Quem sou eu

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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

terça-feira, 14 de junho de 2011

FIAT LUX (Beatriz Oliveira)



Fiat Lux!
E a luz se fez.
E a incidência da luz sobre as coisas materiais então criadas, gerou sombra.
E é assim que, desde então, nunca,
no mundo material, se separa luz e sombra.

Quem tem ouvidos de ouvir que ouça!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

NIETZSCHE



...Uma coisa sou eu, outra são meus escritos

sábado, 21 de maio de 2011

A ÁRVORE DA SERRA (Augusto dos Anjos)

- As árvores, meu filho, não têm alma!

esta árvore me serve de empecilho…

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs almas nos cedros… no junquilho…

Esta árvore, meu pai, possui minha alma!…

- Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:

“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”

E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!


Assim como eu, muitos podem pensar que o belíssimo poema acima se refere a preocupação ambiental e sustentabilidade no planeta. Assim pensando eu, amei-o quando o li na exposição literária Palavra e Imagem, no Centro Cultural Rio de Janeiro dos Correios.

Procurando o texto para reler, em casa, descobri que, na realidade, o texto se refere a outra coisa...

O pai de Augusto dos Anjos teria engravidado uma sua empregada e tomou a decisão de obrigá-la a fazer um aborto. Quando Augusto soube da decisão do pai, escreveu o poema acima.

Amei-o ainda mais!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

HIDROCEFALIA (Beatriz Oliveira)


Tenho pensado acerca dos meus excessos, meus líquidos...

E acabei chegando à conclusão de que o meu corpo não tem absorvido bem as lágrimas que tenho me negado a derramar, por uma “força” que teimei construir com o que chamam de maturidade.

Sempre evito reclamar das minhas mazelas e estou ininterruptamente sorrindo, apesar dos problemas que a vida me apresenta, o que faz os outros pensarem que eu sou uma pessoa altamente positiva e feliz.

Não me considero infeliz, que isso fique bem claro! Mas sou uma pessoa comum, com momentos de alegria e dor. Entretanto, que não se dá o direito de estragar o dia das pessoas ao seu redor com mau humor.

Há pouco tempo, pois, encontrei-me numa situação tragicômica: só, em meu apartamento, na madrugada, deitada em minha cama, com uma baita solidão, uma puta vontade de chorar e... Segurando o choro.

Pasmada, percebi o quanto essa coisa de positivismo me deixou doente! Eu tenho, durante muito tempo, me tirado o direito de me sentir triste porque a gente deve se sentir alegre sempre, dizem.

Há tempos, tenho dificuldade de derramar lágrimas. Preciso lançar mão de filmes tristes para alcançar o meu intento, quando muito necessito.

Passei, então, a elucubrar acerca da minha turva visão.

Meu cérebro tem produzido mais líquido do que o normal e a minha medula já não suporta mais a quantidade, não tem para onde enviá-lo e ele tem ido para os meus olhos. A minha visão está cada vez mais comprometida, mais embaçada, e eu sinto, amiúde, como se enxergasse através de um vidro úmido.

Frequentemente, é necessário abrir e fechar os olhos repetidas vezes, como que para espalhar as gotículas, para que seja possível enxergar um pouquinho melhor, mas a melhora não dura mais que algumas frações de segundo.

Lembro-me que, aos onze anos, quando ganhei minha primeira bicicleta tive vontade de gritar de alegria, mas não gritei, só agradeci, com educação. A educação que meus pais me ensinaram. E que na semana passada, quando bati o dedo do pé na mesa do trabalho, tirando um pedacinho dele, tive vontade de xingar e chorar, mas não fiz isso. Coloquei a mão na boca, fiquei vermelha e disse, com calma, que bati o dedo, enquanto ele sangrava.

Essa coisa me acompanha desde há muito tempo! Não sei quanto...

Acho que preciso voltar a ser criança... Mas não sei que criança. Não lembro quando fui uma criança capaz de gritar e chorar minhas dores e penso que elas foram-se acumulando no meu cérebro em forma de emoções líquidas que agora não têm mais para onde escoar.

