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Maricá - Itaipuaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Sou poetisa, cantora, compositora e amante das artes.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MICHAEL JACKSON














Eu não era fã do Michael Jackson. Eu gostava do som, mas não tinha um disco seu sequer. Apesar de admirar o seu grande talento, sempre reservei os bancos dos ídolos aos cantores da MPB. Eu também não tenho discos de Simply Red, Steve Wonder, Mariah Carey...
Devo dizer, entretanto, que a partida de Michael mexeu comigo. Primeiro porque a música Pop perdeu um grande ícone. Não houve nenhum astro Pop como ele: arrojado, corajoso, inovador e sempre atualizado.
Depois, porque eu tinha esperança de que ele ainda encontrasse a felicidade.
Michael Jackson era, para mim, um bibelô querido ao qual eu recorria, de vez em quando. Mas, agora, o bibelô se quebrou. Confesso que a ficha ainda não caiu. Eu fico vendo todas essas pessoas falando dele como se fosse uma aberração e não um ser humano que definhou sob o peso de tanto sofrimento.
Hão de perguntar: “A morte absolve as pessoas?” Eu digo que não. Penso que o que absolve as pessoas é o fato de serem humanas.
Nós jamais saberemos ao certo se ele realmente cometeu abusos contra crianças, se cometeu, mas, se cometeu, me admiram os pais das crianças receberem dinheiro e se calarem.
Acho que há muitas pontas soltas nessa colcha de retalhos. Acho também que há pessoas tão famosas quanto ele ou completamente desconhecidas que fizeram ou fazem coisas semelhantes ou piores, mas que nós simplesmente desconhecemos ou não queremos ver.
Penso que o pequeno Michael deve ter-se trancado numa cova escura e fria para fugir das visitas noturnas do pai, de seu assédio moral, da perda da infância e que o palco fosse o único momento real de felicidade para ele, embora sendo fantasia. A única coisa que tirava o pequeno Michael da sua solidão eram os flashes.
A verdadeira família de Michael de Michael eram os seus fãs. Quando cantava e dançava para eles, sentia-se amado e valorizado, forte, até invencível, mas “sua família” confundiu o grande Michael Jackson com o pequeno Michael e o abandonou. Seu último disco não emplacou um só sucesso e ele voltara para a solidão.
Bem, como fruto de sua vida desregrada ou de sua própria natureza íntima, Michael Jackson está, agora, trancado numa cova escura e fria, sozinho, como sempre esteve, a vida toda. Só que com uma diferença: os flashes não podem tirá-lo do seu sono profundo e eu espero, sinceramente, que ele durma em paz.

segunda-feira, 29 de junho de 2009


UMA NOITE
(Beatriz Oliveira)

Tudo o que lhe peço é uma noite.
Uma noite de ilusão e fantasia
Em que você me ame e eu lhe ame
Com profundidade e maresia.
Sei que não sou digna do seu abraço,
Nem do seu olhar sobre o meu corpo farto,
Mas levarei você ao paraíso,
Se me der uma só noite no seu quarto.
Farei de você um príncipe menino
A ter satisfeitas todas as vontades:
Sorrisos, brincadeiras, doces,
Carinhos, segredos, inverdades...
Olharei para o homem belo
E pensarei lhe impor mil tormentos
Que lhe farão meu, por gosto.
Farei apimentados todos os momentos
De boca, língua e dedos ágeis.
Beijarei, sem pressa, sua pele toda,
Fazendo arrepiar seus pelos frágeis
E tremer seus músculos, de ansiedade.
Tocarei sua alma com minha paixão desvairada,
Numa noite. Uma noite só. A noite inteira.
Percorrerei seu corpo de cima a baixo
E vice-versa, com os olhos, com as mãos,
Com o que você pedir.
Me envolverei em seus cabelos, desesperada,
Pelo seu toque e pelo seu sexo, até você sucumbir.
Poderá ser claro ou escuro o quarto, você decide.
Poderá ser doce ou angustiado, súdito ou rei.
Qualquer coisa que pedir, eu farei.
Eu serei a sua Eva,
Pecadora, condenada e perdida num eterno açoite,
Que há de se transformar num belo verso.
Uma noite...
É só isso que eu lhe peço.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

QUE HOMEM? (Beatriz Oliveira)


