
... Um dia mais claro,
Onde o meu sorriso abrisse portas,
Desse fim a guerras, ressuscitasse mortos;
Onde o meu olhar derramasse bálsamos,
Matasse fome, tristeza, dor, vergonha,
Desonra, falta de ética, covardia, maldade;
... Um dia mais claro,
Onde a minha mão plantasse amparo,
Fé, amizade, segurança, bondade, ânimo,
Árvores, educação, firmeza e poesia;
Onde o meu corpo sustentasse o filho,
O pai, a mãe, o irmão, a irmã, a prima,
O avô, a avó, o primo, o tio, a tia.
... Um dia mais claro,
Onde os meus pés percorressem rumos
Incansáveis, desérticos, navegáveis, frágeis,
Tão longínquos, mas tão intrínsecos a mim;
Onde a minha alma voasse selvagem e nua ,
Etérea, volátil, eólica, éon de ouro livre
E passeasse por todo o lugar onde o “tudo” vive.
... Um dia mais claro,
Onde o seu sorriso me tomasse por rumo
E o seu olhar me tomasse por meta
E a sua mão me tocasse sem nenhum juízo.
Um dia claro que se tornasse noite,
Num instante vago.
Um instante que voaria breve,
E, assim, espantado a si mesmo diria:
“Veja, o tempo passou e eu nem percebi.”