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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

domingo, 13 de setembro de 2020

INDIGNAÇÃO E IMPOTÊNCIA



Antes de qualquer coisa, devo dizer que não tenho político de estimação, não tenho partido ou candidato e percebo que todos os governos desse país, desde 1.500, vêm roubando acintosamente a população. E não me digam que no período da ditadura militar não havia corrupção. Havia, mas quem reclamasse era torturado e morto!

 

Dito isto, convoco meus leitores a uma reflexão.

 

Todo ano, as florestas brasileiras passam por queimadas fenomenais! Apesar das declarações dadas ao Canal Rural pelo Doutor em ecologia e chefe da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda, esclarecendo que as queimadas este ano são menores do que as que ocorreram no ano passado, no mesmo período, e que a Venezuela registrou trinta e oito pontos de calor contra cinco registradas pelo Brasil, as queimadas estão ocorrendo e, tanto a fauna quanto a flora estão sendo altamente prejudicadas. Ademais, estamos falando do nosso país, não cabendo comparações, quando se trata da extinção de espécies.

 

https://www.canalrural.com.br/programas/informacao/mercado-e-cia/embrapa-mitos-e-verdades-queimadas-desmatamento/#:~:text=No%20Brasil%2C%20as%20queimadas%20cresceram,e%20no%20Paraguai%20com%20129%25

 

Diante desse panorama, ao invés de proteger o território nacional, o nosso governo reduziu em 58% o orçamento para a contratação de pessoal de combate ao fogo por tempo determinado, de acordo com dados oficiais do Portal da Transparência.

 

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2020/09/12/em-um-ano-governo-bolsonaro-corta-verba-para-brigadistas-em-58.htm

 

A Amazônia e o Pantanal abrigam espécies animais e vegetais de grande importância para o equilíbrio do planeta e, consequentemente, para a sobrevivência humana. Os incêndios que já tomaram proporções faraônicas colocam em risco o futuro, inclusive, das matérias-primas de medicamentos, mesmo sendo bem menores que aqueles registrados na Venezuela.

 

Mas o nosso presidente está mais preocupado em aparecer nas redes sociais, defender a sua família e atacar a imprensa, mesmo frisando que um dos pilares do seu governo é a liberdade de expressão.

 

No último dia 09, o presidente causou nova comoção, diante do comportamento irracional durante uma live da qual participou uma youtuber de dez anos de idade. Além das piadinhas de duplo sentido e mau gosto, características de quem tem o pensamento do século passado, o presidente se manifestou, mais uma vez, a favor do trabalho infantil.

 

É preciso entender o que significa trabalho infantil nesse país. Trabalhar na empresa do pai, na vendinha do tio, na farmácia da prima, ser youtuber, dentro da casa da mãe, à frente de um computador ou notebook de última geração, ser modelo mirim, com o papai levando à agência e aos locais das fotos e desfiles é bem legal e gera renda para a criança e para a família.

 

Entretanto, essa não é a realidade de todas as crianças brasileiras! Nem todos os brasileiros possuem empresas, vendinhas ou farmácias. Aliás, a grande maioria dos brasileiros sequer pode possuir um notebook! Assim, o trabalho infantil se resumirá ao que sempre se resumiu, antes da proibição legal, à exploração da criança. 

 

Segundo a Wikipedia: "O trabalho infantil no Brasil é um dos problemas sociais existentes no país em questão. Mais de 2,7 milhões de jovens entre 5 e 17 anos de idade trabalham no país, sendo 79 mil crianças de 5 a 9 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2015, apesar da lei estabelecer 16 anos como a idade mínima para o ingresso no mercado de trabalho e 14 para trabalhar na condição de aprendiz.

 

Cerca de 30% da mão de obra infantil está concentrada no setor agrícola e 60% concentrada nas regiões Norte e Nordeste, em um perfil que abrange 65% de crianças negras e 70% de meninos. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a pobreza é uma das principais causas do trabalho infantil no mundo, e no Brasil não é diferente. Crianças são forçadas a trabalhar a fim de ajudar na geração de renda familiar, deixando de lado os estudos e vida social." 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Trabalho_infantil_no_Brasil

 

Na verdade, o trabalho infantil exploratório é estimulado pelas próprias famílias que possuem situação financeira precária e necessitam de complementação da renda, além da visão social deturpada de que "é melhor trabalhar do que roubar". 

 

“Essa é uma frase perversa, que demonstra uma reprodução de preconceitos da nossa sociedade. A sociedade em geral normatiza essa situação quando as crianças são negras ou pobres, mas o olhar muda quando se trata da criança de classe média”, afirma Tânia Dornellas, assessora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI).

 

https://observatorio3setor.org.br/noticias/brasil-ainda-tem-quase-1-milhao-de-criancas-vitimas-de-trabalho-infantil/

 

Ademais, o trabalho infantil vem tirando de muitas crianças e adolescentes o direito ao desenvolvimento natural, à infância, ao conhecimento, ao trabalho qualificado e à sua própria identidade, eis que muitos deles acabam perdendo as impressões digitais em trabalhos com produtos ácidos. 

E o IBGE não publica informações acerca do trabalho infantil, desde o ano de 2016! Quem quiser saber um pouco mais sobre isso, pode acessar 

 

https://fnpeti.org.br/noticias/2020/08/03/amanha-sera-tarde-demais-por-daniela-arbex/

 

Penso que a alternativa ao trabalho precoce deveria ser a escola integral, tal qual promovido pelo ex-governador Leonel Brizola, com os seus CIEPs. Ao passo que a criança teria instrução e alimentação, quatro vezes por dia, a família não teria despesa com aquele filho, que estará fora de casa. Devendo, ainda, ser mantido o estímulo governamental, devidamente fiscalizado, para que não haja corrupção, através do bolsa-escola.

 

Realmente, esse país precisa mesmo é de mais respeito e dignidade humana, sem abuso de autoridade, vingança, corrupção e/ou força policial excessiva. 

 

Ouço muitas pessoas pregando que os direitos humanos não devem atingir certa parcela da população, devido às suas ações antissociais. Não estou aqui para defender criminosos! Penso, sinceramente, que as penalidades atuais são muito brandas. Por exemplo, em um caso de homicídio qualificado, a pena mínima é de doze anos, em regime fechado. 

 

Contudo, em função da fatídica progressão de regime, caso o réu seja primário, poderá migrar para o regime semiaberto em quatro anos e oito meses, considerando, inclusive, o tempo que ficou preso na fase de instrução criminal.

 

Quem conhece a situação do Estado do Rio de Janeiro, após tantos governadores corruptos, sabe que não há tornozeleiras suficientes para todos os presos em regime semiaberto. Assim, progredindo para o semiaberto, os condenados, via de regra, cumprem a pena no regime aberto que, nada mais é do que cumprir a pena em liberdade, sob determinadas condições.

 

Levando em conta que a esmagadora maioria dos homicídios tem como pano de fundo o tráfico de entorpecentes, quando soltos, os criminosos que não conhecem outra forma de ganhar dinheiro, voltam para a sua atividade ilegal.

 

Mas, apesar de ver as coisas dessa forma, como pessoa, eu penso que todas as pessoas merecem ser tratadas com respeito e dignidade humana. Sou radicalmente contra a pena de morte e a tortura, por pior que seja o delito cometido!

 

Infelizmente, vemos, atualmente, um povo brasileiro voltado para a vingança e a justiça feita pelas próprias mãos, como se ainda vivêssemos na Idade Antiga. O governo resolveu facilitar o acesso às armas, iludindo o povo, que acreditava que iria ter algum poder de defesa. Bem, os criminosos enfrentam a polícia armada de fuzis, por que não enfrentaria um cidadão não preparado com um revólver ou pistola na mão?

