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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

TANTO SER (Beatriz Oliveira)


Amo tanto assim um ser

Que, por ser assim, tanto

Me faz amá-lo, portanto

Digo que amo verdadeiro ser.


E por assim tão completo ser,

Não há que dizer que o amo tanto,

Pois que o mundo já percebe o encanto

Que esse amor reflete no meu ser.


Amor tão perfeito, tão ser,

Como existente, completo é tanto,

Que pelas vidas permanecerá o encanto.


O encanto de eterno e só nosso ser.

Um encanto na vida de todo ser

Que fizer por mais todo o nosso pranto.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

SONHO... (Beatriz Oliveira)


Como eu sonhei com este momento...

Poder olhar nos teus olhos com entrega e verdade.

Poder beijar teus lábios com força e desespero.

Poder tocar teus seios desvelados com ânsia e estupefação.

Como eu sonhei, Lua Encarnada, morder-te a face oculta,

Com doçura e salivação,

Entrecruzar pernas com pernas,

Com leveza e sedução,

Arranhar-te as costas, com ganância e remorso.

Como sonhei ó, Pérola Terrestre,

Olhando-te o corpo farto e lento,

Como a fera que observa sua presa,

Com o olhar esgazeado e a boca em queda.

Como sonhei com isto, ó, Girassol Sem Turno,

Banhar-te as pétalas rijas,

Com o pólen resulto da tortura que me impuseste,

Com gritos, delírios, com loucura.

Como sonhei, Nobre Figura,

Tomar teu corpo após a tempestade e te cobrir

Com o manto da tua própria majestade.

Sonhei, Mulher, e hei de sonhar em cada aurora:

Odiar-te com desejo e amar-te,

Para sempre, como te amo agora!

TORMENTA E DESESPERO (Beatriz Oliveira)

Ah, boca maldita,
Que diz o que penso
No eterno momento
Pérfido de desejo!
Ah, olhos que se abrem
E se torcem, esgazeando,
E delatando tudo que vejo!
Será possível ser paciência
Tolerância e sapiência,
Vivendo um sabor de menta,
Cheirando paz
E exalando tormenta?

SENSUAL (Beatriz Oliveira)


Num fio de dor, minha alma chora.

Num mar de ilusões, o corpo se agita.

Num medo inteiro, minha boca ora:

Muitas canções, palavrões e desdita.


Num contraditório mundo de vida

E de morte, há mais esta que aquela.

Vaga meu corpo. Eu, só e perdida,

Fugidia, almoçando na gamela.


Sou um bicho. A fera esfomeada,

De garras, saliva e mais desejo,

Revolvo o lixo do tudo e do nada.


Meu corpo clama pelo bom cortejo,

Esgazeando na noite apagada

E mesmo no escuro eu te vejo!

A SOLIDÃO (II) (Beatriz Oliveira)


A solidão é uma dor desesperadora!

É um sentido que entorpece os sentidos.

É querer ser, agora, o que antes fora.

É ver todos os futuros perdidos.


A solidão é uma dor lancinante!

É o desejo intermitente da prece.

É a droga alucinógena fulminante:

Não se quer... Se toma... Se enlouquece...!


A solidão é um caminho doente:

Entre uma ou mil e uma gente,

Não se quer, mas se é arredio.


Maléfica, é do bem maledicente!

Que a solidão me apunhale fortemente

Para encher, ao menos, de morte esse vazio!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

MEU ESPELHO (Beatriz Oliveira)


Meu espelho não me reflete.

Só reflete o que não vejo quando olho pra mim.

Quando olho para o meu "eu",

Vejo algo que o espelho não pode refletir.

Algo inerente à minha alma.

Ainda não fizeram espelhos capazes de refletir a alma.

Meu espelho só reflete uns pedaços de carne,

Que revestem o que eu sou de verdade.

PONTO FINAL (Beatriz Oliveira)



Às vezes, a tristeza me invade a alma

E me faz tão pequena, quanto um ponto no fim de uma frase.

O ponto final.

Até escrever me leva ao fundo, enfim, toda frase tem de ter um ponto final.

Em cada um, me lembro do quão pequena eu sou, naquele momento.

Pontos finais são terroristas, embora ainda não saibam disso.

Acho que deveria haver flores ao final de cada frase.

Flores são delicadas, fáceis de fazer e denotam continuidade, vida.

Pontos finais dizem que acabou.

Não lido bem com o fim.

Por isso, detesto pontos finais.

De onde vem a tristeza, não sei dizer...

Mas a pequenez vem dela e dela também o ponto.

Às vezes decido chorar a fim de por fim à tristeza,

Ajudando-a a sair.

Mas também as lágrimas têm fim,

O que me leva de volta ao ponto... final...

Decidi que vou colocar traços no fim de cada frase -

O traço é pequeno, mas é maior que o ponto

E denota seguimento -

Sim -

Embora pequena e triste, eu sigo!

Sigo para onde o fim da tristeza finalmente chegará -

Para onde descobrirei a alegria -

Para onde encontrarei outro traço em seguimento -

E seremos dois traços, quatro braços, oito laços -

Laços de amor e companheirismo,

De paz e de pontos finais -

Afinal, o fim é inevitável -

E voltamos ao início...

Sabe? Aquela história do ponto final...

Mas se volta ao início,

Não há desperdício!

E o ponto se torna uma pausa mais longa-

Não gosto de pausas,

Mas não posso evitá-las-

Por isso eu choro-

Só por isso, e ponto final.

(19/10/06)