E agora? Onde encontrar a idade ideal? Onde encontrar as lágrimas que teimam em não brotar? Aquelas que uma vez escravizadas não aprendem a se libertar. Aquelas de quem Saramago diz: "... então, já não chorava, mas os seus olhos nunca mais voltarão a estar secos, que esse é o choro que não tem remédio, aquele lume contínuo que queima as lágrimas antes que elas possam surgir e rolar pelas faces."...

domingo, 15 de maio de 2011

TIRO DE MISERICÓRDIA (Beatriz Oliveira)

Tudo bem a vida ser tão cara!

Tudo bem o governo não cuidar da segurança,

Do idoso, da criança,

E encher, com o meu dinheiro, a cueca imunda!

Tudo bem o salário ser pequeno,

A idéia ser pequena, o dinheiro ser contado

E os problemas escondidos atrás de um falso sorriso.

Tudo bem o mundo querer me transformar

Em uma Gisele ou Ivete qualquer,

Massificando-me com utopias de ser supermulher!

Tudo bem doer o corpo, a cabeça, a alma,

Engolir o café amargo e o amargo choro,

Perder a esperança, a fé, a calma...

Tudo bem ficar meses sem te ver!

Pensando em se eu ocupo um lugar na sua memória,

Se a minha voz envolve os seus neurônios,

Se eu fiz, de fato, parte da sua história.

Tudo bem um beijo seco e um sorriso frio...

Mas uma promessa quebrada é imperdoável!

Fez-se, em mim, de fato, um vazio palpável,

Quando seu corpo se negou a tocar o meu,

Tão sutilmente, aviltantemente, arredio.

Como se eu fosse uma cadela no cio,

De quem a distância traria paz.

Eu não queria muito mais que um toque...

Bastar-me-ia um abraço terno, de concórdia.

Quebrar a promessa, tão covardemente,

Foi, em meu amor, um tiro de misericórdia.

sábado, 30 de abril de 2011

CAPÍTULO IV DO ROMANCE DESENCONTROS (BEATRIZ OLIVEIRA)



_ Você aceita um copo de vinho?

_ Um copo?! – Motejou Heloísa. Ao que Vitor se enrubesceu.

_ Ah. Desculpe-me. Eu só estava brincando. Não quis te envergonhar. É que um homem sozinho em casa acaba nisso mesmo. Vinho se serve em taças. Mas confesso que eu prefiro tomá-lo no copo. Acho meio frescura essa coisa de talher pra isso, copo praquilo... Aliás...

Vitor interrompeu Heloísa com um beijo; doce e demorado. Ele era extremamente carinhoso, mas Heloísa estava surpresa. Durante todos esses meses ele nunca havia se insinuado, ou ela não havia percebido?!

_ Helô, será possível você nunca ter percebido o meu carinho por você? – E, antes que ela pudesse responder, ele a beijou novamente. Dessa vez, com mais ardor e apertou-a nos braços.

Heloísa estremeceu e sentiu um rubor interno, um frio na barriga... O beijo carregava carinho e insistência, deixando-a cada vez mais estarrecida e... Leve. Sua respiração tornava-se mais ofegante cada vez que a língua do rapaz escorregava para dentro de sua boca, molhando-a, sugando-a, mordendo-a. A sensação já era conhecida. Mas a intensidade era surpreendente! O homem que tinha diante de si lhe era desconhecido, já que seu doce amigo é o que lhe era familiar.

As mãos daquele estranho começaram a escorrer-lhe pelas costas e ombros. Seus dedos se emaranhavam nos cachos rubros de uma cabeça completamente tonta. Heloísa resolveu parar de analisar e se entregou aos sentimentos e sensações. Começou também a acariciar o corpo de Vitor. Percebeu na pele escura e suada pelos eriçados e uma sensibilidade assustadora. Ao tocar-lhe o corpo, Heloísa sentia espasmos de desejo movendo suas mãos. Ela gostou disso!

Vitor lhe beijou o pescoço, o ombro, o colo. Heloísa tirou, apressada a blusa cor-de-rosa e, então, podiam-se ver seus mamilos róseos. Ela tirou, também, a blusa dele, olhando-o nos olhos, enquanto lambia os lábios tensos. Vitor a puxou, devagar, pelo corredor e, assim, adentraram o quarto, jogando-se, ambos, na cama. Ele abriu a calça comprida de Heloísa e tirou-a, sem pressa, sorrindo pra ela. Beijou-lhe os pés muito brancos. Suas unhas pintadas de vermelho fizeram-no viajar por um mundo de pequenas cerejas doces, então os lambeu e sugou, com delicadeza.