 

Nós já vivemos tempos deveras violentos. E todos os seres humanos são passíveis de erros, inclusive os policiais que, a rigor, deveriam ter sido treinados para o trabalho que fazem. Só que, tal qual os criminosos, os policiais andam armados. Este fato, apesar de indiscutivelmente necessário, desde sempre, vem causando abuso de violência policial. Nas periferias, é claro!

 

Quantas vezes já vimos a diferença ultra preconceituosa de abordagem dos profissionais da segurança pública em locais distintos? A abordagem na periferia é uma. Em locais privilegiados é outra. Lembro bem do riquinho que mora em um condomínio de luxo e bateu na mulher, gritando e xingando o policial que foi averiguar a situação. O policial não entrou na casa do figurão, mas chamou reforço policial para cumprir a sua obrigação de levar o agressor até a delegacia para prestar depoimento. Caso estivesse em uma comunidade, será que ele teria feito o mesmo? Ou teria invadido a casa do Zé Ninguém, dando porrada e colocando o fuzil na cara do sujeito?

 

O que acontecerá com os homens de bem que vivem em comunidades porque não têm como viver em outro lugar, se a polícia encontrar uma arma em sua casa, mesmo que legalizada? Atiram primeiro, perguntam depois!

 

Essa diferença precisa acabar! Todo poder nas mãos de qualquer grupo extremista, seja de esquerda ou de direita, poderá acarretar uma desgraça, eis que, se quem detém o poder é corrupto ou perde a medida dos seus atos, defeito facilmente possível e detectável em qualquer ser humano, as ações extremas tenderão a ser parciais, autoritárias e fascistas.

 

E há quem diga que a época da ditadura era boa. Boa para uns e ruim para outros. Porque, no meio de tanta gente com poder armado, sempre havia os que se excediam. E há muitas pessoas boas com histórias ruins para contar...

 

Voltando à questão dos detentos, de acordo com o Infopen, um sistema de informações estatísticas do sistema penitenciário brasileiro desenvolvido pelo Ministério da Justiça, “o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo. São aproximadamente 700 mil presos sem a infraestrutura para comportar este número. A realidade é de celas superlotadas, alimentação precária e violência. Situação que faz do sistema carcerário um grave problema social e de segurança pública. Além da precariedade do sistema carcerário, as políticas de encarceramento e aumento de pena se voltam, via de regra, contra a população negra e pobre. Entre os presos, 61,7% são pretos ou pardos. Vale lembrar que 53,63% da população brasileira têm essa característica. Os brancos, inversamente, são 37,22% dos presos, enquanto são 45,48% na população em geral. E, ainda, de acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em 2014, 75% dos encarcerados têm até o ensino fundamental completo, um indicador de baixa renda.”

 

https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/noticias/sistema-carcerario-brasileiro-negros-e-pobres-na-prisao

 

Ou seja, entre cada cem presos, quase sessenta e dois são pretos e pardos! Isso significa que a escravidão continua.

 

Ouço, indignada, de pessoas, até cultas, inclusive do vice-presidente Mourão, que os indígenas são preguiçosos e os pretos malandros. "[e]stá aí essa crise política, econômica e psicossocial (…) Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. E eu sou indígena, meu pai era amazonense. E a malandragem é oriunda do africano. Então esse é o nosso cadinho cultural"...

https://entendendobolsonaro.blogosfera.uol.com.br/2020/08/31/bolsonarismo-enxerga-raca-como-entrave-a-seu-projeto-de-nacao/

 

É de doer que esse discurso ainda exista em pleno ano de 2020! Sabe por que os indígenas e negros eram considerados preguiçosos e malandros? Porque os europeus, recém chegados ao Brasil, não queriam trabalhar e delegavam tudo aos indígenas e negros. Quem é indolente mesmo?! As mulheres eram tomadas à força, como são, até hoje, e o povo brasileiro nativo era escravizado, assim como os negros chegados posteriormente.

 

Bem sabemos que os africanos negros também escravizavam seus pares, mas por questões de guerras entre clãs, não por questões raciais. E o errado não vira certo só porque todo mundo faz! Na realidade, os indígenas e negros, assim como as mulheres, ainda não se recuperaram dos muitos anos de exploração.

 

A mentalidade do povo tem que mudar! Ao invés de perpetuar a violência e os maus tratos, vamos exigir que os nossos eleitos proponham uma atualização da Constituição Federal, a fim de obrigar o detento a trabalhar para pagar os custos que dá ao estado, devendo trabalhar para custear sua estadia, suas roupas, sua alimentação e seus estudos obrigatórios. Isso é promover a reinserção do indivíduo à sociedade!

 

Além disso, devem ser revistas as penas, os regimes de progressão e os indultos de festas. Estes últimos não devem existir! É absurdo, por exemplo, a Suzane Richtofen ter “saidinha” no dia das mães, sendo que ela matou os pais e não tem filhos. Da mesma forma, traficantes jamais deveriam deixar a prisão antes de cumprirem suas penas na íntegra! Até porque sabemos que muitos deles não voltam às penitenciárias após a saída do indulto. Infelizmente, voltam depois, cumprindo pena por novos crimes cometidos.

 

Penso, igualmente, que as penas de crimes hediondos devem ser aumentadas, até a prisão perpétua para crimes hediondos, incluindo a pedofilia e o estupro. Como não sou a favor da pena de morte e, considerando que pedófilos e estupradores não têm cura, penso que o criminoso que pratica esses delitos deve sofrer prisão perpétua, devendo viver com dignidade humana, mas cumprindo o papel social de trabalhar para o seu sustento e, quiçá, produzindo coisas e serviços que podem ser oferecidos à sociedade lesada, por um preço justo.

 

Há que se moralizar a justiça brasileira! Há que se moralizar o Brasil! É simplesmente inaceitável que uma Flordelis responda solta a um crime hediondo, somente porque goza do benefício da imunidade parlamentar formal.

A imunidade parlamentar deveria ser uma prerrogativa para que o Legislativo atue com independência e liberdade, no exercício das suas funções institucionais e em situações decorrentes delas. Ocorre que, apesar do crime de homicídio ter sido planejado pela deputada federal e cometido sob a sua ordem, a mesma responde em liberdade, porque os membros do Congresso Nacional não podem ser presos, senão quando alcançados em flagrante de crime inafiançável, mesmo quando esse crime não decorre das funções parlamentares. Assim, muitos dos crimes contra a nossa nação continuam impunes!

 

O Brasil tornou-se um Estado laico com o Decreto nº 119-A, de 07/01/1890, de autoria de Ruy Barbosa, deixando de ter uma religião oficial. Contudo, há no Parlamento uma bancada evangélica e uma bancada católica, enquanto que a cultura negra, raiz dos brasileiros, assim como a cultura indígena, não possuem voz.

 

Neste sentido, o advogado Hédio Silva Júnior sustentou brilhantemente o direito ao abate de animais em cultos de origem africana. Ele expõe, em apertada síntese, que o genocídio de jovens negros, na periferia, não atrai a atenção de qualquer instituição pública, como a “vida da galinha da macumba”. E ele tem razão! Além dos animais que comemos, o Brasil exporta carne bovina e de aves para países muçulmanos, que praticam abate de animais de grande porte e admite o ritual judaico chamado Kaparot, no qual é abatida uma galinha, assim como nos rituais afro-brasileiros. Quem tiver curiosidade, pode assistir ao vídeo da sustentação oral do Dr. Hédio no seguinte link

 

https://www.youtube.com/watch?v=XZQegsiIDgY

 

Eu, inclusive, me peguei num flagrante de preconceito religioso e cultural, ao pensar que é inaceitável o abate de cães e de animais de grande porte, para fins de alimentação e/ou ritualísticos. Ora, eu como galinha, carne de vaca e peixe. Quem sou eu para julgar o que os outros comem?

