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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

UM DIA MAIS CLARO (Beatriz Oliveira)


... Um dia mais claro,

Onde o meu sorriso abrisse portas,

Desse fim a guerras, ressuscitasse mortos;

Onde o meu olhar derramasse bálsamos,

Matasse fome, tristeza, dor, vergonha,

Desonra, falta de ética, covardia, maldade;

... Um dia mais claro,

Onde a minha mão plantasse amparo,

Fé, amizade, segurança, bondade, ânimo,

Árvores, educação, firmeza e poesia;

Onde o meu corpo sustentasse o filho,

O pai, a mãe, o irmão, a irmã, a prima,

O avô, a avó, o primo, o tio, a tia.

... Um dia mais claro,

Onde os meus pés percorressem rumos

Incansáveis, desérticos, navegáveis, frágeis,

Tão longínquos, mas tão intrínsecos a mim;

Onde a minha alma voasse selvagem e nua ,

Etérea, volátil, eólica, éon de ouro livre

E passeasse por todo o lugar onde o “tudo” vive.

... Um dia mais claro,

Onde o seu sorriso me tomasse por rumo

E o seu olhar me tomasse por meta

E a sua mão me tocasse sem nenhum juízo.

Um dia claro que se tornasse noite,

Num instante vago.

Um instante que voaria breve,

E, assim, espantado a si mesmo diria:

“Veja, o tempo passou e eu nem percebi.”

RAINHA SÍLFIDE (Beatriz Oliveira)



Daqui, de onde olho, eu nada posso ver,
Além das luzes da noite.
Olhando da minha janela alta,
Vejo milhares de pequenas lampadazinhas
Espalhadas pela noite escura.
O vento frio me gela a pele e o coração lhe gela.
O vento foge, esperto, desperto.
Vejo faróis traçando retas de um rumo ignorado.
Para quê sabê-lo? Nada me fará retê-lo!
Não retenho nada. Nunca tive esse poder!
O gelo do frio retorna à minha alma...
Quisera uma janela baixa,
Uma noite clara, uma brisa morna, um rumo certo.
O saber eu não o quisera jamais!
Quisera não saber nada!
Quisera ser uma bela Sílfide e somente voar,
O inteiro dia, entre uma flor e outra,
Molhar levemente a asa num riacho manso,
Num insensato rasante, e sacudi-la, tonta,
Sorrindo-me de mim.
Quisera poder treinar o voo
E não mais molhar a asa, já na vez terceira,
Enquanto os Elfos e as Salamandras
Fazem festa e me aplaudem e eclodem
Em alegria plena e sem fim.
Quisera poder viver de amor e fantasia,
De dança e poesia, de música e magia.
Hedonismo, tão somente, sem tabus.
Mas a janela é alta e a queda perigosa!
Penso, então, que as lampadazinhas lá embaixo
Podem, eventualmente, ser Sílfides iluminadas
Que vêm, reunidas pelo propósito de resgatar sua rainha.
Enquanto as espero, ansiosamente,
Fecho a janela e durmo para acordar.
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