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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sinto Muito (Beatriz Oliveira)

Sinto muito, querido, mas devo dizer,

Meu amor em nada precisou da tua contribuição.

Fez-se, traduziu-se, em si aflorou...

Foi somente meu o momento da sua criação!

Não queiras para si tomá-lo,

Como fosses soberano da tua vida e da minha.

Toma somente vinho, (e no gargalo!)

A fim de embriagar-te e entornares teu ser...

É o que eu gostaria imensamente de ver...

Tu, descendo do alto da tua impedância,

Escorrendo os vetores, vertiginosamente, na pele,

À busca de mim, no nada, na ânsia...

Mas tal é somente para um ser maior,

Um que, talvez, somente sejas quando, de fato, o fores,

Um que saiba ser, no anseio, o deleite e o desvanecimento.

Um que morra e viva de amor e de contentamento

E receba os doces, as mãos, os beijos, as flores...

Sinto muito, amor, mas devo dizer,

Tantas coisas são difíceis quando se é pequeno!

Não me queiras, então, dar o pouco qu’inda tens,

Não pretendo tirar-te, agora, teu cumeno.

Deixo-o a cargo da vida...

Tenciono, entretanto, responsabilizar-te, anjo,

Em nada precisou da tua contribuição o meu amor!

Ao contrário, a minha dor, tu a geraste

Com o teu silêncio e a tua indiferença.

E, por mais que eu queira, não há desejo que baste

Para evitar que se irrompa e deflagre a descrença

Nos sonhos de juventude e na paz de hoje em dia.

Jovem eu não serei jamais. O tempo passou, enfim.

E, paz não haverá um só instante,

Enquanto eu não te der o que há de melhor em mim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De coisas que ainda não são... (Beatriz Oliveira)

Sinto saudade do teu sorriso mais franco,
Das tuas mãos me escorrendo mãos e dedos,
Do ar fluindo quente.
Sinto saudade do teu desejo estampado,
O que eu queria ver e tu não me mostraste,
Deixando-me candente.
Sinto saudade de todas as caminhadas
Que nós ainda não fizemos de mãos dadas
Em direção ao leste.
Sinto saudade dos nossos abraços ternos,
Dos olhares profundos, dos beijos suaves
Que ainda não me deste.

terça-feira, 11 de maio de 2010

CHORAR... (Beatriz Oliveira)



Se chorar te fizesse meu,
“Eu, eu, eu” tu gritarias quando eu chorasse,
E as nossas almas voariam plenas,
Como se um coro de arcanjos no céu cantasse.
Se prantear meu te tornasse,
Esta noite tu adentrarias a janela,
Junto ao raio alvo de lua,
E me amaria com a pureza de um arcanjo
E me tornaria tua, somente tua.
Mas chorar não te traz a mim...
Por isso continuo a chorar, assim...

National Geographic POD