 

Lembrando que cada um tem a sua opinião e que existem os vegetarianos e veganos, que não consomem carne animal e têm todo o direito de achar o ritual de matança absurdo mas, socialmente, não têm o direito de tentar impedi-lo, uma vez que a Constituição Federal Brasileira assegura a todos os cidadãos a liberdade de culto.

 

As ervas e chás indígenas também são considerados engodos e enganações, quando a grande maioria dos fármacos são produzidos através de várias plantas, encontradas, inclusive, na floresta amazônica.

 

Mas os negros e indígenas não são as únicas minorias afetadas pelo patriarcalismo e pela religiosidade distorcida.

 

Apesar de negar, o presidente Bolsonaro sustenta preconceitos que, provavelmente, aprendeu quando criança.

 

https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=Z4CoY_82LAQ&feature=emb_logo

 

A misoginia e a homofobia ainda imperam nesse país que engatinha. Há vídeos em que o eleito do povo brasileiro assume ser homofóbico

 

https://www.youtube.com/watch?time_continue=37&v=VpqsHe02uLE&feature=emb_logo

 

E misógino

 

https://www.youtube.com/watch?v=Cp1GdBx32CM

 

É óbvio que, após as repercussões negativas, ele desmentiu e disse que se confundiu ou que foi piada. Piada de muito mau gosto que, infelizmente, agrada à maioria dos brasileiros.

 

O presidente também diz se preocupar muito com a família e com as crianças, mas já está em seu terceiro casamento e não aceita a ideia da educação sexual se tornar papel da escola.

 

“Cerca de 70% dos casos de violência sexual contra crianças acontece em casa, tendo familiares ou adultos de confiança e com acesso às crianças vítimas de abuso como seus agentes. Juntamente a isso, existe um consenso entre entidades de proteção à infância e adolescência, além de acadêmicos que estudam o tema, sobre a importância da escola no sentido de prevenir o abuso sexual infantil.”

 

https://entendendobolsonaro.blogosfera.uol.com.br/2020/09/11/bolsonarismo-projeta-nos-adversarios-o-espelho-de-seus-vicios/

 

Ao contrário do que o presidente prega, o homossexualismo e a violência sexual contra a criança e contra a mulher não são novidades, nem se devem à doutrinação da esquerda. Aliás, a própria Bíblia fala sobre mulheres e homossexuais, em Deuteronômio 23:17

 

“Não haverá prostitutas em Israel, sejam homens sejam mulheres. Não deverão trazer ao Senhor qualquer oferta resultante de ganhos obtidos por uma prostituta ou por um homossexual, porque o Senhor vosso Deus detesta ambos.”

 

Só a título de curiosidade, a fim de justificar o meu pensamento de que tal passagem, assim como muitas outras, é reflexo de uma sociedade antiga, homofóbica e machista, o mesmo livro, no mesmíssimo capítulo 23, versículos 1 e 2 diz

 

“Se um homem tiver sido estropiado sexualmente, ou se tiver sido castrado, não poderá entrar no santuário.

 

Um bastardo também não poderá entrar no santuário, nem nenhum dos seus descendentes, durante dez gerações.”

 

Ou seja, se um homem for violentado ou castrado, como o eram os guardas que cuidavam dos haréns dos reis, nobres e ricos da época, ou se for filho de um homem que estuprou uma mulher, porque, naquela época, nenhuma mulher ousaria trair o marido, pois seria morta, não podia entrar no templo de orações. Mas, hoje, pode!

 

Desta forma, o presidente continua demonstrando ser retrógrado e tentando reimplantar escravidões sociais a quem já foi libertado.

 

Eu gostaria de ver o atual governo, que se elegeu batendo no peito, dizendo que iria acabar com a corrupção implantada pela esquerda, lutar para que a reforma administrativa atinja os altos escalões, os funcionários públicos que ganham salários exorbitantes e, além deles, os políticos que ganham verdadeiras fortunas, quando incorporados todos os benefícios a que têm direito, tais como

 

Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap),

Verba destinada à contratação de pessoal,

Auxílio-moradia,

Despesas com saúde,

Cota gráfica,

Ajuda de custo,

Aposentadoria, diga-se, sem contribuir para o INSS.

 

Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

https://www.camara.leg.br/noticias/545051-conheca-o-valor-do-salario-de-um-deputado-e-demais-verbas-parlamentares/

 

Colocando na ponta do lápis, cada deputado sai ao preço de quase 2,2 milhões por ano! Assusta, né? Acho que quem ganha um salário mínimo ou os pais daquela criança que trabalha descascando alho não têm sequer ideia do quanto isso representa. E o Ministro Paulo Guedes ainda disse que o salário de 39 mil reais que os ministros do STF recebem é baixo.


https://www.metropoles.com/brasil/economia-br/guedes-diz-que-salario-de-ministros-do-stf-de-r-39-mil-sao-muito-baixos

 

Para saber os custos do STF para o país acesse

 

https://revistaoeste.com/o-dossie-completo-dos-gastos-do-stf/

 

Mas os defensores da reforma dizem que quem tá quebrando o Brasil são os funcionários públicos, que ganham até 7 mil reais. E o pior é que tem gente que acredita!

 

"A proposta apresentada pelo governo, contudo, preserva categorias do topo do setor público – ministros de tribunais superiores, procuradores, militares, etc. – além de atacar a estabilidade, abrindo brechas justamente para se criar cabides de empregos na administração pública, ao gosto de quem estiver no poder.”

 

https://entendendobolsonaro.blogosfera.uol.com.br/2020/09/11/bolsonarismo-projeta-nos-adversarios-o-espelho-de-seus-vicios/

 

Eu sou funcionária pública. Concluí o curso de Direito numa faculdade particular, que meu pai pagou com muito esforço, passei em dois concursos públicos: trabalhei 2 anos no Colégio de Aplicação da UERJ e trabalho, há 23 anos, no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Estudei muito! E o meu trabalho exige que eu sempre me atualize, por isso, estou sempre estudando e pesquisando. Não tenho FGTS, pago 27% de imposto sobre a minha renda e 14% para o Rioprevidência.

 

Ao entrar no Tribunal de Justiça, o Rioprevidência não existia. Era dividido em IPERJ (Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro) e IASERJ (Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro). Ao contribuir, os funcionários tinham direito a se aposentar com proventos integrais, bem como a assistência médica.

 

Eu sempre paguei os impostos, que são descontados em folha, mas nunca usei o serviço de saúde, diante da sua precariedade. Agora, a reforma previdenciária vai me fazer trabalhar sete anos além do que deveria trabalhar, para conseguir me aposentar com proventos proporcionais! Os corruptos roubam e a gente paga o pato, porque as incríveis reformas nunca atingem os altos escalões do governo.

 

Eu também gostaria que o presidente respondesse por que o Queiroz deu à primeira dama, Michele Bolsonaro, a quantia de 89 mil reais.

 

Pois é, vou falar do Queiroz. Fabrício Queiroz recebeu grande soma em dinheiro de funcionários da Polícia Militar, da ALERJ e de servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

 

Queiroz ficou somente vinte e dois dias preso, enquanto os fatos são investigados e durante o trâmite do processo. A prática atribuída Flávio Bolsonaro e a Fabrício Queiroz é conhecida como “rachadinha”. Na “rachadinha” as pessoas que conseguem empregos de cabide, repassam parte dos salários para quem determinou a contratação. Exatamente o que se evita com a estabilidade do funcionalismo público! Acabando a estabilidade, os servidores ficarão à mercê das opiniões pessoais dos seus superiores, podendo ser demitidos a qualquer momento, por qualquer motivo.

 

Devo salientar que, ao menos no TJERJ, quando um funcionário comete faltas funcionais, ele responde a um inquérito administrativo e, caso seja comprovada a culpa, ele é exonerado, ou seja, a estabilidade serve para quem trabalha.

