Quem sou eu

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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

terça-feira, 15 de junho de 2010

LETRAS - EL BICHO


“El Bicho é um grupo musical espanhol que combina a fusão do flamenco com rumba, tango e bulerias, com dicas de jazz, rock, ritmos Africanos e do Magrebe” - Google -, ou seja uma deliciosa loucura rs rs rs.
Sou apaixonada por esses caras. A música deles me enleva. A minha raiz espanhola grita quando Miguel Campelo canta e meu corpo arrepia inteiro.
Mas uma notícia me deixou pensativa, na razão de ser das coisas, mais uma vez, na questão do que se faz ao que é bom e do valor que se dá ao que não é bom nessa nossa cultura ou falta dela: o grupo vai parar. Não deram motivo. Só disseram que precisam de um tempo e que talvez algum dia voltem a se reunir.
Fica uma tristeza profunda em mim e a certeza, ainda maior, de que a cultura e a beleza das artes está mesmo a ir para o esgoto.
Com as minhas lágrimas, uma sincera homenagem a El Bicho.


domingo, 6 de junho de 2010

Mais de Mim (Beatriz Oliveira)



Fui adentrando a floresta escura e densa
Na fuga de mim mesma e à busca de outro eu.
Passei a vida sob os galhos, as sombras e copas,
Entre os espinheiros, lamaçais e tocas.
Fiz-me companheira das feras e dos répteis
E aprendi o silêncio do medo.
(A floresta escura dá medo!)
Caminhando sempre, para não parar,
Fui chegando a uma clareira aberta
E meus olhos quase cegaram sob a luz.
Ao olhar para o chão pude perceber flores ao redor,
Um campo imenso de flores coloridas, limpas, claras...
Borboletas, não falenas, cercavam-me como fosse eu flor
E o toque de suas asas me eriçava os pelos e os pensamentos.
Ao olhar para cima, pude ver o céu dourado e azul
E algo tocou a minha alma,
Que eu já julgava morta:
Uma águia, que eu, antes, só via nos galhos,
Voava na imensidão, na velocidade do vento,
E suas asas eram do tamanho do infinito.
(Seu grito ainda ecoa no meu peito!)
Naquele momento,
Notei-me no centro de um círculo de medo.
É preciso gritar! É preciso voar! Mas para onde?!
Todos os caminhos vão dar na floresta...
Fui adentrando a floresta escura e densa
Na fuga do outro eu, à busca de mim mesma: a águia.
Vou atravessar os galhos, as sombras e as copas,
Entre espinheiros, lamaçais e tocas.
Far-me-ei companheira das feras e dos répteis
E farei silêncio.
Não por medo. Por certeza:
Eu vou voar!!!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sinto Muito (Beatriz Oliveira)

Sinto muito, querido, mas devo dizer,

Meu amor em nada precisou da tua contribuição.

Fez-se, traduziu-se, em si aflorou...

Foi somente meu o momento da sua criação!

Não queiras para si tomá-lo,

Como fosses soberano da tua vida e da minha.

Toma somente vinho, (e no gargalo!)

A fim de embriagar-te e entornares teu ser...

É o que eu gostaria imensamente de ver...

Tu, descendo do alto da tua arrogância,

Escorrendo os vetores, vertiginosamente, na pele,

À busca de mim, no nada, na ânsia...

Mas tal é somente para um ser maior,

Um que, talvez, somente sejas quando, de fato, o fores,

Um que saiba ser, no anseio, o deleite e o desvanecimento.

Um que morra e viva de amor e de contentamento

E receba os doces, as mãos, os beijos, as flores...

Sinto muito, amor, mas devo dizer,

Tantas coisas são difíceis quando se é pequeno!

Não me queiras, então, dar o pouco qu’inda tens,

Não pretendo tirar-te, agora, teu cumeno.

Deixo-o a cargo da vida...

Tenciono, entretanto, responsabilizar-te, anjo,

Em nada precisou da tua contribuição o meu amor!

Ao contrário, a minha dor, tu a geraste

Com o teu silêncio e a tua indiferença.

E, por mais que eu queira, não há desejo que baste

Para evitar que se irrompa e deflagre a descrença

Nos sonhos de juventude e na paz de hoje em dia.

Jovem eu não serei jamais. O tempo passou, enfim.

E, paz não haverá um só instante,

Enquanto eu não te der o que há de melhor em mim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De coisas que ainda não são... (Beatriz Oliveira)

Sinto saudade do teu sorriso mais franco,
Das tuas mãos me escorrendo mãos e dedos,
Do ar fluindo quente.
Sinto saudade do teu desejo estampado,
O que eu queria ver e tu não me mostraste,
Deixando-me candente.
Sinto saudade de todas as caminhadas
Que nós ainda não fizemos de mãos dadas
Em direção ao leste.
Sinto saudade dos nossos abraços ternos,
Dos olhares profundos, dos beijos suaves
Que ainda não me deste.

terça-feira, 11 de maio de 2010

CHORAR... (Beatriz Oliveira)



Se chorar te fizesse meu,
“Eu, eu, eu” tu gritarias quando eu chorasse,
E as nossas almas voariam plenas,
Como se um coro de arcanjos no céu cantasse.
Se prantear meu te tornasse,
Esta noite tu adentrarias a janela,
Junto ao raio alvo de lua,
E me amaria com a pureza de um arcanjo
E me tornaria tua, somente tua.
Mas chorar não te traz a mim...
Por isso continuo a chorar, assim...

domingo, 25 de abril de 2010

NA CAMISA (Beatriz Oliveira)


Há uma camisa de força apertando meu peito.

Enrola-me os braços, as mãos, os dedos,

Prende-me o pescoço, o queixo, a boca.

Somente meus olhos podem falar por mim.

Ando por aí, presa, clamando com os olhos,

Pelo ar que já não existe à minha volta.

Por mais que tente, eu não posso respirar.

Minha agonia é tomada por torpeza,

Pretensão e loucura e ninguém vê

Que é verdade: sua ausência é a camisa.

Quero despir-me e andar nua de ausências,

Nua de solidão, de tristeza, nua de insônia...

Quero vestir sua camisa de malha azul clara

E andar pela casa, com os braços soltos,

Com os seios soltos, prontos para a sua boca.

Quero respirar leve, livre e adormecer de cansaço

Depois de suar na camisa.


Eu só preciso que você desate o nó, nas minhas costas...

terça-feira, 20 de abril de 2010

MENOS MAL (Beatriz Oliveira)

Se você me perguntasse o que eu sinto,
Não saberia dizer...
Sinto uma paixão tão intensa
Que tremo ao ouvir seu nome,
Ao olhar seu rosto, ao sentir seu cheiro.
Seu suor me é aprazível
Como o é o mar aos peixes. Vital.
Não há como não tocá-lo quando sua.
'Inda me controlo veementemente para não lambê-lo.
Sinto um amor tão terno
Que acho lindo o sorriso mais simples
E nele vejo a estrela mais bela do céu
E o céu da minha boca anseia tê-la.
Não há como não salivar quando sorri.
'Inda me controlo consideravelmente para não beijá-lo.
Sinto um desejo tão intenso
Que meu corpo arde em suas mãos. E travo!
E continuo ardendo por horas a fio
Enquanto seu beijo esfria em meu rosto.
Tento fantasiar uma noite de amor,
Mas você é meu anjo e não consigo senti-lo em mim.
Chego a pensar que é realmente um anjo.
Será pecado o que sinto e penso?
Eu não saberia dizer
Mas, se você me perguntasse o que eu sinto,
Acho que eu me sentiria menos mal...