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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

PÃO E CIRCO - Beatriz Oliveira




Desde que o mundo é mundo a violência povoa a mente do homem. Veja bem, os filhos do primeiro homem criado por Deus protagonizaram o primeiro “vale-tudo” da história da humanidade com desfecho fatal. E Abel levou a pior. Caim poderá ter sido, talvez, o predecessor dos Gladiadores?
O ser humano sempre gostou de sangue. Mesmo após a chamada civilização, todas as disputas sempre foram realizadas à base da porrada. Mas esse privilégio era dos soldados e dos bandidos. E, de certa forma, continua sendo, até hoje.
Entretanto, a fim de saciar a sede do povo, e de diminuir a sua insatisfação contra os desmandos do Império, os antigos romanos criaram os espetáculos de luta entre os Gladiadores, onde, além do sangue, o povo recebia, também, pão de graça. Daí advém a expressão “Pão e Circo”.
O Gladiador era um escravo treinado para a luta. Dois Gladiadores se enfrentavam no grande Coliseu, lutando até se ferirem gravemente ou até a morte de um deles, dependendo do interesse do povo e do Imperador.
Dois homens sem perspectiva lutando entre si, sem nenhum motivo, machucando um ao outro até o sangue escorrer aos montes, com o único objetivo de divertir pessoas que gostavam de ver o sangue escorrer, mas que não podiam fazê-lo pelas próprias mãos, por ser ilegal.
O que o povo desconhecia é que manter os Gladiadores e o “pão de graça” custou caro e esse custo foi repassado ao próprio povo, em forma de impostos. Nada parecido com a política atual de entretenimento, não é? Bilhões gastos com o carnaval, estádios de futebol e “big brothers”, luta ou emagrecimento de artistas, de desconhecidos que querem se tornar artistas ou de atletas masoquistas.
A grande verdade é que vivemos hoje, ainda, como sempre vivemos, sob a influência de um sistema capaz de absolutamente tudo para lucrar, capaz de lançar mão, inclusive, de artifícios antigos mas que ainda funcionam, como em alguns países, as salas de observação da aplicação da pena de morte, em substituição aos antigos cadafalsos. Afinal, em time que está ganhando não se mexe e, além do já mencionado carnaval e dos jogos de futebol às quartas e domingos, a despeito de todo o valor que o esporte brasileiro tenha em outras áreas, o sistema conta, ainda, com as atualmente populares lutas de MMA.
Muita gente pensa que está na moda, hoje em dia, essa coisa de MMA. Pra quem não sabe, como eu não sabia até bem pouco tempo, a sigla vem do inglês Mixed Martial Arts e quer dizer Artes Marciais Mistas. O jogo consiste em dois homens lutando sobre uma estrutura octogonal, utilizando golpes e técnicas de vários tipos de artes marciais. Se você pesquisar, a Wikipédia vai dizer que o MMA teve origem no Pancrácio, a 648 D.C., evoluindo para o vale-tudo, por volta de 1930, mas a verdade é que, se levarmos em conta o seu principal objetivo, a sua origem remonta a 286 A.C., com os Gladiadores, como vimos acima.
O que me espanta não é a preferência de determinados atletas pelo referido esporte, se assim podemos chamar uma pancadaria generalizada que resulta em feridas absurdas para ambos os lados. Freud explica. Melhor no octógono que nas ruas. Embora eu ache a violência completamente absurda, mesmo que meio engessada.
O que me espanta de verdade é o fato de uma grande massa de pessoas idolatrar esse esporte, sentindo prazer em ver dois homens ferozes se atacando e se ferindo, sangrando-se, como se estivéssemos lá, naquele grande Coliseu, há séculos atrás. Como se não tivéssemos aprendido absolutamente nada em todo esse tempo de evolução. Como se ainda compuséssemos aquela horda de selvagens à busca de vingança pela nossa dor, pela nossa frustração, pela nossa impotência.
E o pior de tudo isso é ainda levarem, essas pessoas, as suas crianças para verem tamanha violência acontecer, como se não fosse muito melhor levar as crianças para ver uma exposição de arte, para soltar pipa, andar de bicicleta, ao teatro, ao cinema, ao parque, à biblioteca, ao circo, ao Horto Botânico, para viajar.
As crianças são o futuro do mundo, mas elas aprendem o que nós ensinamos. Os seres humanos que estão pelas ruas cometendo crimes foram crianças sem assistência e educação adequada. O mundo está cada vez pior e nós só sabemos reclamar das autoridades e criticar, mas não fazemos nada a respeito.
A melhoria da vida começa dentro de casa! Com a nossa postura e, principalmente, com a educação que nós damos às nossas crianças. Se a violência lá fora está desmedida, a culpa é nossa! 

National Geographic POD