 

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/08/07/fabricio-queiroz-e-a-esposa-repassaram-r-89-mil-para-michelle-bolsonaro.ghtml

 

A Denúncia contra Fabrício Queiroz foi proposta e, em agosto desse ano, o ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, revogou a prisão domiciliar, determinando que ele e sua esposa, Márcia de Aguiar sejam presos em regime fechado.

 

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/01/18/caso-fabricio-queiroz-o-que-e-cronologia-dos-fatos-personagens.ghtml

 

Até a presente data, o presidente diz que os oitenta e nove mil reais depositados na conta de sua esposa, Michele Bolsonaro, são de um empréstimo que fez a Queiroz, no valor de quarenta mil reais e que o “amigo” fez pagamentos parcelados. Olhando com olhos de ver, a gente percebe que os depósitos nunca ultrapassaram os três mil reais, tornando-se indetectáveis. Só nos resta aguardar o resultado da ação.

 

A última do presidente eleito é dizer que o Brasil está "vencendo a pandemia" e que o país está entre os menos afetados.

 

https://noticias.uol.com.br/videos/2020/09/11/bolsonaro-diz-que-brasil-esta-vencendo-a-pandemia-e-que-o-pais-esta-entre-os-menos-afetados.htm

 

Essa é para rir de doer a barriga! O site Covid19.who.int mostra, explicitamente, que o Brasil é o segundo país mais afetado do mundo e as mortes por covid-19 somam infelizes 131.210 mortes.

 

https://covid19.who.int/

 

https://www.google.com/search?q=mortos+no+brasil+por+covid+hoje&oq=mortos+no+brasil+por+covid&aqs=chrome.0.0j69i57j0l6.5347j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8

 

Diante dessa situação, o governo que, antes, alarmou toda a população, mandando que todos ficassem em casa, a fim de não contrair o vírus, agora manda que todos voltem ao trabalho, mesmo com os números alarmantes de infecções e mortes. Entendo perfeitamente que parar o país traz gravíssimas consequências para a economia. Os governantes e os empresários dizem que o Brasil vai quebrar, caso continue parado. Muitas pessoas perderam os empregos e outras tantas perderam seus negócios.

 

Antes do mês de outubro de 2019, ninguém poderia imaginar o que o mundo passaria. Entretanto, o estado precisa assumir responsabilidades e proteger a população. O auxílio emergencial criado para ajudar pessoas desempregadas, trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores foi criado pela Lei Federal nº 13.982, de 02 de abril de 2020, com o valor de 600 reais por pessoa.

Ocorre que muitas pessoas que não se enquadravam no perfil proposto pelo governo se inscreveram e receberam o auxílio, enquanto que outras tantas pessoas que realmente necessitavam, não conseguiram receber. Mais um caso de desorganização e corrupção no país. Vide o afastamento do governador Witzel.

 

“Além da Operação Placebo, desencadeada por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que investiga um esquema milionário de corrupção na compra de equipamentos e montagem de estrutura emergencial para o enfrentamento da covid-19, Witzel é alvo de cinco pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).”

 

https://www.brasildefato.com.br/2020/05/29/governador-wilson-witzel-rj-nao-sobrevive-ele-vai-cair-analisa-marcelo-freixo

 

O que será que passa na cabeça de um sujeito que se aproveita da doença e da morte das pessoas para ganhar dinheiro? O que essa pessoa pode dizer aos seus filhos, dos quais é um espelho? O que dizer à população que confiou em suas promessas e o elegeu?

 

Em 4 anos, todos os ex-governadores do Rio de Janeiro foram presos: Moreira Franco, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Rosinha Garotinho e Anthony Garotinho, sendo Witzel o sexto! E as pessoas continuam dizendo que o Brasil não tem dinheiro para pagar mais meses de auxílio emergencial, que foi baixado para 300 reais, nem para moralizar o ensino fundamental e a saúde pública, nem para criar uma estratégia de proteção das crianças e adolescentes que vivem abaixo da linha da pobreza. O Brasil é muito rico! E o Rio de Janeiro também!

 

Não seria necessário reforma previdenciária, nem administrativa, nem corte no auxílio emergencial, se não houvesse corrupção e desvio de verbas públicas. Os governos têm a responsabilidade de cuidar de seu povo, na forma prometida na Constituição Federal, segundo a qual

 

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

 

I–homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

 

II–ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

 

III–ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

 

IV–é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

 

V–é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

 

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

 

VII–é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

 

VIII–ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

 

IX–é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

 

X–são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

 

XI–a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

 

XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

 

XIII–é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

 

XIV–é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

 

XV–é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

 

XVI–todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

 

XVII–é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

 

XVIII–a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XIX–as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;

 

XX–ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

 

XXI–as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

 

XXII–é garantido o direito de propriedade;

 

XXIII–a propriedade atenderá a sua função social;

 

XXIV–a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

 

XXV–no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;

 

XXVI–a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;

 

XXVII–aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;

 

XXVIII–são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;

 

XXIX–a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;

 

XXX–é garantido o direito de herança;

 

XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus;

 

XXXII–o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

 

XXXIII–todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

 

XXXIV–são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;

 

XXXV–a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

 

XXXVI–a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

 

XXXVII–não haverá juízo ou tribunal de exceção;

 

XXXVIII–é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

 

XXXIX–não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

 

XL–a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

 

XLI–a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

 

XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

 

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

 

XLIV–constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

 

XLV– nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;

 

XLVI–a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos;

 

XLVII–não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis;

 

XLVIII–a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

 

XLIX–é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

 

L–às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;

 

LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;

 

LII–não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;

 

LIII–ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;

 

LIV–ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

 

LV–aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

 

LVI–são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

 

LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

 

LVIII–o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;

 

LIX–será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;

 

LX–a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

 

LXI–ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

 

LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

 

LXIII–o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

 

LXIV–o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;

 

LXV–a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

 

LXVI–ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;

 

LXVII–não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;

 

LXVIII–conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

 

LXIX–conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

 

LXX–o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;

 

LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

 

LXXII–conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;

 

LXXIII–qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

 

LXXIV–o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;

 

LXXV–o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;

 

LXXVI–são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito;

 

LXXVII–são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania;

 

LXXVIII–a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. § 1o As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. § 2o Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. § 3o Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.* § 4o O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.

 

Quero esclarecer que a mão pesada sobre o atual governo ocorre somente porque ele está no poder agora e, também, por ter se autointitulado incorruptível. Não é minha intenção defender qualquer outro governo, partido ou candidato, mas gostaria que os eleitores do atual presidente abrissem os olhos e exigissem dele o que foi prometido na fase de campanha. 


Infelizmente, pelo que vejo, ele não é melhor do que ninguém que já se sentou na cadeira presidencial e não está trabalhando pelo povo, mas somente pelos seus brios e pela sua família.

 

Conheça os seus direitos!

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O HEDONISMO NA ERA DO CAPITAL – Beatriz Oliveira



