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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

terça-feira, 31 de julho de 2012

DORMIR E MORRER - Beatriz Oliveira





Dormir por força
Parece o que deve ser morrer.
Os olhos pesando,
O peito cansado,
As forças findando,
O sentimento de que uma brisa morna, preguiçosa,
Nos atravessa, desde os membros, o tórax,
Envolvendo-nos até a cabeça que luta para manter-se desperta.
Mas a mornidão invade os ventrículos, os olhos,
Os pensamentos ficam embotados
E todo o resto à volta perde o foco e a importância.
Visão dupla, dupla personalidade,
Sonhos, plenitude.
E já não há mais escape.
O corpo inerte, vibrando...
A mente se expandindo...
Para que lugar, que ser?
Dormir por drogas
Deve parecer-se com morrer.
Perder o controle sobre o simples ato de fechar os olhos.
Deitar-se e dormir.
Sim, parece-se com morrer e eu não temo.
Não temo porque alguém me disse que vou acordar.
Mas e se ele estiver errado?
Dormir será morrer
E eu não terei amado o último homem,
Dançado com ele um zouk,
Trocado com ele juras perante o Rei Sol,
Em nome de São João Batista.
Dado a ele um filho para ser amado e educado na fé de Jesus.
Visto a minha filha ser mãe,
Tornar-se adulta e dizer que me entende e ama.
Não terei, ainda, saltado de paraquedas,
Cantado para duas mil pessoas e conhecido Machu Pichu.
Nem tomado um mojito cubano em Havana,
Ao som de uma salsa quentíssima.
É bom mesmo o remédio só fazer dormir e acordar!
Caso contrário,
Toco o maior rebu no além para voltar
E fazer tudo que não deu tempo.
Deve ser gostoso morrer assim,
Sucumbindo, fluindo.
Veneno doce esse sonífero,
Me envenenando com uma doce ilusão
Que será finita na manhã.

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