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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

QUERO LEMBRAR DO AMOR - Beatriz Oliveira



Ouvi de um homem de 46 anos, culto, profissional, mas que nunca coabitou com ninguém, por opção, que para fazer um homem feliz é muito simples, basta a mulher fazer uma comida gostosa, ter mãos ágeis para lavar, passar e arrumar a casa, inteligência para utilizar no âmbito do trabalho, deitar na cama e manter a boca fechada.


Primeiro, achei que ele estava brincando. Quando percebi que não, achei que fosse um meu delírio. Mas não! Ele continuava sustentando a patifaria. fazer o quê? Calei-me diante de tamanha temerosidade e, para meu maior desespero, comecei a pensar... Será que todos os homens pensam assim? Ou a sua grande maioria? E não dizem, não expressam a sua opinião para não serem tratados por otários?
Será que a independência feminina choca e incomoda tanto ainda, a ponto de o homem ter medo de investir numa relação com uma mulher independente?

Diante da minha dificuldade em encontrar parceiros sérios, estou achando que o meu amigo tem muitos e muitos seguidores. Porque eu tenho muitas dessas qualidades, mas a maior delas vai ficar pra depois - o silêncio. Se eu vejo algo que não concordo, eu falo. Se vejo algo que não vai dar certo, eu falo. Se tem algo me incomodando, eu falo, oras! Ninguém vai me fazer de capacho! Porque eu sou uma mulher! Se eu quisesse ser tapete, entraria na máquina de fios de poliuretano.

O que as pessoas precisam definitivamente entender é que antigamente, as relações se baseavam nos interesses das famílias, do dinheiro, da fazenda, do gado, do café, depois dos casarões, da política... A mulher de antigamente saía da casa dos pais para obter liberdade, um pouco de cultura, acesso ao mundo e à sociedade, uma vida mais digna e dinheiro. E independentemente de qualquer coisa, a mulher era sempre um objeto de troca.

Hoje, a mulher decide que troca vai fazer e pelo quê, em conjunto com o homem, isso põe termo à relação de interesses anteriormente pretendida. Uma mulher pós-graduada, bem empregada, com casa própria, filho saudável na escola e empregada diária, uma mulher da atualidade que tenha tudo isso, sem precisar se casar vai precisar de um homem pra quê? A resposta é muito simples e óbvia demais! Para amar e receber amor e somente para isso.

Por isso, parafraseando Sergio Britto e Torquato Neto, "Só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder!"
Aproveitando o ensejo das músicas, eu evoco um verso de Wagner Moura pra explicar minha solitude: "A vida é mesmo solitária pra quem não tá a fim de qualquer conversa otária" Quer saber? Estou mesmo entendiada com alguns papinhos que eu já sei aonde vão terminar.

Diante do conhecimento da causa, a única coisa que poderá me salvar (sem ser o Chapolin Colorado) é me apaixonar por alguém. Alguém que não queira me mostrar o seu bíceps, nem o seu tanquinho, nem o seu nike novo, nem que o seu carro tem sensor de cansaço, nem que ele é poliglota, etc

Quero alguém que queira me mostrar o seu coração e ver o meu, mesmo que isso implique em eu ter que falar pra caramba às vezes (isso é científico - a mulher fala mais que o homem, oras). Alguém que me apresente à sua família, dizendo: esse é o meu amor! Alguém que curta ir ao cinema comigo e minha filha. Alguém que faça academia comigo pra eu perder os quilinhos extras, só por companhia. E que durma bem agarradinho comigo quando nós estivermos cansados.

Infelizmente, as pessoas hoje vivem procurando agregar coisas materiais, cada vez mais e mais a si e aos seus, e reclamam que vivem relações superficiais e interessadas, sem perceber que o que falta nessas relações é uma coisa básica, simples, barata e todo mundo tem pra dar: AMOR.

O amor aprofunda as relações e faz as pessoas felizes. Quem ama respeita a necessidade de silêncio do outro, e também os seus momentos de falar pra caramba. Com amor pode tudo! O amor é assim! Mas a gente esqueceu...
Infelizmente, a gente esqueceu.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

HEI DE... HÁS DE (Beatriz Oliveira)



Sobre a relva fresca caminham pés descalços à busca dos teus traços, tua linha de contorno, teus passos...
Dançam minhas pernas ao derredor, na praça, como desvairadas traças roendo o alvo morim.
Minhas mãos tateiam fugazes, mexendo nas moitas, nas flores e espinhos. Haverá teus sinais?
Meu olhar vagueia cansado, molhado de sal, vermelho do tempo, procura em cada grão de areia e não estás.
Passaste, noutro tempo, reluzindo estrelas pela boca e pisando os girassóis com longos passos.
Passaste ligeiro e nem me percebeste o encantamento.
Sou, sim, uma dama encantada que caminha de pés nus, dança, tateia as flores e vagueia o olhar molhado, enquanto luta por trazer a mente e os pés à terra.
Hei, ainda, de plantar-me, nua de escárnios e feridas, lépida e coberta de mel, sem nada buscar, somente tendo as mãos abertas a amparar o que vier.
Venha perfume e sol e eu exultarei!
Venha tristeza e lua e eu hei de ser perfume e sol... Sou assim eu.
Hás de reluzir de novo pela boca estrelas e pisar de novo os girassóis. És assim tu.
Hei de te esperar!
Hás de me encontrar!!!
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