Sei que muita gente vai me rotular de louca, mas os rótulos estão na moda e não vou me preocupar com isso.
Há algum tempo tenho sentido necessidade de falar sobre a maldade que vem assolando a nossa sociedade. E não falo somente da violência física que vem se abatendo sobre os cidadãos brasileiros, mas da violência moral, emocional, da falta de ética, da crueldade estética, da total falta empatia. E para falar disso, vou começar bem lá atrás, com o nascimento do capitalismo.
A vida já era bem dura quando as pessoas mais abastadas possuíam terras e bens que as pessoas menos abastadas trabalhavam arduamente para manter. E tudo ficou muito pior quando a indústria e o comércio perceberam que poderiam auferir lucros imensos oferecendo produtos úteis e imprescindíveis à população por um preço altíssimo, embora tenham usado muito poucos recursos para tornar tais produtos consumíveis.
Bem, dando um bom salto na história, a fim de não me tornar enfadonha vemos, hoje, uma infinidade de produtos inúteis, lixos publicitários, vendidos a preço de ouro para pessoas que mal têm o que comer.
O capitalismo não é ruim. A evolução é necessária! Quem vive nas grandes metrópoles, quem não curte o campo e exerce profissões urbanas, precisa pagar pelo trabalho de quem planta, colhe / extrai, transporta, produz / transforma, vende e revende os produtos que consome, bem como os medicamentos produzidos. Sim! São trabalhos valiosíssimos e necessários para a caminhada das sociedades rural e urbana. Contudo, por que o lucro deve ser tão exacerbado? Por que não se cobrar o preço justo? E por que esse lucro exagerado sempre vai parar nas mãos de quem trabalhou menos ou nada?
O capitalismo selvagem é ruim! O ser humano é insaciável e egoísta! Isso fez os homens por trás das grandes empresas quererem sempre mais, sempre mais dinheiro. Então, o marketing entrou na jogada... Através dos grandes profissionais do marketing, as pessoas começaram a desejar adquirir coisas das quais não precisam e a adquiri-las sem poder pagar por elas!
Os homens não puderam mais sustentar suas famílias e as mulheres foram à luta. Isso foi ótimo para a evolução feminina, mas foi péssimo para nossas crianças, que começaram a ser criadas por pessoas que não conhecemos profundamente e que possuem crenças e princípios diferentes dos nossos e, principalmente, que não são as mães das nossas crianças, por mais profissionais que tentem ser.
Antigamente, as férias escolares duravam quatro meses: julho, dezembro, janeiro e fevereiro. Hoje, duram quinze dias em julho e o mês de janeiro, somente. Até mesmo as crianças estão assoberbadas na escola, cursos, atividades... Falando somente dos filhos da classe da média... Os pais trabalhando mais e mais, não têm tempo de curtir seus filhos e procuram suprir esta falta com coisas materiais. Isso, associado à violência urbana, faz com que as crianças estejam cada dia mais presas em apartamentos, jogando videogames e reféns das redes sociais, incapazes de socializar fisicamente.
Agora... Falando das classes mais baixas... Sendo um pouco debochada, as férias podem durar o ano inteiro, se nós englobarmos algumas comunidades e as zonas rurais menos afortunadas. Nas escolas que funcionam, não há merenda escolar, nem vou mencionar o motivo... Em suas casas, igualmente às crianças da classe média, os pais estão trabalhando, em empresas, casas de família, hospitais, escolas ou no tráfico de entorpecentes. Contudo, diferentemente das crianças da classe média, elas não fazem cursos e atividades extracurriculares, nem estão sob os cuidados de babás, porque os seus pais não podem custear isso. Diferentemente das crianças da classe média elas não possuem perspectivas.
Mas essas crianças e adultos, de todas as classes desse país, têm uma coisa muito importante em comum: o consumismo exacerbado. Então vemos pessoas que moram de aluguel, mas andam em carro do ano. Muitas vezes, esse carro tem o IPVA atrasado, mas o dinheiro da gasolina, da manutenção e da prestação poderiam certamente pagar a prestação da casa própria. Vemos pessoas sem dinheiro para comprar a comida do dia a dia, sem dinheiro para a escola dos filhos, para um plano de saúde para a sua família, fazendo festas imensas e postando fotos maravilhosas nas redes sociais, fazendo churrascos semanais e ostentando correntes de ouro e telefones celulares caríssimos, vemos crianças que residem no interior, que não vão à escola, mas brincam em tablets e notebooks modernos.
Pelo amor de Deus! Não estou dizendo que uma pessoa não tem o direito de se divertir e de alegrar a sua família com uma festa. Estou dizendo simplesmente que tudo na vida é uma questão de prioridades e os valores da nossa sociedade estão invertidos.
Infelizmente, atualmente se valorizam mais as coisas que as pessoas. A vida virou lixo. Mata-se uma pessoa por causa de um relógio, de um aparelho celular. A moral e a ética estão agonizando sob os pés de uma sociedade extremamente hedonista.
Eu me lembro de quando era criança e assistia a um programa infantil em que havia uma grande roleta que o apresentador rodava e era perguntado a uma criança, ao telefone, qual prêmio ela gostaria de ganhar. Na grande roda, havia escritos vários nomes de brinquedos: boneca, patinete, computador, jogo de tabuleiro, bicicleta, mil reais. Eu ficava, de casa, torcendo pelos brinquedos que eu gostaria de ganhar e as crianças que conseguiam falar ao telefone torciam para ganhar, em sua maioria, a bicicleta ou o computador. Há cerca de dez anos atrás, quando minha filha era pequena e também assistia ao mesmo programa, eu via, indignada, todas as crianças ao telefone pedirem para ganhar mil reais.
Agora me diga, o que uma criança de sete ou oito anos de idade pretende fazer com mil reais? Óbvio! Comprar um monte de coisas que são oferecidas na TV e das quais ela não precisa, tal qual nós, adultos, quando compramos mais uma blusa, mais um par de sapatos, uma TV mais moderna, um telefone celular com mais recursos completamente diferentes de telefonar para alguém.
Indo um pouco mais além e ainda sobre o hedonismo, não podemos nos esquecer das pessoas desequilibradas que cometem violências e abusos físicos e psicológicos contra os outros, inclusive contra as crianças.
Temo que estejamos vivendo numa sociedade cada vez mais psicótica, no sentido literal da palavra. Segundo a wikipedia, psicopata é a “designação atribuída para um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela pertença de uma atitude de dominância desmedida”. Alguém duvida que nós todos estejamos afetados pela psicopatia, em algum nível? Roubos, furtos, agressões físicas, homicídios, torturas, pedofilia, e falo de nós todos mesmo quando falo da total falta de empatia, do egoísmo, individualismo, pequenas contravenções, furto de luz, água, gatonet, violência doméstica, desrespeito racial, religioso e de classes, homofobia, mesmo aquela velada do tipo “eu respeito, mas não gostaria que meu filho fosse...”, xenofobia, tudo isso, alguma dessas coisas cada um de nós é capaz de fazer independentemente do mal que possamos vir a fazer a outras pessoas, desde que fiquemos saciados.

Devemos comer as comidas da TV, até ficarmos saciados. Devemos vestir as roupas que as atrizes vestem, até ficarmos saciadas, ter os aparelhos eletro-eletrônicos que aparecem na TV, até ficarmos saciados, devemos viajar para os lugares que os nossos amigos mais ricos foram, até ficarmos saciados, devemos ofender nossos ímpares, até ficarmos saciados, bater em nossos desafetos ou ver alguém fazer isso, até ficarmos saciados, devemos possuir as coisas que as pessoas possuem nos filmes e novelas, até ficarmos saciados. Mas não percebemos que o sentimento de hedonismo não permite nunca que nos saciemos. Sempre estaremos famintos e sedentos de algo mais, de algo que o capitalismo nos promete, nos demonstra, nos oferece, mas nunca entrega. E nós seguiremos sempre, correndo atrás do tempo, cada vez mais rápido, atropelando as pessoas e as coisas, adquirindo coisas de que não precisamos, tentando encontrar o que precisamos, mas não sabemos o que é, porque somos incapazes de ficar em silêncio e ouvir os nossos próprios desejos. Estamos sendo bombardeados com desejos que não são nossos e estamos sendo profundamente infelizes por isso, mas se comprarmos uma bolsa nova ou um novo I-Phone vai ficar tudo bem. 
Ou não...

domingo, 15 de novembro de 2015

MARIANA – Beatriz Oliveira (15/11/2015)




Mariana era uma moça acolhedora e linda!
Cheia de sonhos floridos, desejos verdejantes...
Mariana, agora, já não é como era antes
E vive, hoje, uma tristeza infinda!

O amor não deu sorte a Mariana.
O homem que ela amava não a amou
E, apesar de todas as dádivas doadas,
Destruiu, explorou, ignorou, enganou...

O homem arrastou a luz de Mariana
E jogou seus sonhos sob o rio,
E o rio que era doce hoje amarga
A dor e o abandono deletério.