Heloísa tentou levantar para beijá-lo, mas ele a impediu, com um leve toque no ombro. E baixando sua cabeça, passou a admirar a intimidade de sua amada. Vitor arfava e seus olhos brilhavam, enquanto descia a boca úmida até as coxas de Heloísa. Ele as beijou, enquanto ela soltava pequenos gemidos. Vitor beijou-lhe o sexo, a barriga, os seios, enquanto tentava lhe penetrar.

_ Devagar. Devagar. – Pediu Heloísa, com a voz trêmula e em sussurros.

Com muita paciência e docilidade, Vitor pôde sentir-se envolvido pela carne de Heloísa. E gemeu de prazer. Os dois se moveram com cuidado e tranqüilidade, embora desesperados. O respeito mútuo transformou aquele ato num momento de realização profunda e plena, onde um se fundia ao outro, através de olhares molhados que diziam: “posso?”, “pode!”, “com licença?”, “fica!”.

Heloísa despertou por volta das seis e meia. O sol já teimava na janela. Vitor dormia de bruços e ela pôde ver como seu corpo era belo. Ela nunca havia visto o corpo nu de João. E nem devia ter pensado nele agora! Vitor era mais velho, quiçá experiente. João nem devia saber aquelas coisas. Nunca teve sequer namorada! Repreendendo-se por seus pensamentos, Heloísa olhou em volta e viu um quarto de homem. Uma cama de casal, bem ampla, uma escrivaninha de mogno, como a cama, a lâmpada sem lustre, cortinas de um tecido colorido, pendente para o azul e, atrás da porta, um pôster de Marilyn Monroe nua, sobre um tecido vermelho.

_ Ela é linda, não?

Heloísa deu um salto e sorriu, respondendo:

_ Sim, ela é linda. Eu... Estava... Olhando... Tudo.

_ Pode olhar o quanto quiser, querida. Essa casa agora também é sua. – Disse Vitor, se levantando e se dirigindo à porta. – Se você quiser, eu jogo fora esse pôster e ponho um seu. Você é minha musa agora.

_ Você faria isso?

_ E porque não? Já estamos juntos há tanto tempo... Conhecemo-nos muito bem. Aliás, o que você acha de nos casarmos?

_ Como assim? – Perguntou Heloísa, estarrecida.

_ Casando, oras. Na Igreja. Vestido de noiva, flor de laranjeira... – Ele continuou, passando as mãos nos cabelos curtos e crespos.

Heloísa pulou da cama e se vestiu apressadamente, jamais havia pensado nessa possibilidade, essa proposta... Enquanto ela se movimentava rápida como uma lebre, Vitor se sentou na cama e ficou observando aquela linda mulher cujo corpo ele fora o primeiro a possuir, mas cujo coração jamais lhe pertenceria. Ele fechou os olhos e abaixou a cabeça, enquanto Heloísa saía devagar.

_ Desculpe-me. Eu preciso ir.

domingo, 24 de abril de 2011

PÁSCOA (Beatriz Oliveira)


... Que seja renascimento de caráter e de respeito.
Que ressurjam o amor, os sonhos, a fé e a esperança.
Que brotem nos corações a força, a coragem e a determinação daquele ícone por quem paramos as vidas, nessa semana, mas a quem insistimos em não seguir
..., evitando repetir seus atos mais simples.
Que seja renascimento da simplicidade e da honra, como de quando bastava a palavra de um homem para se fiar e o dinheiro não era o rei; de quando era possível se abrir as portas para um homem que pedia abrigo e, enfim, receber as bênçãos pelo bem ofertado.
Que não seja a páscoa dos ovos de chocolate!
Que seja a Páscoa dos Homens de Deus que já se cansaram do mal e estão plenamente dispostos ao bem, custe o custar!
Faça a sua parte pelo mundo e ensine as suas crinaças a fazê-lo. Com o tempo, o mundo será um lugar melhor!

"Glória a Deus nos Céus, e paz na terra aos homens de boa vontade"