
Quem sou eu
- Beatriz Oliveira
- Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
- Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.
sábado, 14 de março de 2009
FORÇA (Beatriz Oliveira)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A mulher só (Beatriz Oliveira)
Enquanto o vento sopra meus cabelos,
Eu não posso percorrer meu caminho.
Procuro uma saída,
Mas tateio, sem ver,
As paredes de uma caixa de vidro.
Meus olhos se umedecem da poeira
E da dor de não poder sair.
Estou dentro de uma caixa de vidro,
No meio de uma praça,
Vendo pessoas envolvidas em suas vidas
Correrem de um lado ao outro,
Sem se importarem com mais nada.
Eu grito, choro e bato,
Mas ninguém é capaz de me ouvir...
Ninguém é capaz de me ver,
Porque estou encerrada em mim mesma
E tenho um sorriso nos lábios.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
NOITE EM CLARO (Beatriz Oliveira)
Os dois se deitam juntos. Dizem: “Boa noite.” “Boa noite.” Em três minutos, ele começa a roncar. Ela pede: “Vira de lado”. Ele vira,
Tivera um dia difícil: Levantou às seis e colocou o filho pequeno na van para a escola. Sacudiu a filha adolescente, a fim de que ela não perdesse o curso de inglês. Deu ordens à diarista. Beijou no rosto o marido e saiu.
Ralou o dia inteiro, subindo e descendo escadas, levando documentos e broncas, sempre com um sorriso no rosto. Tinha um belo sorriso. Foi cantada pelo porteiro e, pela milésima vez, se fez de desentendida. Foi cantada pela executiva que tinha uma sala em frente à sua. Fez-se de desentendida também.
Passou no supermercado. Comprou mamão, alface, detergente. O cartão não passou. Defeito na máquina. Correu no caixa eletrônico e tirou o dinheiro. Voltou e pagou a compra, sob os olhares acusadores dos outros. Não ligou. Sempre há olhares acusadores.
Tropeçou no tapete da entrada. Beijou o filho. Telefonou para saber onde a filha estava. Sala de aula. Sentou-se no sofá. O marido chegou. Ela deu banho no menino e o pôs na cama. Esquentou o jantar, mas só enrolou a alface no garfo. O marido tomou duas latas de cerveja sob o seu olhar acusador. Não devia olhar assim...
Tomou banho. Estendeu a toalha. Guardou a comida. Lavou a louça. Agora, estava deitada, cansada e sem sono. Virou pro lado e deu de cara com as costas do marido. Virou pro outro e deu de cara com o vazio. Fechou os olhos e pensou que talvez transar ajudasse a dormir. O marido roncava.
Ela tocou o próprio seio e o mamilo enrijeceu. Abriu as pernas e tocou o clitóris. Rijo também. Mas a mente estava vazia. Nenhuma fantasia. Nenhum desejo. Só a reação física ao toque. O silêncio ficou pesado. Secou os dedos molhados no lençol e ficou assim, olhando pro teto, até o dia amanhecer...
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
ROUBO NO FÓRUM (Beatriz Oliveira)
Mais um caso de roubo na porta do Fórum.
Das outras vezes tudo aconteceu com pessoas desconhecidas. Próximas, mas desconhecidas. Esses cidadãos, advogados, clientes e concursados pelo Estado do Rio de Janeiro, que trabalham no Fórum de Duque de Caxias, foram interpelados por homens armados, foram ameaçados e feridos em seus corpos, em seus bens, em suas almas, várias vezes, desde que o Fórum foi colocado ali, num bairro não muito bem quisto, à beira de uma pequena comunidade.
Nada contra a comunidade que, aliás, é inofensiva. Crianças correm pela rua. Adolescentes grávidas passeiam seminuas à frente do prédio público. Barraquinhas de água de côco e de doces espalhadas pela rua. A Pensão da Bahiana, que virou self-service, acompanhando a evolução do lugar. Tem, até, aluguel de roupas, praquele cidadão incauto que esqueceu que não se pode entrar em repartições públicas vestindo bermuda.
Tem tudo, menos segurança! A cantina do pátio foi arrombada várias vezes, nos finais de semana, e o dono não prestou queixa, creio eu, pra não perder a concessão. O caminho do ponto de ônibus até o Fórum e vice-versa é uma prova de resistência ao medo e ao pessimismo. Ir trabalhar significa vencer seus limites e acreditar em Deus (mesmo que você seja ateu). E agora, nem mesmo de carro o funcionário está seguro.
Hoje, minha chefe teve seu carro “fechado”, na esquina, por outro carro. Foi retirada de dentro do seu veículo, depois de levar dois tiros (que, graças a Deus não a atingiram). Sua carona, outra amiga, levou um soco e caiu no meio-fio porque demorou a sair, quando ordenada. Eu ouvi os tiros, do posto bancário que há dentro do Fórum. Todos na rua ouviram. Os moradores foram pras janelas. Os dois policiais, que ficam baseados lá, também ouviram, mas nada puderam fazer porque não tinham uma viatura para seguir os bandidos.
Perguntas que não querem calar: Até quando a administração pública (Juiz Dirigente do Fórum, Presidente do Tribunal de Justiça e Governador do Estado do Rio de Janeiro) vai permitir que seus funcionários sejam atacados por bandidos, à luz do dia, indo e vindo de seu local de trabalho? Até quando os funcionários do Fórum de Duque de Caxias vão suportar tal insegurança e descaso?
Creio que a resposta é bem simples: até que um Magistrado (ou o próprio Juiz Dirigente) seja a vítima. Enquanto isso, colegas, rezem ao sair de casa para o trabalho porque, no que tange ao TJRJ, somente Deus é por nós.
(Duque de Caxias, 16/01/2009.)
sábado, 10 de janeiro de 2009
A ALVORADA DO AMOR (Olavo Bilac)

Um horror grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:
"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!
Vê! tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...
Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!
Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
- Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A Natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!
Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico, na terra, à luz dos olhos teus,
- Terra, melhor que o céu! homem, maior que Deus!"
ORÁCULOS (Beatriz Oliveira) - Música (Valsa)
AS CARTAS, OS BÚZIOS, AS RUNAS,
MOMENTOS DE SONHO E DE FÉ;
QUASE ROMANCES, QUASE FORTUNAS,
A VIDA SEMPRE COMO QUASE É.
QUASE INOCÊNCIA OU TOLICE, TALVEZ,
AMOR DE MENOS, SOLIDÃO DEMAIS,
EU PASSEI MUITO TEMPO ESPERANDO UM AMOR
QUE, AO QUE VEJO, NÃO VIRÁ JAMAIS.
ESTOU JOGANDO AS CARTAS NO FOGO,
ESTOU JOGANDO OS BÚZIOS NO MAR,
ESPALHANDO AS RUNAS NA TERRA,
DECLARANDO GUERRA AO VERBO “ESPERAR”.
ESTOU VIVENDO O PRESENTE DE FATO,
EXPIRANDO O FUTURO NO TEMPO,
APRENDENDO A BELEZA DA VIDA
QUE É VIVER O PRESENTE MOMENTO.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
A HISTÓRIA OCULTA DA MÚSICA (Beatriz Oliveira)
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