Ela se divide em muitos corpos
E vive inundada de mentiras,
Tentando levantar os olhos mortos:
Fraqueza pela força, numa catira.

Mariana, então, se põe, hoje, à janela
E olha insone a correnteza de lama.
E a gente pode ver nos olhos dela

Os olhos do homem mau que ela ainda ama.

COBERTA DE LAMA – Beatriz Oliveira




Meu coração está triste! Muito triste...
Mais uma vez, a vida humana é tratada como lixo. O lixo espalhado em Mariana, o lixo espalhado em Paris. Por motivos distintos, porém não distantes.
O capitalismo selvagem transforma, irrompe, arrasta corpos. O fundamentalismo religioso e a ganância explodem o amor, a igualdade, a importância das almas.
São duas batalhas, duas derrotas humanas nesse plano de evolução.
Trazendo ao mundo material, sinto muitíssimo pelas vidas perdidas em Paris, pelos feridos, pelas famílias! Contudo, desgraças imensas ocorrem em nosso país diariamente e nem os governos, nem o povo valoriza o quanto deve. Mariana e várias outras cidades circunvizinhas sofrem e sofrerão os efeitos desse derrame e as consequências da desvalorização do humano, da natureza. E somente o tempo poderá mostrar o tamanho da desgraça.
Nosso país! É a nossa casa! O lugar em que vivemos e, provavelmente viverão nossos filhos, netos e bisnetos. Quando será que vamos entender a importância de se arrumar a própria casa?
O brasileiro, em geral, vive numa casa rota, suja e que pode desabar a qualquer momento, sem se dar conta disso. Os governos empurram goela abaixo programas de “emburrecimento”, ignorância, descrédito, desvalorização do ser humano, da família, do espírito, programas de redução da autoestima e das capacidades individuais de cada brasileiro.
Adultos infantilizados pela miséria de suas almas somente se importam com o seu próprio bem estar.  Aliás, enquanto houver som, cerveja e bunda de fora, estará tudo bem!

Não só Mariana está derrocada! O país inteiro se encontra agonizante sob o leito do Rio Doce.  Que me perdoe o resto do mundo, mas neste dia, meu colorido é coberto de lama!

domingo, 8 de novembro de 2015

DO PRECONCEITO E DO MEDO - BEATRIZ OLIVEIRA



Espanta-me o temperamento belicoso de algumas pessoas! Há coisas tão importantes nesse país pelas quais se deve lutar e as pessoas terminam por desperdiçar a sua energia com lutas vãs.
Sabe aquela velha história do sensor de metais na porta das agências bancárias? Pois bem. Volta e meia, presencio pessoas discutindo com os seguranças da agência porque são obrigadas a colocar moedas, chaves, celulares e outros objetos metálicos no porta-objetos. As pessoas levam tão a sério a questão do dano extra patrimonial que não conseguem avaliar o que representa, de fato, um dano e o que é, apenas, um mero aborrecimento, um contratempo.
Todos sabemos, através da mídia, que os coletivos da Viação Amparo têm sido alvo de inúmeros assaltos, infelizmente. Meu marido e eu, no caminho para casa ou para o trabalho, no sentido inverso da estrada, sempre observamos uma blitz que encosta carros, motos e ônibus. Sempre comentamos acerca dos perigos que vêm envolvendo a região de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá.
No último sábado, voltando de Niterói, sem meu esposo, tomei o ônibus para Itaipuaçu, no terminal. Como é de meu feitio, puxei papo com algumas pessoas na fila, averiguando se aquele carro passaria próximo à minha rua.
A viagem estava tranquila até sermos parados pela famosa blitz de Santa Bárbara. Subiram no ônibus três policiais. Um se dirigiu ao fundo do carro, outro permaneceu no meio e o terceiro à frente, bem de frente para mim. Tudo calmo, enquanto o policial do fundo conversava, fazia perguntas e revistava alguns passageiros. Como eu estivesse sentada na segunda fileira, somente ouvia os sussurros.
De repente, uma confusão se fez ouvir. O jovem para o qual eu havia perguntado sobre o destino do coletivo, se negava a ser revistado. Quando olhei para trás, ele estava de pé, com os braços cruzados, esbravejando que não era justo, que não entendia porque somente ele estava sendo revistado: “é porque eu sou negro? Eu sou trabalhador!”
A esta altura, os dois policias que se encontravam no fundo e no meio do carro, já estavam à frente e atrás do jovem. Todos discutindo se haveria ou não a revista pessoal. Então, o policial que estava à minha frente desceu do veículo e deu lugar a um militar mais maduro, mais velho. Ele entrou e se dirigiu até o recalcitrante, explicou novamente que ele deveria permitir que os policiais fizessem o seu trabalho. Explicou ao rapaz que outros três passageiros foram revistados também e que, por estarem atrás dele, o fato não pôde ser observado. Os policiais pediram o documento de identificação ao rapaz, mas ele não tinha. Eu não cheguei tão perto dele, mas os policiais diziam que ele se acalmasse, porque estava bêbado, com hálito etílico, e poderia fazer alguma besteira. Aquele oficial disse que se ele não aceitasse a revista, seria levado até a delegacia, a fim de se explicar para o delegado e diante da teimosia contumaz do homem de vinte e cinco anos, eles o escoltaram até a viatura policial. O policial que comandava a operação ordenou que o rapaz não fosse algemado, nem colocado na caçamba da viatura.
O policial que fazia a revista continuou o seu trabalho e o oficial permaneceu na parte da frente do veículo desabafando: que estiveram ali naquele mesmo local, até as vinte e três horas do dia anterior e tinham chegado ali de volta, às cinco da manhã; que a empresa não fornece segurança aos passageiros, a despeito de se pagar um seguro embutido na passagem; que ele poderia ser pai daquele rapaz, porque somente de polícia militar, já contava vinte e quatro anos; que gosta do seu trabalho, mas a atitude do rapaz causaria problemas naquele dia, eis que uma viatura teria que leva-lo até a delegacia, juntamente com dois policiais que testemunharam o ocorrido, desfalcando, assim, a barricada. Ao final, ele pediu desculpas a todos e agradeceu pela nossa paciência.
É importantíssimo frisar que, em momento algum, os policiais foram violentos, agressivos ou deseducados.
Dois pontos me tocaram nesse ocorrido. Um revela o quanto o povo vem sendo massacrado pelas políticas antirracismo, erroneamente aplicadas sobre cabeças imaturas, cansadas e sem esperança de um futuro melhor. Cabeças que acreditam que todo o seu infortúnio advém da sua raça, da sua cor, da sua religião, da sua situação social. Pessoas que foram ensinadas, subliminarmente, a terem preconceito contra si mesmas.
Outro revela o quanto a mídia é venenosa e tendenciosa, agindo de acordo com os interesses socioeconômicos do momento. Sim! Eu fiquei pasma com a educação dos policias! Porque estou acostumada a ver e ouvir sobre uma polícia corrupta e perversa.
Após o susto inicial comigo mesma, fui obrigada a raciocinar que, onde quer que haja seres humanos, haverá corrupção e perversidade. Nós não gostamos de falar! Mas há médicos perversos, advogados corruptos, professores perversos, pedreiros corruptos, eletricistas perversos, funcionários públicos corruptos... E é verdade! Há policiais perversos e corruptos! E eles são colocados em maior evidência porque o seu trabalho é influente e amplo. Mas também há policiais amáveis, éticos e que possuem senso de moral. Talvez aqueles profissionais com os quais me deparei nem sejam tão amáveis e éticos. Talvez não tenham pegado pesado com o rapaz porque se encontravam sob vários olhares de testemunhas. Mas talvez sejam somente pessoas de bem fazendo o seu trabalho, em prol da segurança pública.

