Quem sou eu

Minha foto
Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De coisas que ainda não são... (Beatriz Oliveira)

Sinto saudade do teu sorriso mais franco,
Das tuas mãos me escorrendo mãos e dedos,
Do ar fluindo quente.
Sinto saudade do teu desejo estampado,
O que eu queria ver e tu não me mostraste,
Deixando-me candente.
Sinto saudade de todas as caminhadas
Que nós ainda não fizemos de mãos dadas
Em direção ao leste.
Sinto saudade dos nossos abraços ternos,
Dos olhares profundos, dos beijos suaves
Que ainda não me deste.

terça-feira, 11 de maio de 2010

CHORAR... (Beatriz Oliveira)



Se chorar te fizesse meu,
“Eu, eu, eu” tu gritarias quando eu chorasse,
E as nossas almas voariam plenas,
Como se um coro de arcanjos no céu cantasse.
Se prantear meu te tornasse,
Esta noite tu adentrarias a janela,
Junto ao raio alvo de lua,
E me amaria com a pureza de um arcanjo
E me tornaria tua, somente tua.
Mas chorar não te traz a mim...
Por isso continuo a chorar, assim...

domingo, 25 de abril de 2010

NA CAMISA (Beatriz Oliveira)


Há uma camisa de força apertando meu peito.

Enrola-me os braços, as mãos, os dedos,

Prende-me o pescoço, o queixo, a boca.

Somente meus olhos podem falar por mim.

Ando por aí, presa, clamando com os olhos,

Pelo ar que já não existe à minha volta.

Por mais que tente, eu não posso respirar.

Minha agonia é tomada por torpeza,

Pretensão e loucura e ninguém vê

Que é verdade: sua ausência é a camisa.

Quero despir-me e andar nua de ausências,

Nua de solidão, de tristeza, nua de insônia...

Quero vestir sua camisa de malha azul clara

E andar pela casa, com os braços soltos,

Com os seios soltos, prontos para a sua boca.

Quero respirar leve, livre e adormecer de cansaço

Depois de suar na camisa.


Eu só preciso que você desate o nó, nas minhas costas...

terça-feira, 20 de abril de 2010

MENOS MAL (Beatriz Oliveira)

Se você me perguntasse o que eu sinto,
Não saberia dizer...
Sinto uma paixão tão intensa
Que tremo ao ouvir seu nome,
Ao olhar seu rosto, ao sentir seu cheiro.
Seu suor me é aprazível
Como o é o mar aos peixes. Vital.
Não há como não tocá-lo quando sua.
'Inda me controlo veementemente para não lambê-lo.
Sinto um amor tão terno
Que acho lindo o sorriso mais simples
E nele vejo a estrela mais bela do céu
E o céu da minha boca anseia tê-la.
Não há como não salivar quando sorri.
'Inda me controlo consideravelmente para não beijá-lo.
Sinto um desejo tão intenso
Que meu corpo arde em suas mãos. E travo!
E continuo ardendo por horas a fio
Enquanto seu beijo esfria em meu rosto.
Tento fantasiar uma noite de amor,
Mas você é meu anjo e não consigo senti-lo em mim.
Chego a pensar que é realmente um anjo.
Será pecado o que sinto e penso?
Eu não saberia dizer
Mas, se você me perguntasse o que eu sinto,
Acho que eu me sentiria menos mal...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Faça-me o favor! (Beatriz Oliveira)

Não!

Um abraço só não basta!

Tenho desejo de envolvê-lo inteiro,

Num carinho terno e contínuo,

Enquanto beijo seu rosto, seus olhos, seus lábios...

Não, não basta somente um abraço!

Desejo beijá-lo docemente,

Primeiro o rosto, depois o dorso,

Depois o resto, sem pudor algum,

Sem nenhum limite,

Enquanto sinto crescer sua “dorprazer”

E explodir sua vida inteira em mim.

Não. Definitivamente,

Um abraço só não basta!

Um beijo deve ser dado.

Um beijo bem viajado, molhado,

Pra valorizar meu calor.

É o mínimo, menino.

O mínimo!

Por favor!

segunda-feira, 15 de março de 2010

A VOZ DO DESTINO (Beatriz Oliveira)


Sentada, olhando ao longe,

Confundo teu balanço com as ondas.

O mar dessa cidade te anuncia.

Som, sol, juventude, alegria.

Teu sorriso é a melhor coisa desse lugar.

Às vezes, caminho procurando te encontrar,

Mas o destino manda que te escondas.

Ando sonhando com a tua luz.

E é bom, pois ando iluminada.

E tudo que eu desejo é que vejas a minha luz.

Mas esse não é meu tempo, nem meu lugar,

E o destino manda que eu me esconda...

terça-feira, 9 de março de 2010

ESTRATAGEMA (Beatriz Oliveira)


Pensa no meu poema como a implicação de um teorema,

Sobre o qual me debato e desespero na ânsia louca de provar.

Por isso, escrevo coisas que desejo, sonho e almejo,

Coisas que penso incessante e ardentemente um dia alcançar.

Penso em beijar tuas gemas. Esmeraldas claras.

Beijá-las tanto e tão docemente, que teus lábios ardentes

Tremam por esperar um beijo doce da minha boca rara

E tuas mãos tateiem o ar a busca de algo inexprimível.

Penso no meu poema como um pequeno estratagema,

Um modo de mostrar-me, dizer-me, desnudar-me,

Por isso, escrevo o que penso, sinto e vejo,

Com o intento de que vejas além do que olhas, a olho nu.

Com o intento de que queiras ver o meu corpo nu.