Que homem tu és?
As palavras borbulham na minha mente.
Peri? Dante? Homem-Aranha?
Selvagem, perdido, indiferente...
Quisera um canto do teu pensamento,
Quiçá, teus olhos nos meus.
Promessas de político em campanha
Ou espírito de luz em arrebatamento...
Que homem tu és, que me importa?
Leva-me, antes que morra o meu coração,
Que anda cansado, o pobre,
De tão apáticas mouquices.
Leva-me pra sempre em tua pele,
Em tua boca, me revele
Leva-me por um sem fim de sons e,
Mesmo mouco,
Caminhando nessa vida, feito um louco,
Será como se me olhasses e me ouvisses.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

MOEDA DE BRONZE (Beatriz Oliveira)















Na primeira vez que vi a moeda,
Meus olhos se fixaram e
Minha boca, em queda, murmurou:
“Que lindo...”
Senti meu coração se abrindo
Para a riqueza do novo,
Para uma nova visão.
O belo leva a evoluir!
E admirar você faz
Do belo em mim erupção.
Sinto a ambição,
Através do tato dos meus olhos,
Nas moedas de bronze no seu peito.
Sinto-me fêmea sob o seu olhar tranqüilo...
Fêmea indócil, salivando na intenção
Do sabor do seu pequeno mamilo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

SEU CHEIRO (Beatriz Oliveira)



Eu gosto de cheirar seu hálito, enquanto te beijo.

Gosto de sentir a mudança de quando

O perfume vai cedendo lugar ao suor.

Eu gosto de cheirar seus braços, sua barriga...

Suas coxas e virilha.

Gosto de cheirar seu sexo.

Finjo-me, nessa hora, uma loba feroz,

Guiada pelo puro instinto.

Gosto demais da conta

De como você se larga quando eu te cheiro.

Inteiro.

De parte em parte.

terça-feira, 2 de junho de 2009


Salmo 8:1
Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, tu que puseste a tua glória dos céus!

Salmo 8:2
Da boca das crianças e dos que mamam tu suscitaste força, por causa dos teus adversários para fazeres calar o inimigo e vingador.

Salmo 8:3
Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste,

Salmo 8:4
que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?

Salmo 8:5
Contudo, pouco abaixo de
Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste.

Salmo 8:6
Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés:

Salmo 8:7
todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo,

Salmo 8:8
as aves do céu, e os peixes do mar, tudo o que passa pelas veredas dos mares.

Salmo 8:9
Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra!

quarta-feira, 27 de maio de 2009






PENSAMENTO POSITIVO
(Beatriz Oliveira)

Nos últimos anos, tenho ouvido muito falar na “força da atração” e no poder do “pensamento positivo”. Confesso que tenho dedicado grande parte do meu tempo a tais práticas. Tenho ouvido músicas com mensagens positivistas, tenho evitado falar mal da minha rotina e das pessoas que me cercam, além de sempre dizer, quando me perguntam, que está tudo bem, apesar de muitas vezes não estar.
Acho que, na verdade, o que vem mudando é a minha relação com os problemas, não os problemas em si. Acho, também, que encontraram mais uma forma de tirar dinheiro do povo, vendendo livros, mandalas, quadros, CD’s e outras bugigangas que falam sobre a “força da atração”.
Tornando-me ao mote deste texto: ontem, ao ir para o trabalho, passei por um menino negro, de uns oito anos de idade, que estava dormindo na calçada, ao lado de um lindo canteiro de plantas, à frente de um maravilhoso prédio de classe alta, em Icaraí, no município de Niterói.
No chão, onde ele dormia, ainda havia uma área molhada de um líquido esbranquiçado. Parecia creolina. Meus olhos marejaram diante da cena aviltante e passei a me questionar, mais uma vez sobre as razões do nosso Criador. Ato contínuo, passei a questionar se aquele pequeno saberia o que é “pensamento positivo”.
Será que essa criança teve oportunidade de saber o que é a força da atração? E se teve, será que, ao precisar cheirar cola, pra não sentir fome, ele pensa em como a vida é bela e Deus é bom? Como será que esse menino se sente ao ter que se deitar no chão da rua ao ficar cansado de perambular, sem destino? Será que ele se diverte e acha graça de ter que implorar por uns trocados pra ter direito a comer um doce ou tomar um sorvete, coisas tão comuns aos nossos filhos? Será que sabe o que é dignidade?
Ao pensar nestas questões, eu me envergonho de ser humana e me pergunto: nós sabemos o que é dignidade?
(27/05/2009)