Há pessoas de bem nesse mundo! Há pessoas de bem em todos os setores da vida. E não é o fato de você ser negro e pobre que dá direito às pessoas de inferiorizarem você. Por isso, não se inferiorize! Se você não deve nada, entregue a sua carteira de identidade ao policial e se deixe revistar. Abra a sua bolsa, tire tudo de dentro dela e deixe o segurança do banco olhar. Aguarde a sua vez! Porque quando bandidos armados invadiam os bancos, as pessoas clamavam por mais segurança. Quando bandidos armados entram nos coletivos, as pessoas clamam por mais segurança. E se algo de muito ruim acontecer com você, para qual número você vai ligar pedindo ajuda? 

sábado, 24 de outubro de 2015

O CAPITALISMO E A CULTURA DA DOENÇA - Beatriz Oliveira



Eu sei que pode parecer exagero, mas não é!
Vivemos em uma época de grandes descobertas científicas, liberdade religiosa, casamento gay, guarda compartilhada e, desafortunadamente, de venenos.
Relembrando o passado, na época dos meus bisavós, os adultos fumavam cachimbo ou cigarro de palha, bebiam pinga, cozinhavam na lenha usando banha de porco como óleo e como conservante de carnes em geral. As crianças comiam as frutas que tiravam do pé, verduras plantadas no quintal e compotas de frutas.
Além de tudo, os adultos costumavam se reunir com parentes e vizinhos para cantar e dançar nas serestas, pulavam o carnaval de rua e andavam pela noite sem medo. As crianças jogavam bola, andavam de bicicleta, brincavam de pique-esconde, pique-pega, queimado, cabra cega, carniça, passa-anel, salada mista e todas essas brincadeiras aconteciam nas ruas.
A carne era conservada em latas com banha e todo o resto, que hoje se põe na geladeira, ficava sobre a mesa até acabar.
O leite de saquinho, a manteiga de lata, os doces, o pão, o queijo, a mortadela, os sabonetes, o sabão de coco, a Minâncora, o Leite de Rosas, o Polvilho Antisséptico Granado, o Creme de Alface Brilhante, nada disso tinha prazo de validade! Pasmem! As pessoas comiam e usavam, até acabar, e nunca se preocupavam com eventual dor de barriga, salmonela ou prurido.
Todo mundo tomava leite, a maioria, ainda quente do corpo da vaca e da cabra e ninguém tinha intolerância à lactose ou alergia. As galinhas criadas em casa bastavam pra alimentar a família e eram criadas com canjiquinha.
Hoje, as coisas estão bem diferentes! Os adultos fumam cigarros industrializados, que contém mais de quatro mil substâncias nocivas, tomam vários tipos de cachaça, cerveja, vodka, whyski, vinho, etc, usam óleo de soja, de canola, de milho, de coco e outros para cozinhar, se encontram em shoppings, casas de show e outras, moram em apartamentos, não conhecem o vizinho de porta e morrem de medo de bala perdida. As crianças jogam vídeo game.
Os meus bisavós e seus filhos não tinham depressão, crise de ansiedade, síndrome do transtorno bipolar, hiperatividade e uma gama de doenças que se vê hoje em dia.
Percebemos que a saúde dos meus bisavós e seus contemporâneos era muito melhor! Eles comiam comida mais natural, tinham o organismo mais resistente e as crianças não tinham tempo, nem motivo para sofrer. A evolução da obesidade e das doenças psicológicas em crianças, a meu ver, colhem origens na alimentação baseada em fast food e miojo, regada a refrigerante, e no fato de estarem presas em apartamentos, sem possibilidade de queimar a energia que possuem.
Com a decadência da psique e da saúde física, a baixa resistência e a imunidade ruim acabam gerando todo tipo de doenças, inclusive as alérgicas.
Jogam-se no lixo remédios e produtos caros, além de comida em bom estado de conservação, porque a indústria resolveu que agora tudo tem prazo de validade. As galinhas agora comem ração com bastante hormônio para acelerar o crescimento, as frutas, verduras e legumes têm o tamanho de um fusca, graças aos agrotóxicos e manipulação genética, tudo para evitar as doenças! Mas os porcos receberam o grande título de vilão da gordura, porque criar porcos é mais fácil do que criar bois, demanda pouca dedicação e pouco espaço. Não podemos correr o risco de dividir os lucros dos grandes latifundiários, com gente que cria porcos no quintal. Precisamos colocar venenos nos vegetais, para que eles cresçam muito e pareçam mais apetitosos e saudáveis do que aqueles plantados em pequenas hortas caseiras.
Hipertensão, diabetes, trombose, alergias, intolerância ao glúten e à lactose, colesterol alto, obesidade... Mas como? Pagamos caro pela tecnologia que diz que devemos comer margarina, óleo de coco, sal do himalaia e cereais integrais e continuamos doentes!
É muito triste reconhecer, mas estamos sendo aviltantemente manipulados! E há muito tempo! A palavra de ordem é comprar e qualquer coisa diferente disso é vista como algo alienígena.
Tudo isso é só para dizer que parto normal é o que Deus inventou e dói o quanto a mãe aguenta. Senão não haveria tantas mulheres parindo todos os dias nos hospitais da rede pública. Sim! Na rede pública só se faz cesariana se houver risco de morte da mãe ou do bebê. Sabe por quê? Porque a cirurgia é mais custosa para o Governo. Mas como algumas mulheres têm planos de saúde particulares, os médicos que querem ganhar mais pela cirurgia e não querem ser aborrecidos de madrugada, indicam a cirurgia, sob todo tipo de alegação estapafúrdia.
Também para dizer que nossa raça miscigenada não possui, no estômago, as enzimas necessárias à quebra das moléculas de lactose. Mas os bezerros têm! Porque o leite da vaca é para os bezerros. E os bezerros não tomam leite a vida toda! Terminado o período da lactação, eles começam a comer as folhas que lhe dão sustento. Por que os adultos humanos precisam tomar leite a vida toda, se o grande álibi dessa história, o cálcio, pode ser encontrado em brócolis, sardinha, espinafre, gergelim, soja, grão de bico e outros alimentos naturais?
Porque os produtores, industriais, comerciários e marqueteiros precisam ganhar a vida! E mais do que ganhar a vida, eles precisam enriquecer! E fazem isso enganando as pessoas e fazendo-as adoecerem, a fim de, inclusive, alimentar a indústria farmacêutica.
Tudo isso também é para dizer que procurem informações reais acerca do que estão ingerindo. Eu caí no conto do vigário...
Comecei a fazer uma reeducação alimentar. Há três meses, estou comendo de três em três horas, poucas quantidades e alimentos selecionados. Sabe aquela dietinha que os gordos fazem a vida inteira? Três colheres de arroz, três de feijão, quatro de legumes massudos e verdura à vontade. Pão de manhã e à tarde. À noite frutas. Como posso comer pão duas vezes ao dia, optei por trocar uma dessas refeições pelo cereal integral e comprei Nesfit. Bem, ele é feito de trigo, arroz e milho integrais, tem vitaminas e sais minerais e a propaganda é ótima! Operação Biquini em quatorze dias!
Ao final de dois meses de dieta, meu exame de sangue acusou cento e vinte de glicose. Fiquei possessa e fui ler a caixa do Nesfit: açúcar! A minha única fonte de açúcar em dois meses, já que aboli o refinado e passei a usar adoçante. Como é que se pode emagrecer em quatorze dias comendo açúcar todos os dias?! Como eu fui boba...
Mas é assim mesmo. Come açúcar, aumenta a glicose, toma metformina, não emagrece, toma sibutramina, fica ansiosa, toma rivotril, fica com a memória ruim e depressão, toma fluoxetina e por aí vai. Tudo isso somado ao estresse do trabalho, o pânico de ser assaltado e a vergonha de não poder pagar as suas contas, mesmo trabalhando como um condenado.
Quem é que pode negar que a cultura da doença seja a filha dileta do capitalismo?
Reconheço que é impossível sair ilesa desse processo, mas me nego a sair extremamente ferida, somente aceito pequenos arranhões. Porque a vida é assim: uma sucessão de escolhas que determinam quem você é agora e quem será daqui a vinte anos.
Eu tenho optado pelas coisas mais naturais, embora tardiamente, por ignorância completa. Escolho a natureza porque daqui a vinte anos quero ser viva!

