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Quem sou eu
- Beatriz Oliveira
- Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
- Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
A HISTÓRIA OCULTA DA MÚSICA (Beatriz Oliveira)
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domingo, 4 de janeiro de 2009
DEMÔNIOS (Beatriz Oliveira)
Há, em mim, vários demônios.
Um ama a mentira e,
Freqüentemente, avilta minha inteligência,
Com seus desejos fugazes.
Outro ama a loucura e,
Às vezes, me assalta, inesperadamente e,
Ao ver-me, já me encontro na camisa.
O outro ama a liberdade!
Esse, de vez em quando, me ajuda,
Rasgando minhas vestes.
Outro ama a minha nudez e,
Mesmo sem jeito, ao custo de cravadas,
Tenho que despir-me pra ele.
Esse é muito mau!
Não respeita o tempo, nem conhece limites e,
Quando me visto,
Ele me rasga o peito.
Há, em mim, outro demônio
Que ama a dor e,
Quando tudo vai bem, me espeta.
Então, eu sei que devo
Providenciar-me algum mal.
Há, porém, em mim,
O pior de todos os demônios:
O que ama a emoção.
Seja qual for, ele ama.
Quando minto ou me dispo,
Quando minha mente se perde,
Quando busco a folha da parreira,
Quando invento casos, acasos,
Atrasos, descasos,
É sempre quando ele me ama.
Meus demônios vivem brigando!
E os chamo “meus” porque de mim brotam.
Sou sua mãe, seu algoz, seu deus,
Sou a mão que os acaricia ou tortura.
Quando estão tristes, os acalento.
São meus filhos,
Crianças com brinquedo novo.
Não posso matá-los!
Devo dominá-los e amá-los, pois são meus.
Não ouso o exorcismo!
Há, em mim, apenas o que sou.
Se matá-los, morrerei!
Se eu morrer virão fantasmas...
Eu prefiro meus demônios aos seus fantasmas!
Demônios são anjos. Crescerão.
Fantasmas não são nada
E o nada é meu oposto.
Em mim, sou tudo de mim.
Eu amo meus demônios
E odeio os fantasmas...!
sábado, 3 de janeiro de 2009
A PAZ DO SENHOR (Beatriz Oliveira)
Tu deste calma ao mar, Jesus,
Quando era tempestade,
Fazendo vigorar tua vontade.
Faz assim, Senhor, na minha vida.
Dá paz ao meu coração.
Acalma esse mar de lágrimas.
Eu preciso, Senhor, da tua paz.
Eu preciso, Senhor, da tua paz.
Eu preciso descansar nos teus braços e sorrir.
Dá-me, Senhor, a tua paz.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
ANO NOVO (Beatriz Oliveira)
Mais um ano se passou... Trezentos e sessenta e cinco dias de batalhas, medos, sonhos e esperança. De nada adiantaram as promessas feitas sob o brilho dos fogos de artifício, sob as lágrimas de desespero e expectativa.
De nada adiantaram os desejos e aspirações, a abertura dos porões, as flores no mar... Este ano foi igual ao que passou!
Mais um ano de dificuldades e frustrações e, principalmente, de solidão. Mais um ano de lutas perdidas, contra a tristeza, o pavor e a cama vazia.
Amanhã, todos se abraçarão, jurando terem esquecido as ofensas, as dificuldades e dizendo que o ano vindouro será bem melhor.
Mas tudo não passa de mero sonho! As pessoas voltam a brigar, a chorar, a sofrer, a agredir e a perceber que nada mudou. Foi assim no ano que passou...
Há cerca de cinco anos, percebi a mentira que envolve o ano novo. Mais uma em meio a tantas que nos cercam.
A gente deseja tudo de bom, Mas não é assim que funciona. Crianças continuam sendo molestadas, pessoas sendo mortas, drogas e armas vendidas sob os nossos narizes. Compramos coisas e continuamos infelizes.
E o novo ano vem assim, marcado de incertezas e certezas absurdas.
Simpatias e oferendas não fizeram a vida melhor. Sequer nossas falhas atitudes fizeram-na assim.
Mais um ano se passou e não fiz nada diferente...
Trabalhei, chorei, esperei e mais nada. Nenhum plano concretizado, nenhuma conquista ao porvir. Pra mim, não há ano novo.
Só o mesmo tempo que se prolonga, indefinidamente, até a gente partir.
domingo, 28 de dezembro de 2008
FOLHAS (Beatriz Oliveira)
Folhas verdes, folhas amarelas,
Folhas dentadas, folhas banguelas,
Folhas vermelhas de imaginar o sangue,
Folhas molhadas, espalhadas no mangue.
Cem folhas de flandres, sem folhas nos Andes,
Mil folhas no doce, mil folhas em Londres.
Folhas de seda no caderno,
Folhas de coca no meso-inverno,
Folhas de ouro no anel do amor,
Folhas rasgadas de pura dor.
Folhas lisas, boas pra escrita,
Folhas do espelho que me faz bonita.
Folhas caídas no outono vigente.
AO MENOS ASSIM (Beatriz Oliveira)

Eu sonhei viver por você...
E tantas lágrimas derramei,
Por não te ter.
E somente a sua lembrança
Me fazia sentir em casa.
Eu sonhei como ninguém sonhava.
E é tão difícil acordar e não te encontrar,
Porque ainda está escuro.
Eu vou chorando toda a água
Que há no mundo.
E as lágrimas me limpam
De toda a inverdade e de todo mal.
Vivo a conversar comigo mesma
E a me contar os seus segredos,
Pra não me sentir só.
E vivo mentindo,
Dizendo que você vai chegar,
A qualquer momento,
Pra deixar você à vontade,
Pra realizar tantas coisas sem mim.
Ver você assim, me faz mais viva.
Estou chorando abundantemente,
Porque não me falta água,
Quando você não está aqui.
O meu choro será o teu recanto,
Quando você quiser chegar.
Estarei sempre sonhando,
Vivendo por você
E derramando quantas lágrimas
Forem necessárias pra me sentir viva,
Ao menos assim.
DESCONHECIDO (Beatriz Oliveira)

E tudo que eu vivo carrega a tua essência,
Com profundidade e ardor.
Nas escassas caminhadas e na eterna depressão diurna,
Atiro contra mim mesma, tendo resvalados os tiros a esmo.
Teu sorriso me atinge mais certeiro que a arma.
Ma armo até os dentes e até aos dentes tu me desarmas,
Sorrindo-me e me fazendo sorrir,
Como criança que nada quer,
Como escroque que quer o que não tem.
Em cada pensamento noturno, revivo teu cheiro,
E tudo o que vivo é, de fato, a esperança do teu gosto.
E nos telefonemas diurnos, te vivo no meu próprio rosto,
Reflexo do espelho, onde desejo te encontrar.
