSEI MUITO TEMPO ESPERANDO UM AMOR

QUE, AO QUE VEJO, NÃO VIRÁ JAMAIS.


ESTOU JOGANDO AS CARTAS NO FOGO,

ESTOU JOGANDO OS BÚZIOS NO MAR,

ESPALHANDO AS RUNAS NA TERRA,

DECLARANDO GUERRA AO VERBO “ESPERAR”.


ESTOU VIVENDO O PRESENTE DE FATO,

EXPIRANDO O FUTURO NO TEMPO,

APRENDENDO A BELEZA DA VIDA

QUE É VIVER O PRESENTE MOMENTO.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A HISTÓRIA OCULTA DA MÚSICA (Beatriz Oliveira)


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Desde os primórdios, o ser humano tem embalado seus sonhos, desejos e temores ao som de músicas. Obviamente, o conceito de música vem se alterando ao longo dos tempos.
Na primitividade, o som era simples e profundo, assim como a própria natureza humana daquela época. Batidas graves em árvores, pedras e metais, alternando-se o ritmo, constituíam a trilha sonora para rituais de adoração, oração e, como não poderia deixar de ser, de acasalamento.
Com a evolução humana, o som também evoluiu. Foram sendo descobertos e inventados novos instrumentos que possibilitaram o conhecimento amplo das notas musicais e de sua coerência.
Saltamos, então, aos clássicos maravilhosos como Beethoven, Wagner, Chopin, Tchaikovisky. Bebemos de suas obras, como sedentos beduínos, acompanhando a evolução dos nossos próprios sentimentos e, com ela, a popularização da música.
O homem, enfim, aprende a colocar seus sentimentos mais profundos , sublimes ou primitivos na expressão musical de seu tempo. Surgem, desta feita, Choro, Samba, Raggae, Soul, Funk, Maxixe, Rock, Blues e o Jazz. Como cada ritmo tem um a característica diretamente ligada ao comportamento humano primitivo, nota-se que o Samba, por exemplo, é pra soltar a franga, sem medo de ser feliz. Raggae e Rock pra delirar. Funk pra mostrar que a gente sabe rebolar (isso pode ser interessante quando se quer conseguir um parceiro). Blues pra chorar e por pra fora todas as tristezas, limpando a alma. E se tem um ritmo apropriado para o sexo, é o Jazz.
Ella, King, Chet Baker, Aretha, os Cole, Etta... Estes fazem, como ninguém, o tipo que chamo de “música pra comer gente”.
O som suave, as notas que parecem perdidas, mas não estão, o passeio da melodia, as modulações são representações seriíssimas dos sentimentos mais profundos e obscuros do ser humano, quando se quer amar.
Mesmo que você não esteja pensando nada disso, se Ella cantar, sua mente vai viajar por imagens de ninfas maravilhosas e de deuses apolíneos. Você vai pensar que podia estar, à meia luz, com alguém especial sussurrando em seu ouvido coisas que não se deve dizer em voz alta. E se já estiver com essa pessoa, vai notar que suas vozes vão baixando e suas mãos vão se buscando, num ato de perfeita cumplicidade e sensualidade extrema. Se estiverem a sós, então. Ninguém vai impedir o ato de entrega total.
A não ser que a música seja no vizinho e ele troque pra “Búfalo, Búfalo, Búfalo Bill”. Aí, ou você se mata ou liga a TV no Programa do Jô. Às vezes tem gente bonita pra se ver, às vezes tem música boa, já que o clima, agora, é do Canadá e você não vai comer ninguém mesmo...

domingo, 4 de janeiro de 2009

DEMÔNIOS (Beatriz Oliveira)


Há, em mim, vários demônios.

Um ama a mentira e,

Freqüentemente, avilta minha inteligência,

Com seus desejos fugazes.

Outro ama a loucura e,

Às vezes, me assalta, inesperadamente e,

Ao ver-me, já me encontro na camisa.

O outro ama a liberdade!

Esse, de vez em quando, me ajuda,

Rasgando minhas vestes.

Outro ama a minha nudez e,

Mesmo sem jeito, ao custo de cravadas,

Tenho que despir-me pra ele.

Esse é muito mau!

Não respeita o tempo, nem conhece limites e,

Quando me visto,

Ele me rasga o peito.

Há, em mim, outro demônio

Que ama a dor e,

Quando tudo vai bem, me espeta.

Então, eu sei que devo

Providenciar-me algum mal.

Há, porém, em mim,

O pior de todos os demônios:

O que ama a emoção.

Seja qual for, ele ama.

Quando minto ou me dispo,

Quando minha mente se perde,

Quando busco a folha da parreira,

Quando invento casos, acasos,

Atrasos, descasos,

É sempre quando ele me ama.

Meus demônios vivem brigando!

E os chamo “meus” porque de mim brotam.

Sou sua mãe, seu algoz, seu deus,

Sou a mão que os acaricia ou tortura.

Quando estão tristes, os acalento.

São meus filhos,

Crianças com brinquedo novo.

Não posso matá-los!

Devo dominá-los e amá-los, pois são meus.

Não ouso o exorcismo!

Há, em mim, apenas o que sou.

Se matá-los, morrerei!

Se eu morrer virão fantasmas...

Eu prefiro meus demônios aos seus fantasmas!

Demônios são anjos. Crescerão.

Fantasmas não são nada

E o nada é meu oposto.

Em mim, sou tudo de mim.

Eu amo meus demônios

E odeio os fantasmas...!

sábado, 3 de janeiro de 2009

A PAZ DO SENHOR (Beatriz Oliveira)

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Tu deste calma ao mar, Jesus,
Quando era tempestade,
Fazendo vigorar tua vontade.
Faz assim, Senhor, na minha vida.
Dá paz ao meu coração.
Acalma esse mar de lágrimas.
Eu preciso, Senhor, da tua paz.
Eu preciso, Senhor, da tua paz.
Eu preciso descansar nos teus braços e sorrir.
Dá-me, Senhor, a tua paz.
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