domingo, 24 de maio de 2015

A DOENÇA DA MALDADE – Beatriz Oliveira



Tenho visto, ouvido e lido, ultimamente, várias notícias acerca das violências praticadas por e em desfavor do ser humano. Confesso que sempre me tocou grande preocupação com o bem estar da humanidade, mas percebo que, a cada dia, a humanidade se faz mais enferma.
Os últimos acontecimentos deixaram-me perplexa pela própria natureza das violências.
Venho acompanhando pelo noticiário a prática de assaltos seguidos de lesões à faca, praticados por adolescentes pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Não me espantei com a morte do médico Jaime Gold, embora penalizada e solidária à família, pois já pensava que, em algum momento, algo parecido aconteceria. O que, de fato, me espanta é a inércia do governo e da população frente a episódios como esse. Os fatos bem se parecem com as contumazes enchentes e deslizamentos que ocorrem anualmente na Região Serrana do Rio, que governo e população ignoram e não prezam por evitar.
Ouço candidatos, governantes e população falando sobre pena de morte, redução da maioridade penal, cotas inter-raciais... E penso em como estão confusas as cabeças brasileiras!
Medidas paliativas e agressivas não resolverão os problemas do Brasil! Como as pessoas rapidamente se esquecem do passado e se inflamam pelos resultados imediatos, sem planejarem o futuro, os sistemas governistas montam as suas táticas de controle e dominam as nossas vidas, com estratégias de longo prazo.
As cotas para negros e pobres são uma ótima saída para as pessoas que já passaram por um sistema de educação falido e não possuem oportunidades atualmente, contudo, em paralelo, deve-se investir verdadeiramente na educação de base, a fim de que todos: brancos, negros, pobres e ricos possam competir pelas vagas em igual condição. Mas isso não está sendo feito!
A pena de morte, medida igualmente paliativa, somente serviria para reduzir a população carcerária, pois na verdade, os países que a praticam também possuem criminosos e os crimes continuam ocorrendo. Além disso, sabemos que a maioria esmagadora dos detentos é negra e pobre e, como o homem é falho, muitos estão lá injustamente; vemos, vez por outra, na TV as ocorrências de erros que imputam penas longas a pessoas inocentes. Imaginem essas pessoas inocentes morrendo injustamente, se aqui houvesse pena de morte!
A moda agora é a redução da maioridade penal! O que será que pretende o sistema governista ao permitir tal proposta? Não penso, jamais, em impunidade para adultos ou adolescentes! Mas penso que a questão está muito além de simplesmente colocar jovens abandonados pela vida atrás das grades.
Fiquei assombrada com duas notícias veiculadas há pouco. A jovem Andressa, de vinte anos de idade, chama a filha, com apenas seis meses de nascida, de “desgraça”, a tortura e sufoca com uma fralda e, além de tudo, filma o que faz! Com certeza, há pessoas desejando a morte de Andressa. As ações dela são repugnantes! Mas eu gostaria que todas as “Andressas” do Brasil fossem conhecidas e quantificadas. Realmente, há pessoas más no mundo, mas o número de pessoas más vem aumentando consideravelmente!
A outra notícia que me chocou foi sobre a morte incomum de Christopher Marquez, um mexicano de seis anos de idade. Duas meninas e três meninos, primos e irmãos de Christopher, resolveram brincar do que chamaram de “jogo do sequestro” e o menino era o sequestrado. Amarraram-lhe os braços e pernas e depois passaram a bater na criança com pedaços de madeira e pedras. Em seguida, um de seus irmãos o sufocou e o menino ainda foi esfaqueado para que não houvesse chances de sobrevivência. Enterraram-no em um terreno baldio, juntamente com a carcaça de um bezerro para “disfarçar o cheiro”. Sim! Foram crianças de doze a quinze anos que fizeram isso! Pena de morte a elas! Redução da maioridade penal para onze anos!
Fico assustada com uma maldade, mas fico estarrecida quando há muitas pessoas envolvidas nessa maldade! Será que as pessoas não percebem que a humanidade está doente? Um jovem homicida, sádico, praticar tortura contra outro ser humano é medonho, mas compreensível, pela própria natureza humana. Mas cinco adolescentes vizinhos e parentes da vítima, se juntarem com esse único propósito? Nenhum deles desistiu, achou que era demais? Nenhum deles teve medo, remorso?
 Infelizmente, penso que as pessoas vêm se transformando em sociopatas! Atitudes impulsivas e incontroláveis, frieza, insensibilidade com relação às outras pessoas, ausência de valores morais, desobediência persistente, crueldade com animais, destruição de propriedade, comportamento desafiador, agressividade, desrespeito às normas e regras, mentiras, mudanças súbitas de temperamento, furtos, fugas de casa... Reconhecem os sintomas da sociopatia em nossas crianças e jovens adultos?
O mundo globalizado ensina consumismo, arrogância, disputa e egoísmo. Os pais dessa geração foram crianças maltratadas pelo todo. Os adultos que praticam violências hoje, sofreram-nas, quando pequenos. Como maltratadas não digo somente as crianças pobres! Falo dos filhos de pais separados, cujas mães precisam trabalhar o dia inteiro e delegar a educação de seus filhos a terceiros; dos filhos cujos pais trabalham em grandes empresas, viajam e não têm tempo de perguntar se aquele muxoxo é devido a alguma tristeza ou insatisfação; dos filhos de pais que querem, a todo custo, a sua entrada no mercado de trabalho, mesmo que não seja esse o caminho desejado pelos filhos. Falo de crianças que precisam de um lar, não simplesmente uma casa, de conhecer a ética, a moral e o respeito ao próximo, a solidariedade. Sendo criados assim, sem parâmetros, que tipo de crianças esses pais poderiam educar? E nós? Podemos exigir de alguém aquilo que ele não possui, que ele desconhece?
O nosso trabalho deve ser feito paulatinamente, com profundeza e seriedade se quisermos, de fato, minorar os efeitos dessa violência. Mas os resultados são de longo prazo...
Não podemos mais fingir que nada está acontecendo e cuidarmos cada um de si. As proporções da violência e da deseducação foram longe demais!
Basta de placebos e paliativos! Vamos dar mais atenção às nossas crianças, desligar a TV e o computador e ir ao teatro, ao museu; vamos ensinar (e cobrar!) atitudes responsáveis e de fundo ético delas, desde pequenas; vamos exigir que as pessoas respeitem as nossas crianças e ensinemos o respeito também a elas; exijamos educação e saúde de qualidade, não só para os nossos filhos, mas os filhos de todos os brasileiros; obriguemos os detentos a trabalharem para terem direito a comida, vestimenta e abrigo, tal qual fazem os cidadãos de bem; que o governo ofereça cursos profissionalizantes para os presos que serão obrigados a cursa-los, bem como tratamentos de saúde, inclusive psiquiátrico, de qualidade; exijamos que os corruptos, políticos ou não, cumpram suas penas na cadeia, não em domicílio que, não raro, se estendem a Cancún; analisemos a possibilidade da prisão perpétua para os crimes hediondos e de não se colocar na rua traficantes e larápios em regime semiaberto, por falta de lugar nas penitenciárias; digamos “não” aos indultos...

Eu sei que isso tudo é uma utopia! Mas nós não podemos mais ignorar o fato de que a doença da maldade atingiu, em cheio, esse país, que foi uma doença planejada a fim de imobilizar o povo e já se tornou endêmica. E como toda doença ela precisa de tratamento, não de extirpação!